Uma guerra entre dois mundos?
CAPÍTULO 18 - Uma guerra entre dois mundos?
Harry subiu para a sala comunal com Rony e Hermione. Por sorte, o local estava quase deserto. Apenas poucos alunos estavam lá, aproveitando o horário do almoço para adiantar deveres atrasados, mas nenhum deles parou Harry.
Aliviado, ele subiu com Rony e Hermione para o dormitório dos meninos.
-O que temos nessa tarde? – perguntou ele, enquanto colocava o cálice de Essência de Kaviazat na mesa de cabeceira.
-Só uma aula – respondeu Mione. – Que é a próxima, de Feitiços. O resto da tarde é livre, porque era aula do Snape. Como o cargo ainda está vago...
-Estão demorando em encontrar um substituto, não estão? – perguntou Rony.
-Até que não, Rony – discordou Mione. – Pode ter certeza que eles já estão à procura de um novo professor. Dumbledore não ia deixar os alunos sem um professor por muito tempo.
A sineta tocou naquele instante. Harry apanhou o material, assim como Rony. Mione correu para o dormitório feminino, para pegar suas coisas, e os três se encontraram no salão comunal.
Nos corredores, Harry não conseguiu passar despercebido. A notícia de que estivera entre a vida e a morte fora o assunto dos últimos dias, e cochichos e mais cochichos o acompanharam enquanto eles atravessavam a multidão.
Quando entraram na sala de Feitiços, os colegas abordaram Harry com inúmeras perguntas. Quem o atacara, como era o assassino, se ele era mascarado... Harry deu apenas respostas evasivas, não querendo aprofundar os outros no assunto.
Por isso, quando o pequeno Flitwick entrou na sala, Harry deu um suspiro de alívio. Os outros foram para os seus lugares e acabaram o esquecendo.
Flitwick, ao invés de começar a aula, ficou sentado na mesa, mexendo em uns papéis que estavam espalhados sobre ela. Harry percebeu que ele observava atenciosamente cada papel, embora parecesse cansado.
Como a aula não iniciava, os alunos começaram a conversar entre si. Harry, Rony e Mione conversavam sobre o atraso na temporada de quadribol quando ouviram a voz de Simas Finnigan se sobrepôr a todos os cochichos:
-Professor?
Flitwick levantou os olhos da papelada.
-O que foi, Sr. Finnigan?
-É que a próxima aula de hoje era de Poções... Mas não estamos tendo essa aula por causa da morte do Professor Snape. Eu queria saber se vocês já encontraram um novo professor.
-Sim, Sr Finnigan – respondeu Flitwick com um sorriso. – É justamente sobre isso que estou tratando agora. Estou organizando os papéis que o novo professor mandou, para a aprovação de Dumbledore.
-Você o conhece, professor.
-Sim... Aliás, fui eu que o indiquei. Dumbledore estava tendo dificuldades para encontrar um, então eu falei que sabia de um muito bom, estrangeiro, mas que sabia falar inglês fluentemente...
-Estrangeiro? – entusiasmou-se Hermione. – De onde, professor?
-Do Brasil, Srta. Granger. O nome dele é Pablo Salles. A língua do Brasil é o português, mas ele é um poliglota, fala do inglês ao francês.
-E ele é bom em Poções?
-Sim. Muito. Eu digo por experiência própria, sabem... Uma vez ele... Preparou uma Poção do Amor para mim que... Ajudou-me muito, sabem – ele deu risadinhas e tratou de mudar de assunto. – Mas não sou somente eu que acha isso. Os alunos da escola o adoram. E esses papéis provam a grande experiência que ele possui no preparo de poções.
-Ele vai vir logo, professor?
-Em breve, Srta Granger. Muito em breve. O ensino de Poções é muito importante para ficar vago dessa forma.
Depois disso, Flotwick voltou a examinar os papéis. Quando terminou, era quase o final da aula. Como não tinham tempo para mais nada, ele apenas recordou alguns feitiços que eles já tinham aprendido naquele ano.
Ao saírem, os alunos do sexto ano estavam felizes, planejando o que fariam no resto da tarde livre. Harry, Rony e Mione também tentavam se decidir, até que, finalmente, Harry deu uma ótima idéia.
-Faz tempo que não visitamos o Hagrid. Ele deve estar sentindo falta... Além de visitarmos para anima-lo, podemos sonda-lo a respeito do Michael Evans. Afinal, ele também está na lista de vítimas.
-Será que ele conheceu o Michael, Harry?
-Talvez Mione... Vamos lá agora mesmo. Quem sabe essa pergunta não pode ser respondida pelo próprio Hagrid?
O trio saiu do castelo e seguiu animado até a cabana de Hagrid. Ao chegarem, bateram apenas uma vez e logo foram atendidos por um Hagrid feliz pela aparição deles.
-Finalmente. Achei que tinham se esquecido de mim – disse ele, enquanto abria caminho para os três entrarem e Canino latia alvoroçado.
Hagrid, antes de encostar a porta, olhou para os dois lados de fora. Depois, aproximou-se das janelas e espiou. Em seguida, puxou cada cortina.
-Que paranóia é essa, Hagrid? – perguntou Harry, desconfiado.
-Estou só fiscalizando para me certificar de que não tem ninguém escutando lá fora... Você já vai entender porquê. Espere só um minuto, enquanto eu sirvo o chá para vocês.
O trio se entreolhou, curioso. Canino foi até Harry, esperando um afago. O garoto começou a coçar as orelhas do cão. Hermione, atenta, observou o jornal sobre a mesa de Hagrid e resolveu dar uma olhada. Era o “Profeta Diário”.
Mione leu o título da matéria de capa e levou um susto. Cutucou Harry, que levantou o olhar e leu:
UMA GUERRA ENTRE DOIS MUNDOS?
–O que eles querem dizer com isso? – perguntou ele. – Como assim... Uma guerra entre dois mundos?
Hagrid desviou a atenção da chaleira e viu que Harry segurava o exemplar do jornal na mão.
–Era por isso mesmo que eu estava paranóico. Que eu estou paranóico. Uma notícia terrível... A Grande Guerra está acontecendo. E prestes a atingir o ápice...
Harry olhou para a foto que ilustrava a matéria. Um helicóptero estava caído no chão, ainda mexendo as hélices. Corpos estavam espalhados. Luzes cortavam o ar.
–Minha nossa – murmurou Rony, espiando também. – O que aconteceu aí?
Harry começou a ler:
Um ataque de dimensões arrasadoras paralisou o mundo bruxo ontem à noite. Aquele-Que-Não- Deve-Ser-Nomeado e seu exército de seguidores atacaram o vilarejo de Alerton Kollen, em Londres. Aí já começa a paralisação.
Alerton tem uma população bruxa elevada, mas não é um povoado inteiramente bruxo. Trouxas estavam no local, e sofreram as conseqüências.
Testemunhas dizem que, por volta das sete da noite, a Marca Negra iluminou o céu. Em seguida, os Comensais começaram a invadir as ruas de Alerton. Invadiram casas de bruxos e trouxas, matando-os cruelmente. Trouxas apavorados chamaram os guardas dos trouxas – chamados de policiais – para pedirem ajuda. Os bruxos também alertaram e um grupo de Aurores foi mandado para aliviar a situação.
Os Aurores combateram bravamente os Comensais. Já os policiais, perdidos, sem entenderem o que estava acontecendo, foram assassinados no momento em que chegaram (veja foto maior no topo desta reportagem). Logo em seguida eles vieram numa espécie de objeto voador, que soubemos ser chamado de helicóptero. Um dos Comensais lançou um feitiço sobre o tal helicóptero e o derrubou no chão, matando, assim, os dois policiais que estavam nele.
Os Comensais foram embora após um certo tempo. Os Aurores trataram de apagar a memória de todos os trouxas do povoado, o que rendeu um grande trabalho.
A imprensa trouxa noticiou o atentado, mas estranhou, pois nenhum habitante sabia dizer o que tinha acontecido. Eles ainda estão muito confusos.
Nós também não deixamos de estar. Existem povoados inteiramente bruxos. Por que Você-Sabe-Quem iria atacar um povoado com trouxas? Será que a sina dele em purificar a raça bruxa tenha chegado a isso? Ele estaria querendo purificar o mundo todo?
As conseqüências entre uma guerra entre trouxas e bruxos seriam imensas. Os trouxas não possuem magia, e, justamente por isso, inventaram armas e artefatos violentos. As batalhas entre trouxas e bruxos seriam imensas, e o número de óbitos, de ambos os lados, também.
Os Comensais e o lorde deles podem acabar com a convivência pacífica que existe entre nós e os trouxas.
–Minha nossa – suspirou Harry. – Trouxas X bruxos... Não... Isso seria uma catástrofe sem precedentes, Hagrid!
–E eu não sei? – disse o guarda caça, enquanto trazia canecas de chá para os três. – Por isso que todos os bruxos do mundo estão em pânico.
–E a gente nem estava sabendo... – murmurou Rony.
–Hogwarts já tem o seu próprio problema para se preocupar – falou Hagrid, trazendo o bule. – Por isso que o assunto está passando em branco por aqui...
–O Ministério acha que eles atacarão alguma cidade ou povoado inteiramente trouxa da próxima vez? – perguntou Hermione.
–Não... Ainda não – respondeu Hagrid, enchendo as canecas. – Eles acham que o próximo alvo seja algum povoado inteiramente bruxo.
–Hogsmeade?
–Não sei, talvez... Bebam o chá! – ele apontou as três canecas, claramente mudando de assunto. Os três pegaram as canecas, embora não quisessem nem um pouco. – De qualquer forma, o Ministério está atento a todo povoado habitado por bruxos. Vigilância constante, para evitar que uma catástrofe ocorra novamente...
–Voltando ao assunto de Hogwarts... – disse Harry. – Você está assustado com os assassinatos, Hagrid?
–Vocês não estão investigando, estão? – perguntou ele, desconfiado.
–Não – responderam os três em coro.
–Acho bom... Eu estou um pouco assustado, sim...
–Você tem alguma idéia de quem esteja fazendo isso?
Hagrid pareceu pensar um pouco para responder, o que Harry, Rony e Hermione perceberam e anotaram mentalmente.
–Nenhuma – respondeu. – Não... Não faço a mínima idéia. Queria saber, pra que tudo acabasse logo, mas confio que logo pegarão o culpado, podem ter certeza.
Harry, percebendo que não encontrariam nenhuma resposta em Hagrid, e percebendo também que, se abrissem a boca sobre Michael Evans, ele os censuraria, resolveu que era hora de irem embora. Depositou a caneca de chá na mesa e levantou-se.
–Foi muito bom conversar com você, Hagrid, mas temos que ir.
–Já? Pensei que tivessem a tarde livre.
–Mais ou menos... – mentiu Harry. – Livre de aulas. Mas não de deveres. Temos uns deveres atrasados para fazer, e queremos aproveitar o tempo livre... De aulas...
–Que pena... Mas voltem mais vezes, certo?
–Claro. Qualquer dia nós aparecemos de novo.
Os três se encaminharam para a porta da cabana. Hagrid a abriu. Antes que eles se afastassem, ele avisou:
–Tomem cuidado. Não andem sozinhos por aí. Fiquem alerta, entenderam?
Eles afirmaram com a cabeça e continuaram a caminhar. Quando já estavam numa distância considerável, Harry começou a falar:
–Vocês não acham que Hagrid mentiu ao dizer que “talvez” Hogsmeade fosse o próximo alvo?
–Eu percebi, Harry – falou Mione. – Mudou de assunto logo em seguida, pra evitar que fizéssemos mais perguntas... Por que mentiria?
–Pra nos poupar de preocupações, ora... – opinou Rony.
–Acredito que vocês também perceberam a rápida interrupção do Hagrid na hora em que eu perguntei sobre os assassinatos.
–Sim... – disseram os dois.
–Acho que o nosso amigo Hagrid sabe mesmo alguma coisa sobre Michael Evans... Se levarmos em conta, pela conversa que eu ouvi entre Michael e Snape, que Snape conheceu Michael Evans, por que Hagrid, há tantos anos em Hogwarts, não poderia ter conhecido?
–Concordo com você, Harry – falou Hermione. – Mas nunca conseguiremos extrair nada de Hagrid. Se ele realmente conheceu, Dumbledore já deve tê-lo instruído para ficar calado. Afinal, eles querem que Michael Evans desapareça da história, esqueceram?
–É. Eu sei. Por isso achei melhor voltarmos logo.
–Tudo bem, mas... E agora? – disse Rony. – Temos muito tempo da tarde pela frente, sem deveres para fazer, como dissemos ao Hagrid, sem nada para fazer.
–Bom... – disse Harry. – Já que sabemos agora, com certeza, que não teremos a ajuda de ninguém para investigar, que teremos que encontrar as respostas totalmente por conta própria, chegamos a conclusão que a forma mais rápida de chegar ao atual Michael Evans é investigando os suspeitos. Interrogando-os.
–Então voltamos à idéia do dia em que Miss Reynolds morreu – falou Mione. – Devemos reunir todos os alunos que estão na lista do criminoso. Afinal, o criminoso é um deles.
–Mas também voltamos ao dilema do outro dia – lembrou Rony. – Onde reuniremos todos os alunos?
–É o que eu disse antes – disse Harry. – Hogwarts tem diversas salas, algumas sem uso. Basta acharmos uma bem isolada, e que consiga abrigar todos os suspeitos.
–Já que temos o tempo livre, vamos atrás dessa sala agora mesmo! – exclamou Mione.
* * *
Os três entraram em diversos corredores, atentos para qualquer movimento suspeito. Procuravam nos mais desertos, mas a maioria não era tão discreta quanto eles queriam.
Iam subindo andar por andar. No começo estavam animados. Mas quando as salas foram descartadas seguidamente, por diversos motivos – a localização não é muito boa, podem nos pegar, aqui é perigoso etc etc... – os três começaram a se cansar.
No quarto andar encontraram um corredor muito escuro. Pensaram finalmente ter encontrado o local para a sala perfeita, isso se existisse uma sala. O corredor não tinha nenhuma, apenas paredes de pedra e archotes na parede.
–Será que nunca vamos encontrar uma sala perfeita? – perguntou Harry, já ofegante.
–Vamos sim, Harry – falou Mione. – Vamos conseguir. A escola tem inúmeras, não é possível que não exista uma perfeita para o que queremos. Tem mais corredores, tem uma dobra no final desse... quem sabe não achamos...
Rony suspirou.
–Por mim, devemos desistir agora mesmo – disse, escorando na parede. – Já cansei... AI!
Rony de um pulo, afastando-se da parede de pedra e esforçando-se para esfregar as costas. Harry e Mione franziram a testa.
–O que houve? – perguntou Harry.
–Aí, nessa parede – apontou ele. – Tem alguma coisa aí. Machucou as minhas costas.
–Mas não tem nada – falou Harry. – Veja. Parede normal.
–Espere um pouco... – disse Mione. – Licença, Harry, deixe-me dar uma olhada.
Hermione foi até a parede, no ponto onde Rony estava encostado. Começou a apalpar a parede de pedra. De repente disse:
-Achei!
Harry olhou. Ele não via nada, mas... A mão de Hermione parecia fechar-se em torno de alguma coisa. Algo invisível.
–Achou o que?
–Pegue aqui, Harry – falou Mione, levando a mão dele.
Harry sentiu algo sólido ao redor da sua mão. Ele não podia ver nada, mas sentia. Era como segurar o vazio. Ele apalpou e percebeu que era uma...
–Maçaneta? – perguntou ele para Mione.
–É o que parece. Igual a da Sala de Arquivo. Vamos, Harry, gire-a.
Ele girou e puxou. Aquele pedaço da parede de pedra revelou-se como uma porta. Ele a abriu, revelando a eles uma sala iluminada.
–Uma sala camuflada na parede – falou Hermione. – O lugar ideal para reunir os suspeitos.
Os três, animados, encaminharam-se para a sala.
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