Reunião de suspeitos
CAPÍTULO 19 - Reunião de suspeitos
Harry, Rony e Hermione entraram na sala camuflada da parede. Era um aposento bem iluminado, sem carteiras, com um palco circular de madeira no centro e diversas estantes e prateleiras ao redor. Não havia janelas, porém não era um lugar abafado, e sim demasiado agradável. As paredes eram claras e um carpete cobria o chão, dando um charme a mais a sala.
-Que sorte você ter esbarrado na maçaneta, Rony – disse Harry, vislumbrando o local. – É perfeito! Poderemos nos reunir naquele palco e conversarmos com os suspeitos.
-Bom, será que não devemos convocá-los logo? – perguntou Hermione.
-Sim, iremos daqui a pouco, mas antes eu queria programar algumas coisas com vocês. Escrever alguns dados importantes do caso.
Rony, que estava examinando uma prateleira, virou-se para os amigos, com um pergaminho na mão.
-Você poderá escrever o que quiser, Harry. Tem pergaminho de sobra aqui, inclusive penas e tinteiros. Tudo meio empoeirado, mas dá pra usar.
Harry sorriu e apanhou o pergaminho das mãos de Rony, que lhe passou também um tinteiro e uma pena. Harry molhou a pena no tinteiro, apoiou-se no palco de madeira e, com os olhares atenciosos dos amigos acompanhando a escrita, começou a redigir:
“Caso Michael Evans”
Foi libertado de um amuleto por alguém, a mando de Voldemort, na noite de 31 de outubro, Dia das Bruxas. Sabemos que:
-Michael é uma das pessoas que está na lista de vítimas, já que só estas estavam presentes no assassinato de Crabbe.
-Michael odiava o Professor Snape, uma de suas vítimas, por motivos relacionados ao passado, segundo conversa ouvida nos vestiários.
-Michael deixa as iniciais em cada local do seu crime, ao lado de um círculo rodeado de desenhos mal-feitos, alguns com um X e outros sem.
-Ele não mata utilizando feitiços porque, obviamente, o último feitiço realizado por uma varinha pode ser descoberto.
-Os registros foram apagados definitivamente da história da escola. Ou seja, o caso foi abafado e escondido totalmente, para torná-lo apenas uma lenda.
-Michael segue uma ordem para matar suas vítimas.
O que temos que descobrir?
-Por que alguns círculos recebem um X no meio e outros não?
-Qual é a ordem estabelecida para o assassinato das vítimas?
-Por que ele usou uma máscara utilizada nos carnavais venezianos em um ataque e, ao atacar Hermione, usava outra máscara?
-Quem será a próxima vítima?
-Por que essas pessoas foram escolhidas para serem assassinadas por ele?
-E, essencialmente, qual a identidade do assassino?
Seguiu-se a isso uma lista com as vítimas que restavam. Ao lado de cada nome, Harry escreveu: “Probabilidades”, deixando o campo em branco.
Ao terminar, olhou para os rostos atentos de Rony e Hermione.
-Bom, o campo de “Probabilidades” será preenchido conforme as entrevistas que faremos com cada uma das futuras vítimas, o que dá no mesmo de cada um dos suspeitos.
-As prováveis vítimas também são os suspeitos – refletiu Rony, intrigado. – Que caso mais maluco! Vítimas – suspeitas!
-É realmente muito maluco – concordou Hermione. – Então, vamos agora à convocação.
-Claro – concordou Harry. – Vamos dividir a ordem das chamadas. Hermione, é claro, convencerá Kevin a participar da reunião, com o fingimento de estar com uma queda por ele.
-Pode deixar – falou Mione. – Ele já está aqui na minha mão.
-O problema agora é o Draco Malfoy – falou Harry, consultando a lista de suspeitos. – Ah, e um tal de Charles Sheppard, é Sonserino também.
-Esse eu acho que não teremos tanto problema em convencer – disse Hermione. –Troquei umas palavras com ele na manhã em que encontraram o corpo do Dino no lago. Ele me disse que na noite anterior tinha ouvido uma conversa entre o Draco e o Kevin, muito suspeita, aliás. Pareceu-me interessado em descobrir quem é o assassino, quer dizer, ele disse que tinha certeza que eram o Draco e o Kevin.
-Aí... Temos nossas primeiras probabilidades – disse Harry, sorrindo e apanhando o pergaminho de anotações. Molhou a pena no tinteiro e preparou-se para escrever. – Conte-me tudo o que ele disse ter ouvido, Hermione.
Harry anotou na frente dos nomes de Draco e Kevin, escrevendo entre parênteses de onde provinha tal afirmação – Charles Sheppard.
-Pronto. Depois veremos se Charles repetirá o que lhe disse, e questionaremos Draco e Kevin sobre o que queria dizer essas frases.
-Então, Harry, voltando ao nosso problema... Como convencer Draco? – perguntou Rony.
-Tenho uma sugestão – falou Hermione. – Como Gina agora é amiga de Draco, ela poderia chamar ele e claro que ele iria acabar vindo. Como eu e ela estamos meio... “brigadas”, Rony, que é irmão, pode ir até ela e pedir que chame o Draco.
-OK – disse Harry, depois de uns instantes de estranha hesitação. Aquela idéia, de certa forma, o incomodava. Ele não podia explicar porque.
Tentando tirar esses pensamentos estranhos da cabeça, ele dividiu os chamados:
-Rony chama Gina, deixando claro para ela convidar Draco e também chama as Patil. Hermione fica com a tarefa de chamar Kevin, Sheppard e Cho – Harry sentiu o estômago afundar por uns instantes. Teria de entrevistar Cho. – Eu fico por conta do Christian Baker e, conseqüentemente, de sua turminha, Jennifer Yumi, James Smith e Laurie Sawyer. Ficará faltando o Hagrid, e, apesar de ser nosso amigo, também tem que ser entrevistado. Mas ele fica pra outro dia.
Eles se entreolharam e saíram juntos da sala, em direção ao salão comunal. Harry olhou para trás, no local em que fecharam a porta, mas lá não existia mais nada, exceto a parede negra iluminada pelo fogo flamejante de um archote.
* * *
Harry, Rony e Hermione chegaram ao Salão Principal e se dispersaram. Rony dirigiu-se para a mesa da Grifinória, enquanto Harry parou em frente as portas, onde Christian Baker e seus amigos conversavam em uma rodinha. Hermione, por sua vez, foi até a mesa da Corvinal, chamar por Cho Chang.
Nenhum deles encontrou relutância. Gina ouviu bem o que o irmão tinha a dizer, e quando o garoto terminou, num fingimento, falou:
-Por que eu tenho que chamar o Draco? Eu... Nem sou tão amiga dele assim... Não sei de onde você tirou isso. Aposto que foi a Hermione que...
-Gina, não tem nada a ver o que você está dizendo – ralhou Rony. – Precisamos que você chame o Draco, pois ele nunca ouviria nem eu nem o Harry... Por favor, diga a ele que é uma reunião importante. Não precisa entrar em detalhes também.
Gina fingiu hesitar, e depois concordou, levantando-se e indo até a mesa da Sonserina. A garota quase esbarrou com Hermione que, depois de ter chamado Cho, que pareceu aceitar com prazer, ia até Charles Sheppard.
-Uma reunião – falou ele. – Boa idéia. Assim poderei mostrar tudo o que sei sobre o Malfoy e o Wallace. Provarei que estou certo. Aliás, eu nunca erro, já te contei isso?
Mione fez de tudo para que parecesse que o garoto a estava agradando. Suspirou profundamente quando se levantou, aliviada por se livrar da arrogância e superioridade de Charles, e encaminhou-se até o lado de fora.
Lançou um olhar furtivo a Harry, que estava na rodinha de Christian.
-Harry, será muito arriscado! – falava Christian naquele momento. – Michael Evans saberá que está ocorrendo uma investigação.
-De qualquer forma saberá – disse Harry, desviando rapidamente o olhar e vendo que Hermione começara a fazer sinais para Kevin Wallace sair do Salão Principal. – Michael é uma das pessoas que está na lista de vítimas.
-Como é que é? – perguntaram James, Laurie e Jennifer, em uníssono.
-É isso mesmo que vocês ouviram – falou Harry. – Mas explicarei melhor quando todos estivermos reunidos. Contarei com vocês. Estaremos esperando no quarto andar no máximo dez minutos. Temos que ir antes que termine o jantar, para que ninguém perceba. Tchau.
Harry ficou parado em um canto, observando.
Hermione estava parada ao lado da porta do Salão Principal, dentro do campo de visão de Kevin Wallace. O garoto a viu, limpou a boca e levantou-se rapidamente da mesa da Sonserina.
Quando chegou ao lado de Hermione, Kevin já ia segurando-a pela cintura, mas foi repreendido por Hermione, embora de forma simpática – Harry imaginou o esforço que Hermione estaria fazendo.
Naquele instante, Rony apareceu, lançando um olhar de esguelha a Kevin e Mione, e indo até o canto onde Harry aguardava.
-E então, como foi com a Gina?
-Ela pareceu pensar um pouco, mas depois foi até o Draco conversar com ele. Acho que ela consegue convence-lo. Ele precisa ir a essa reunião. Aposto todas minhas fichas que ele é o assassino.
-Rony, pra você, sempre é culpa do Draco – brincou Harry. – E as Patil?
-Aceitaram numa boa – respondeu ele.
Hermione vinha em direção a eles, segurando a mão de Kevin. Tinha o rosto muito vermelho, o que não escondia a vergonha que sentia ao ter que fazer aquilo.
Rony, por sua vez, sentiu o estômago revirar e o rosto esquentar. Baixou os olhos e encarou o chão quando ela e Kevin chegaram.
-Não podemos ir subindo, Harry? – perguntou Hermione. – Ficamos lá esperando os outros.
-Claro – disse Harry, logo se virando para Kevin, que não tivera nem o trabalho de cumprimentá-lo. – Como vai, Kevin?
-Estou ótimo. Não está vendo quem está do meu lado? – e passou a mão pelo rosto de Hermione, que se esgueirou rapidamente.
Harry sentiu pena de Hermione, mas era algo necessário; Kevin o odiava, e nunca iria até a reunião se não fosse pela ajuda dela.
-OK, vamos – disse Harry, dando um cutucão no ombro de Rony, que finalmente levantou o olhar.
-Olá, Weasley – cumprimentou Wallace com arrogância, quando Rony o olhou, zombando do garoto por estar de mãos dadas com Hermione.
Rony sentiu uma fúria incandescendo dentro do peito, mas se controlou. A reunião estava marcada e não era por uma afronta de Wallace que ele iria estragar tudo, começando uma briga. Harry, que já subira uns degraus, percebendo que ninguém o acompanhava e que um clima tenso pairava no ar, chamou-os novamente.
Rony seguiu o amigo, e Kevin e Hermione iam logo atrás. Pararam no patamar do quarto andar. Em alguns minutos, os suspeitos começaram a chegar. Draco e Gina – um separado do outro, já que a garota não queria que ninguém descobrisse o que ocorria entre os dois – , Cho Chang logo atrás – Harry sentiu um desconforto quando ela o cumprimentou – , Charles Sheppard – que dizia aos quatro ventos que “iria revelar a todos os culpados pelas mortes” – , Christian Baker, Jennifer Yumi, James Smith e Laurie Sawyer – juntos como sempre – , e, por fim, as gêmeas Parvati e Padma Patil.
-Pronto, agora podemos ir – falou Harry. – Antes que chamemos a atenção de alguém. Por favor, sigam-me.
Para surpresa de Harry, Draco ficara quieto, provavelmente pela presença de Gina. Caminharam até o corredor escuro da sala camuflada na parede. Harry parou, tateou e achou a maçaneta. Girou-a, sentindo a estranha sensação de abrir o vazio, e logo uma luz iluminou o corredor, revelando a sala.
-Incrível! – exclamou Parvati.
-Entrem rápido – apressou-os Harry. – A luz pode chamar a atenção do Filch ou da Madame Nora.
Todos entraram e Harry fechou a porta silenciosamente. Todos estavam em pé esperando o que ele iria dizer, e Harry apontou para o palco circular de madeira, mandando-os sentar ao redor. Eles se dispuseram no palco. Harry ficou em pé no centro. Por um instante fugaz, aquela cena lhe lembrou o prazer que era as aulas da AD. Só que ali a situação era bem mais grave. Era um interrogatório para capturar um assassino. Assassino que estava ali, naquele círculo, disfarçado de futura vítima.
-Eu, Rony e Hermione tivemos a idéia de reunir vocês para investigarmos os assassinatos que estão acontecendo nesta escola. Todos nós temos o nosso nome na lista de futuras vítimas. Para que as mortes sejam evitadas, devemos capturar o assassino que, para surpresa de alguns, teve a audácia de se incluir na lista de vítimas.
Um falatório começou. Uns chocados, outros indignados. Harry foi obrigado a dar alguns gritos para que a algazarra cessasse.
-Por favor, sem algazarra! Tudo bem que a porta está camuflada na parede e ninguém pode encontrá-la, mas nada impede de a pessoa ouvir o que acontece aqui dentro. Por isso, mantenham o silêncio. Quem quiser perguntar alguma coisa, por favor levante a mão.
Charles Sheppard levantou.
-Como vocês podem afirmar que o assassino está incluído na lista das vítimas?
-É muito simples. Quando Crabbe foi envenenado, o assassino se descuidou, pois ali havia um grupo limitado de pessoas, ou seja, somente as que estavam na lista das vítimas. Um passo em falso... Aliás, muito vergonhoso para o assassino...
Harry sentiu uma pontada de prazer. Michael Evans era um deles, e estava escutando isso. Imaginou a raiva que ele não deveria estar sentindo por dentro.
-A finalidade dessa reunião é perguntar para cada um de vocês onde se encontravam na hora dos assassinatos. Vale lembrar que é melhor contar a verdade... Ou pode se embaralhar...
Um silêncio aterrorizador dominou a sala. Um olhava para o rosto do outro, desconfiados.
-Eu, Rony e Hermione ficaremos sentados ali atrás daquela mesa. Chamaremos um por um, que virá e sentará na cadeira em frente. Podemos começar?
Todos, ainda em silêncio, balançaram a cabeça afirmativamente.
Harry Rony e Hermione foram para trás da mesa, que ficava ao fundo da sala. Harry pegou o pergaminho das probabilidades e leu o primeiro nome anotado:
-Charles Sheppard!
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