A lembranca
CAPITULO XII:A LEMBRANCA
Draco acordara tarde naquele dia, já que em apenas em seus sonhos obtinha paz, se é que isso era possível.
Abriu os olhos, enxergando ainda meio embaçado, uma vez que estava naucateado pelo sono, puxou as cobertas para baixo, sentiu o frio tomar conta de seu corpo... Estremeceu um pouquinho, mas à medida que se acostumou com a temperatura, sentou-se na cama observando o dormitório, no momento, vazio.
O garoto levantou e pegou no seu malao uma impecável veste de primeira mão, tirou o pijama branco listrado de azul, e vestiu-a. Caminhou ate um pequeno e velho espelho que se encontrava ao lado de sua cama, e ficou se admirando longamente. Em cada olho cinzento ele enxergava uma parte sua, no lado esquerdo o olho da dor, do sofrimento, da carência, do egoísmo, da maldade... E no direito, via a felicidade, o amor, a esperança, o carinho, a compaixão, a amizade... Porem este ultimo, era de certa forma mais opaco do que o outro.
Penteou os cabelos sedosos com as pontas dos dedos, sua pela clara estava mais pálida do que o normal... Fechou os olhos por um instante, e por mais que tentasse se sentir tranqüilo, relaxar, não conseguia, alguma coisa sugava todo o seu conforto da vida.
Deu um grande suspiro, estalou de leve a coluna vertebral e virou-se de costas para o espelho, deixando para trás sua própria imagem, indo observar a paisagem pela janela.
Nevava lá fora, os pequenos flocos gelados caiam levemente no chão, as arvores, a casa de Rubeo Hagrid e ate mesmo os jardins estavam completamente brancos, enquanto vários alunos brincavam de esquiar no lago, ou de tacarem bolotas de neve uns nos outros. O inverno despontava alegre naquela manha.
Draco ficou mirando aquela imagem, queria ao menos ter um quarto da felicidade dos bruxos que estavam lá em baixo, poderia ate se juntar a eles, mas duvidaria muito se conseguisse se divertir, já que a felicidade para um menino como ele é muito difícil de se conseguir, mesmo quando se infiltra em coisas tão simples.
Uma lagrima escorreu de seus olhos claros, naquele momento se sentia tão sozinho... Seu coração estava mais frio do que o ambiente lá fora...
Resolveu deixar o dormitório para trás, e tentar seguir sua vida normalmente. Desceu a escadaria, e dirigiu-se para a lareira do Salão Comunal, que no momento, aquecia vários sonserinos, as vestes cobertas por gotículas, que provavelmente minutos atrás eram neve, como também uma lembrança, que se derreteria no coração de terceiros, para juntar-se ao sangue e a alma.
O garoto ficou olhando os bruxos conversarem, animadamente, quando se deu conta que não tinha mais amigos, e o vazio no seu peito aumentou ainda mais, tanto foi que o levou a ir embora correndo, Já sabia para onde ir...
Passou ofegante nas masmorras ate o terceiro andar, empurrando quem quer que fosse que estivesse em seu caminho, arrancando vários palavrões das bocas destes.
Quando finalmente chegou no terceiro andar, parou subitamente de correr, uma gota de suor deslizou em seu rosto pálido, e caminhou ate o lugar onde a Sala Precisa se encontrava.
Abriu a porta, por trás dela agora, se via um cômodo grande, enorme, as paredes assim como a porta, eram pretas e desgastadas, o único objeto presente se encontrava exatamente no centro da sala... Draco caminhou ate ele, e para a sua surpresa, lá estava um ursinho de pelúcia, Marrom e velho, as costuras saindo, os olhos desbotados... “ Isso me parece familiar” pensou o menino... Então... Ele em fim se lembrou... A lembrança correu em sua mente...
Era uma manha de Dezembro, Um menino bonito e loirinho estava perto da arvore de natal, devia ter uns 5 ou 6 anos, e abria os vários montes de presentes que havia ganho da família, os papeis se rasgavam com estrondo, e junto se via o sorriso do menino a cada surpresa que descobria... Normal de criança, descobrir o mundo e acha-lo fantástico, assim como um embrulho de presente, colorido, bonito, mas não se sabe o que tem dentro, o que aguarda... A curiosidade toma conta, e a cada rasgo, um brilho de satisfação... Para a criança, com sua inocência impecável, tudo é bonito e mágico, porem quando crescem, o embrulho se torna escuro, e ela descobre que a vida não é tão fácil... Porem, aquele menino descobriu isso cedo demais... Naquele mesmo dia, ele foi se encontrar com Francielle.
Francielle era uma garotinha bonitinha, loira, os olhos verdes, branquinha... Era como uma garota qualquer, filha de pais ricos... Mas ela morava na rua, embaixo do soalho da Mansão dos Malfoy. Ele era amigo dela, apesar dos seus pais serem contra.
Francielle nunca havia ganho presentes de natal e Draco sabia disso, então, naquela tarde de 25 de Dezembro, levou para ela um ursinho de pelúcia, embrulhado em um papel de seda cor-de-rosa, a menina ficou um pouco receosa e inquieta, porem logo abriu um enorme sorriso, e abraçou o menino fortemente.
Ela abriu o embrulho, começou a chorar de felicidade, e com a mesma intensidade abraçou o ursinho, falando: “nos vamos ser amigos para sempre, não é? Eu te adoro Draco!”o garoto se emocionou, mesmo naquela pouca idade, e abraçou Novamente a menina, prometendo voltar no dia seguinte para brincarem.
Porem, no dia seguinte, Francielle não estava mais lá... Havia morrido de pneumonia, seu corpo frio e imóvel se encontrava deitado, e ao seu lado, o ursinho...
Desde aquele dia Draco viveu infeliz, a morte de sua única amiga causou-lhe depressão e fobia social... O que era para ser para sempre, resumiu-se em apenas um misero dia... O ursinho era a única lembrança que restara entre os dois, a alma de Francielle infiltrou-se nele, e por isso nunca mais o largou... Toda vez que se sentia sozinho, abraçava o urso, e nele, sentia o calor do corpo de Francielle, e todo o seu jeitinho meigo de ser, de reconforta-lo...
Um dia aconteceu um milagre, Draco abrasava o urso, desejando morrer... Devia ter uns 10 anos... Então, a alma de Francielle apareceu e disse:
“Um dia nos vamos estar juntos de novo, aqui no céu... Mas não desista da sua vida, Deus me tirou a minha, mas por um motivo quis manter a sua... descubra essa motivo Draco... Você é muito especial...” Então uma pena dourada substitui a voz meiga da criança, e o garoto passou a ver que ainda tinha muito o que viver...
Draco tentou pegar o urso, mas não foi possível... Ate lembrar que ele estava esquecido dentro de seu malao, foi embora da sala, com uma ponta de esperança no coração.
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