A briga(modificado)



CAPITULO IX:A BRIGA

Draco e Kitty estavam seguindo seu caminho para o Salão Principal, quando ela se tocou da realidade dos fatos, parou no meio do caminho, os olhos brilhando de lagrimas, baixou a cabeça, os seus longos cabelos loiros escorreram para frente dos olhos, o garoto ficou preocupado, e perguntou o que estava acontecendo, acariciando-lhe o rosto.
_ Não dá mais Draco...
_O que não dá?
_Você sabe, eu e o Harry estávamos juntos... Estamos, sei lá! Mas eu fui um monstro, o trai com você, sei que tenho toda e qualquer liberdade para amar, mas não acho justo brincar com os sentimentos dos outros como fiz com ele... Não vou mentir, vou contar tudo o que aconteceu e provavelmente ele não vai me perdoar... Melhor do que ficar com a consciência e moral pesada... Não quero piorar a situação, acho melhor esperarmos um tempo... Ate as coisas se acalmarem...
Draco não respondera nada, sua felicidade esvaiara-se tão rapidamente que o deixara em estado de choque. Quando voltou a plena realidade apenas acenou a cabeça afirmadamente.
Os dois seguiram silenciosos para o Salão, Kitty roendo as unhas e olhando assustada para cada passo que dava, como se alguém soubesse o que ela tinha feito e estava prestes a lhe pregar um castigo mortal. Draco por outro lado, estava triste e pensativo, imaginando o que estaria por acontecer com sua vida, que por um mínimo momento daquele dia, estava perfeita.
Quando chegaram no Salão Principal, que possuía no teto, um azul aveludado salpicado por prateadas estrelas, Harry estava à porta, provavelmente aguardando a sua pseudonamorada chegar. Ele cumprimentou Draco com um superior aceno de cabeça, em seguida estava por beijar Kitty, que virou o rosto, e sem nem mesmo olhar para o garoto, disse:
_Harry, precisamos conversar...
_Mas agora Kitty?
_É uma coisa seria...
_Vamos jantar primeiro, estou morto de fome, depois você me conta.
Harry e Kitty seguiram para suas mesas jantar, ele que não sabia o que o aguardava, senão já teria tido uma indigestão. Draco seguiu para a mesa da Sonserina, e apesar de Kitty ser da mesma Casa, não trocaram uma só palavra, para falar a verdade, ambos nem jantaram.
A partir do momento que Harry Potter terminou o seu prato, satisfeito, chamou a garota para um canto do Saguão de Entrada, onde conversaram durante um longo tempo.
Ao se separarem, Kitty saiu chorando e Harry parecia muito zangado, Draco que ficara observando toda a cena atentamente, saiu atrás de Kitty, que virou assustada.
_ah! É você Draco...- disse fracamente a garota, os olhos vermelhos como nunca.
_Então?
_Acho que não preciso nem falar, não é mesmo? Eu propus que fossemos amigos, mas ele me disse coisas horrendas, nem me deixou explicar direito... Nunca fui tão ofendida, sei que fui extremamente errada, mas o perdão é essencial para a boa convivência...
_Não fica assim Kitty, ele... Apenas não te merece...
_Obrigada Draco, mas qualquer um, eu sei... Trataria-me da mesma maneira...
_Eu nunca te trataria assim, independente do que acontecesse, do que você fizesse, eu iria te perdoar, meu amor por você é maior que qualquer atitude, do que quaisquer palavras mal pensadas.
Ela desandou a chorar, entornou um mar de lagrimas, entre uma delas, uma era de sangue...
Draco levou a menina, insólita, ate o seu dormitório, em seguida, partiu para o seu, onde deitou-se na cama , refletiu por longos minutos que em fim poderia ser feliz... O que significaria este sentimento que todos tinham menos ele?
Certa vez ele ouviu uma historia de Kitty, antes mesmo de terem se beijado pela primeira vez, uma historia aparentemente bonita e profunda, mas para ele, um ser sem sentimentos, a via apenas como uma velha foto preta e branca, cheia de sabedoria, mas ao mesmo tempo fria e incompreensível.

Um dia, numa praça, um jovem exibia seu coração, o mais bonito daquela cidade.
Uma grande multidão se aproximou e admirou aquele coração, pois era perfeito.
Não havia nele um único sinal que lhe prejudicasse a beleza.
Todos reconheceram que realmente era o coração mais bonito que já haviam visto.
O jovem estava vaidoso e o ostentava com crescente orgulho.
De repente, um velho homem, montado em um cavalo, surgiu do meio da multidão, desceu ao chão e bradou:
- Seu coração nem de longe é tão bonito quanto o meu!
O jovem e a multidão olharam para o coração do velho homem que batia fortemente, mas era cheio de cicatrizes.
Havia lugares onde faltavam pedaços e também partes com enxertos que não se encaixavam bem, que tinham as laterais ressaltadas.
A multidão se espantou:
- Como pode ele dizer que seu coração é mais bonito?
O jovem olhou para o coração do velho homem e disse, rindo:
- O senhor deve estar brincando! Compare seu coração com o meu e veja. O meu é perfeito e o seu é uma confusão de cicatrizes e emendas!
- Sim, - disse o velho homem - o seu tem aparência perfeita, mas eu nunca trocaria o meu por ele.
As marcas representam pessoas a quem dei o meu amor. Eu arranquei pedaços do meu coração e dei a elas e, muitas vezes, elas me deram pedaços de seus corações para colocar nos espaços deixados; como esses pedaços não eram de tamanho exato, hoje, parecem enxertos feios e grosseiros, mas eu os conservo como lembranças do amor que dividimos.
Algumas vezes eu dei pedaços do meu coração e as pessoas que os receberam não me deram em retorno pedaços de seus corações: esses são os buracos que você vê.
Dar amor é arriscar. Embora esses buracos doam, eles permanecem abertos lembrando-me do amor que tenho por aquelas pessoas. E eu tenho esperança de que um dia elas me dêem retorno e preencham os espaços que ficaram vazios.
Agora você consegue ver o que é beleza de verdade?
O jovem ficou em silêncio, com lágrimas rolando por suas faces. Caminhou em direção ao velho homem, olhou para o próprio coração e arrancou um pedaço, oferecendo-o com as mãos trêmulas.
O homem pegou aquele pedaço, colocou no coração e tirando um outro pedaço do seu, colocou-o no espaço deixado no coração do jovem. Coube, mas não perfeitamente, já que havia beiradas irregulares.
O jovem olhou para o seu, antes tão perfeito coração. Já não tão perfeito depois disso, mas muito mais bonito do que sempre fora, já que o amor do velho homem entrara nele.
Diante da multidão que os observava em respeitoso silêncio, eles se abraçaram e saíram andando lado a lado, seguidos pelo cavalo, cujas patas batendo no solo emitiam o som de corações pulsando...

Afinal, o que significaria? Seria ele um bruxo tão esnobe e insensível, aparentemente bonito, mas por dentro tão vazio? Ou será que nem mesmo ele entendia o que era a compaixão de dividir com os outros o amor, a alegria alheia? Seria apenas mais um hipócrita? Ou apenas uma pessoa carente que nunca teve carinho na vida, e que precisaria de alguém para mostrar, que as coisas mais belas encontram-se nas mais simples?

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