A luz
CAPITULO VIII: A LUZ
Draco acordou tarde no Domingo daquela semana, assim como tantos outros alunos, por causa do cansaço do Baile ontem à noite, mas ele estava bem pior, abatido por um falso beijo. Perdera o café da manha por falta de fome, e passou o resto da manha sentado em baixo do velho carvalho, deliciando sua depressão repentina. Ate esquecera do seu encontro com Carolina, absorto em seus pensamentos e lagrimas.
Quando a garota o achou, triste e com raiva pelo enorme bolo que levara, quase passou direto por ele, não fosse o jeito que ele estava.
_O que aconteceu Draco?
_SOME DAQUI GAROTA!
Carolina começou a chorar:
_O que foi que eu te fiz?- perguntava a menina desesperada
_SOMENTE O FATO DE VOCE EXISTIR! SUA SANGUE RUIM!
_Se eu soubesse que você era grosso e chato como todos falavam, nunca teria me aproximado de você, pelo visto você me enganou este tempo inteiro, achei que você era um garoto legal... E nem acredito em tudo o que aconteceu entre a gente... Definitivamente é com outra pessoa que estou conversando... - choramingava a menina, os olhos mel se transformando em verdes, cobertos por veias vermelhas.
_TANTO FAZ GAROTA! SO QUERO QUE VOCE VÁ EMBORA E PARE DE ME ATORMENTAR COM ESSE SEU TI-TI-TI DESAGRADAVEL!
Carolina não falou mais nada, ficou um tempo parada, olhando horrorizada para o menino a sua frente, em seguida levantou, fechou os olhos onde caíram varias gotas tristes, e saiu correndo, ate que desapareceu de vista quando entrou pela porta do castelo.
Nem mesmo Draco entendera porque agira desta forma, a forma que sempre agiu com todos, em exceção de Kitty, sentia novamente aquele vazio aflorar em seu peito, a visão preta e branca de sua vida. Sentia-se ate um pouco decepcionado consigo mesmo por tratar Carolina tão mal assim, mas não conseguia sentir remorso, muito menos chorar e pedir desculpas, alguma força o empedia, uma força maior que a felicidade e a razão.
Draco não comeu nada aquele dia, sentia rancor por tudo e por todos, estava caminhando indiferente como um morto-vivo pelo 1o andar, quando sentiu um puxão por trás da medula, era Kitty sentada no chão... meditando? Ele não sabia, mais sentiu uma alegria incompreensível ao ver sua figura, andou ate ela, e disse:
_Oi Kitty!
Mas ela não respondeu.
_Oi, tudo bem?
Igualmente não houve resposta.
Draco ficou extremamente triste com a ausência de resposta, já ia saindo quando ela falou em uma voz fria.
_Oi, venha ate aqui por gentileza.
_CLARO!- exclamou o menino, sentindo seu sangue pulsar novamente e aquecer seu corpo.
_Poderia me acompanhar ate um lugar?-disse ela indiferente, mas triste.
_AHAM!- Sorriu o garoto de ponta a ponta.
Kitty guiou o garoto ate a sala Precisa, que tomara a forma de um lugar tranqüilo, o chão era de uma grama fofa e verde (recém saída da Primavera), onde brotavam varias flores delicadas havia uma mini-cachoeira mais ao fundo, cuja água batia delicadamente nas pedras cobertas por musgos, e transformava-se em vapor. Um cheiro de frutas silvestres tomavam conta do local, havia vários pufes acaramelados e rosados no chão, enquanto incensos e véus enfeitavam algumas partes do local.
_Sente-se - disse ela, secadamente.
Draco sentou, ainda sem muito compreender porque a menina o trouxera ali, mas não disse nada.
_Pode me dizer o que você vê?
_Um lugar bonito, tranqüilo, chio de flores e felicidade.
_Por acaso- ela continuou- é assim que você se sente quando você esta comigo?
_Não estou entendo...- respondeu ele.
_Então vai entender agora, eu vou sair desta sala, e uma outra garota vai entrar, não saia daqui.
_Tudo bem...- Respondeu o garoto confuso.
Pela fresta da porta, transpareceu uma sombra fenimina, que logo foi se transformando na imagem de Carolina. O cenário se mudou por completo, as flores murcharam, a água secou, a grama tornou-se amarelada e quente, os véus se rasgaram, e os incensos obtiveram um cheiro ruim, parecido com enxofre.
_Oi...- disse ela com a voz tão baixa e triste que mal pode ouvi-la.
Novamente a raiva tomou conta dele, e mesmo não querendo, controlou suas palavras, como se uma outra pessoa tomasse conta do seu corpo.
_QUE EH QUE VOCE ESTA FAZENDO AQUI?
_Nada... Eu só...
_VAI EMBORA!
_Mas eu... só queria te perguntar uma coisa...
_SOME DAQUI! SANGUE RUIM!
Ela não falou mais nada, saiu correndo novamente. Draco novamente se sentiu culpado, sabia que não queria dizer aquilo, mas não controlava.
Passado algum tempo ele ficou ali contemplando seus atos, seu jeito... tendo como única companhia a solidão, já que agora a sala havia se tingido de preto.
Kitty entrou pela porta, e tudo se voltou a primeira situação, a primeira cena.
_Me conte tudo...- disse ela triste, contendo um choro.
Draco não queria, mas repetiu detalhadamente tudo o que havia acontecido com ele desde a chegada de Carolina, a cada palavra, uma lagrima. Acabando de contar, Kitty permaneceu silenciosa durante um período, mas disse.
_Draco, como você pode trata-la deste jeito?
_Eu não queria...
_Sei que não Draco, mas tem que aprender a controlar você mesmo.
_Eu tento...
_Como é o seu mundo?
_Meu mundo é você Kitty...
O silencio tomou conta do local, mas foi quebrado pela voz grave do garoto.
_Sabe, desde que eu te conheci, mudei muito, você me fez enxergar o mundo de uma forma diferente, pela primeira vez me senti vivo, pela primeira vez senti como é ser tratado com carinho... Mas desde que você me largou... perdi todas as minhas esperanças, e fui regredindo... Transformando-me no monstro desumano que sempre fui.
_Você não é um monstro, apenas precisa de ajuda, de afeto.
_Volta para mim Kitty - chorava o garoto.
_Não chora Draco, apenas em acredite em quem você é, ninguém é mau por nascença...
_Mas Kitty, eu te amo!- suplicava o garoto, agora deitado no chão.
_Draco... Eu... Olha...
_Me da um abraso! – chorava um rio
Kitty se comoveu com a sinceridade do garoto, o abrasou, ele sentiu aquele calor, aquela onda de sentimentos bons que há muito tempo não acontecia, ate seu coração voltara a pulsar, não mais gélido como antes.
Três minutos de abraso serviram como um remédio para o menino, que agora ria de felicidade.
_Obrigado Kitty, muito obrigado!
_Draco, lembre-se, você sempre terá a mim, sempre...
_Como namorado?- os olhos do garoto brilhavam como nunca.
_Não... Como amiga.
_Mas eu te amo Kitty! Amo-te como nunca amei ninguém! Alias, nem sentimentos eu tinha! Você me trouxe a vida Kitty!_ Lagrimas escorriam de seus olhos.
_Mas você... Seus amigos... Eles...
_Kitty! Eu não sou eles! Olhe para dentro de mim! Dentro dos meus olhos! Enxergue meu coração Kitty!
A garota ficou mirando a cena, avaliando cada palavra de Draco como se fossem as ultimas, e depois de muito tempo, respondeu o garoto que a mirava marejando lagrimas.
_Desculpe por ter sido tão cega Draco... Eu também te amo... Mas tenho medo da realidade...
Os dois ficaram se encarando firmemente, momentos depois estavam se beijando, involuntariamente, e uma força sem nome empedia-os de se largarem. Draco nunca se sentira tão feliz, esses tempos de solidão vivendo um amor Não correspondido, só o fizera amar ainda mais a garota, a cada dia que se passava.
Passaram-se varias horas, que mais pareciam minutos, quando se deram por si, eram 8:30 da noite, deviam ir jantar.
Saíram juntos de mão dadas, alegres, os dois eram um só.
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