"M.E."?
-Que tempos estamos passando, não é? – começou a discursar Hermione, batendo os pés, inquieta, na sala comunal. – Primeiro aparece aquela Marca Negra perto da escola, e agora a Parkinson é assassinada! – suspirou. – Francamente, a paz acabou aqui dentro.
-Foi muita ousadia! – exclamou Rony, crispando os lábios. – Quem esse maluco, ou maluca, pensa que é? Cometer um crime bárbaro daquele debaixo das barbas do Dumbledore!
-Tem razão, Rony – disse Hermione. – Se até Voldemort teme Dumbledore. Esse assassino deve ser muito corajoso! – e, virando-se para Harry, que mantinha os olhos fixos no vazio, perguntou: - O que você acha sobre tudo isso, Harry?
Harry finalmente virou-se para os amigos, olhando para cada um deles. Tinha as sobrancelhas franzidas e um ar de dúvida no olhar.
-Por que “M.E.”? – disse ele.
Rony e Hermione se entreolharam.
-Como assim, Harry? – perguntou Hermione, sem compreender nada.
-Ah, desculpem, esqueci que vocês não viram... Deixe-me explicar: debaixo do corpo da Pansy, escrito com o próprio sangue dela, estavam escritas duas letras, uma espécie de sigla, provavelmente as iniciais de um nome: “M.E.”...
-E você acha que isso significa alguma coisa importante? – perguntou Rony, já com expressão de horror estampada no rosto.
-Claro que sim, Rony! Só pode.
-Não pode não, Harry – contrariou Hermione. – O assassino não seria tão estúpido capaz de deixar as próprias iniciais embaixo do corpo da vítima.
-Acho que ela tem razão, Harry – concordou Rony.
Harry se levantou da poltrona confortável em que estava sentado.
-Mas, se não fosse as iniciais de um nome, o que significaria “M.E.”?
-Sei lá – disse Rony. – Talvez “Morte à Escola”, ou “Mago Endoidado”.
Harry e Hermione lançaram-lhe olhares de censura. Em seguida, a garota virou-se novamente para Harry.
-Então, Harry, esqueça a idéia de que sejam inicias – finalizou ela. – “M.E.” pode ser qualquer coisa, menos isso. Gaste seu tempo preocupando-se com coisas mais importantes, como os deveres que estão atrasados. Vale mais a pena.
Harry abriu um sorriso.
-Tem razão, Mione. Vou tentar esquecer isso.
Naquele momento, Gina Weasley entrou correndo na sala comunal da Grifinória. Rony cruzou os braços, desaprovando a presença da irmã.
-Gina, o que é que você está fazendo aqui? – perguntou para a irmã. – Que eu saiba você está em aula agora.
-Eu só dei uma saidinha, Rony. Como soube que vocês tinham sido dispensados da aula do Snape, vim correndo para cá, pra saber se os rumores são verdadeiros.
Rony deu um longo suspiro.
-Sim, se é o rumor de que Pansy Parkinson foi encontrada morta na sala de Poções, ele é altamente verdadeiro – confirmou Rony.
Gina soltou uma exclamação de pavor e levou a mão à boca. Talvez para descontrair o ambiente, Harry sorriu e disse para a menina:
-Oi, Gina!
Gina olhou para o garoto. Antigamente, o rubor tomava conta do rosto da menina ao se deparar com aqueles olhos verdes. Agora, ela o encarava normalmente, embora algumas pontadas fortes em seu peito confirmassem a tese de que “o primeiro amor a gente nunca esquece”.
-Oi, Harry – murmurou ela, sorrindo.
-Então Gina... – começou Mione, sorridente. – O que você disse para a Professora Jane te deixar sair?
-Eu menti pra ela. Disse que tinha que pegar o livro “Defesa e Proteção contra Lobisomens”, e ela me liberou.
-Francamente, não sei como você conseguiu – argumentou Rony. – Aquela malvada não costuma deixar ninguém sair da sala, nem se estiver doente.
-Pois é, eu também estranhei – respondeu Gina, tentando evitar olhar para o garoto de olhos verdes que a encarava. – Vai ver ela acordou com bom humor hoje.
-Não consigo imaginar aquela cobra bem-humorada – retrucou Hermione, deixando claro sua raiva da professora. – Como Dumbledore pode escolher uma lambisgóia daquela para nos dar aula? Se bem que, depois da Umbridge, eu não duvido de mais nada...
-Professor de Defesa contra as Artes das Trevas é um cargo raro, Mione – disse Gina. – Ninguém quer dar mais aulas dessa matéria. Devemos agradecer por termos essa professora, mesmo que ela não seja um exemplo de pessoa amigável. Bom, agora acho que tenho que voltar pra aula dela. Vai que ela muda de humor de uma hora pra outra e volta com o típico veneno.
Harry, Rony e Hermione riram.
-Até mais – disse Gina, saindo apressada.
Quando a menina passou pela passagem e o retrato se fechou, Hermione olhou decidida para Harry.
-Ela continua apaixonada por você. Será que você nunca vai cair na realidade de que ela te ama?
-Como pode dizer isso? Ela... Ela já me esqueceu.Namorou com Miguel Córner, e atualmente anda saindo com o Dino Thomas. E eu também... Tive aquele rolo com a Cho no ano passado... Eu e a Gina tomamos rumos diferentes, e, aliás, eu sempre senti apenas amizade por ela.
-Ela quer mais do que sua amizade, Harry – falou Hermione, aproximando-se do amigo. – Nunca te passou pela cabeça que, talvez, ela tenha saído com Miguel e Dino apenas como uma forma de fuga? É, uma forma de te esquecer...
-Não acredito nisso – disse Harry com veemência. – Uma prova de que ela não gosta mais de mim é que ela tem coragem de falar comigo agora. Se ela gostasse, iria corar feito um pimentão, como fazia antigamente.
Hermione passou a mão pelos longos cabelos.
-Você realmente não entende nada de mulheres, Harry. Gina já é uma mulher, ela cresceu. A personalidade das pessoas muda com o tempo.
-Como você pode entender tão bem sobre tudo isso? Como pode ter tanta certeza que ela gosta de mim? Olha, vamos fazer outra coisa que é melhor do que ficarmos conversando lorotas sobre amor.
– Se você não tiver coragem de falar que não a ama, pode deixar comigo. Eu falo.
Harry inquietou-se, nervoso.
-Já chega, Mione! Se você quiser evitar uma briga, mude de assunto por favor!
-Bom, agora temos que ir – falou Hermione, apanhando o material. – A aula de Herbologia começa daqui a pouco.
Pegaram suas coisas e saíram da sala comunal, em silêncio..Rony e Hermione já conheciam o mau humor de Harry, então preferiram ficar não abrir a boca, para evitar os berros do garoto.
* * *
Harry, Rony e Hermione se surpreenderam com a excitação que corria pela escola. Nos corredores, não se falava em outra coisa que não fosse a Marca Negra e a morte misteriosa de Pansy Parkinson. No entanto, poucas pessoas levaram em conta aquele “M.E.” embaixo do corpo. E ninguém estava tão intrigado com aquelas duas letras quanto Harry.
Hermione tentou convence-lo de que aquilo não significava nada, mas Harry lembrava muito bem os contos de mistério que lia na casa dos Dursley. Quando um assassino deixa algo escrito na cena do crime, deve-se levar a sério, pois pode ser uma pista importante. Mesmo com os pensamentos maquinando na cabeça, Harry resolveu ficar calado. Já havia enchido os amigos com suas interrogações sobre o significado do “M.E.”.
Na hora do almoço, quando se dirigiam para o Salão Principal, os três passaram por três alunos da Corvinal, reunidos em círculo. Como todos os alunos, conversavam sobre a morte misteriosa de Pansy Parkinson. Harry, Rony e Hermione iam passando normalmente, sem levarem em conta a conversa, que parecia ser igual a de tantos outros grupinhos de alunos. Até que um deles proferiu a seguinte frase:
-É uma lenda. Mas, para mim, aquele “M.E.” são as iniciais do nome dele.
Harry parou abruptamente, puxando Rony e Hermione para a parede. Postaram-se ao lado do outro grupinho. Rony e Hermione não entendiam o que Harry estava fazendo. Na hora que Rony abriu a boca para perguntar, Harry levou a mão aos lábios e pediu silêncio, apurando os ouvidos em seguida.
-Francamente, isso é uma lenda, Christian, todo mundo sabe disso – resmungou uma voz feminina, estridente.
Harry olhou discretamente para o grupo.
Era formado por duas meninas e dois meninos. Deviam ser alunos da terceira série. Christian estava encostado na parede, com os braços cruzados. Olhava seriamente para cada um dos outros. Era um garoto um pouco alto, de cabelos claros e encaracolados, com grandes olhos negros. O outro garoto estava bem ao lado de Christian. Tinha grandes olhos azuis, era magro e um pouco mais baixo do que o colega. A garota de voz estridente estava bem na frente de Christian. Tinha lindos cabelos dourados, em forma de trancinhas. Era a mais alta do grupo e tinha um corpo esbelto. A outra menina estava do outro lado de Christian, fechando a roda. Possuía traços levemente orientais e um longo cabelo escuro.
-Vocês não vão acreditar mesmo, não é? – perguntou Christian nervosamente.
A oriental mexeu-se, inquieta.
-Sabe o que é, Christian? É que é muito difícil acreditar que ele tenha existido mesmo.
-Eu posso te afirmar que ele existiu! – insistiu Christian.
-Será mesmo, Chris? – perguntou a oriental. – Que eu saiba, o nome dele está no livro “Lendas do Mundo Mágico”. Isso já deixa bem claro que ele é uma lenda!
-Não, Yumi – respondeu Chris. – Ele existiu, sim.
-Mas, se o nome dele está no livro de lendas, não acredito que ele tenha existido – falou o outro garoto.
-James, nada me tira da cabeça que quem matou aquela aluna da Sonserina foi ele – insistiu Chris. – Tudo indica que seja ele!
-Pode ter sido um aluno de Hogwarts – disse a de voz estridente. – É o mais provável.
-Laurie, não é ninguém de Hogwarts. Só pode ser ele. Ou você esqueceu que a Marca Negra pairou na escola ontem pela madrugada? Isso está nos jornais! Foi comprovado. Só ele poderia estar aqui dentro e conjurar a Marca Negra. E, aliás, nenhum aluno de Hogwarts deixaria as iniciais do nome debaixo do corpo da aluna.
-Olha, eu desisto de discutir com você, Chris – retrucou Laurie, e, virando-se para os outros dois, disse: - Vamos almoçar. Deixe-o aí com essas idéias malucas na cabeça.
Laurie, Yumi e James viraram-se e se encaminharam para o Salão Principal. Harry observou Christian, que se virou e subiu a escadaria de mármore, às pressas.
Harry quase parou o garoto e perguntou quem era o “ele” que eles tanto se referiam. Afinal, aquele “ele” era a resposta para as inicias “M.E.” escritas a sangue.
Harry ficou pensativo por alguns instantes. Quando voltou a si, Rony e Hermione olhavam atentamente para o rosto dele, com feições nada amigáveis.
-E então, será que pode nos explicar o por que disso tudo? – perguntou Hermione.
-O por que? Do que?
-Como do que? – disse Hermione, ríspida. – Dessa parada abrupta aqui.
-Será que vocês não ouviram?
-Ouvimos o que? – perguntaram Rony e Hermione em coro.
-A conversa dos alunos da Corvinal aqui do lado?
-Claro que não! – exclamou Rony. – Eu não costumo ouvir a conversa dos outros. Isso é falta de educação, e...
-Quieto, Rony! – pediu Harry. – Eles estavam falando sobre aquelas duas letras que eu disse para vocês...
-Ah! – disse Hermione, em tom de desprezo. – “M.E.”
-Pois é – respondeu Harry. – Um dos garotos estava dizendo que essas iniciais são de alguém.
-Algum aluno de Hogwarts? – perguntou Rony.
-Não, Rony, seu tonto! – exclamou Harry. – As iniciais de alguém que é considerado uma lenda. Algum bruxo que é capaz de conjurar a Marca Negra. Porém, nenhum dos colegas do garoto acreditou nele, pois disseram ser apenas uma lenda.
Hermione pareceu ter um leve sobressalto. Depois, disse rapidamente:
-Então deve ser mesmo, Harry! Apenas uma lenda. Lendas não existem, não é? Olha, acho melhor irmos almoçar, senão irá passar da hora.
A menina puxou inquieta os dois amigos, em direção ao Salão Principal.
Harry se desvencilhou e olhou atentamente para a amiga, franzindo levemente as sobrancelhas.
-Hermione, você parece nervosa... Está me escondendo alguma coisa?
-Eu? – perguntou Hermione, balbuciando. – Ora, eu... Não estou escondendo nada, Harry... Imagina! Por que faria isso?
-Talvez porque sabe quem é “M.E.” e não quer que eu saiba! – disse Harry, decidido.
Rony olhou abismado para a amiga.
-Mione... você é “M.E.”?
-Cala a boca, Rony! – retrucou Harry. – Eu não quis dizer isso. Mas tenho a impressão que ela sabe quem é e não quer me falar.
-Eu não sei de nada, Harry – falou Mione, coma voz suave. – Acredite em mim.
-Se você estiver mentindo pra mim, não vai adiantar, Mione, pois eu vou agora mesmo para a biblioteca, pesquisar sobre quem é “M.E.”.
Harry virou-se. Mione tentou puxa-lo pelas vestes.
-Pra que perder tempo com isso, Harry? Pra que?
Harry soltou-se e disparou em direção a biblioteca. Rony acalmou Hermione, abraçando-a e caminhando junto à garota para o Salão Principal, resolvendo não perguntar nada para a menina.
Quando irromperam pela porta do Salão Principal, os comentários maldosos pipocaram. Rony olhou para a mesa da Sonserina e viu Draco Malfoy e Kevin Wallace soltando murmúrios e risadinhas. Crabbe e Goyle faziam a mesma coisa.
Antes de sentarem, Úrsula, uma quartanista da Grifinória, se aproximou.
-Por que Mione está assim? – perguntou ela, com voz doce. – Aconteceu alguma coisa?
-Não é nada não, Úrsula – respondeu Rony. – Ela brigou com o Harry, é isso.
-Ah! – murmurou a garota, que tinha o rosto tão angelical quanto uma boneca de porcelana. – E por acaso a Mione e o Harry estão namorando?
-Claro que não – respondeu Rony, olhando para a amiga, que estava quieta ao seu lado. – Foi briga de amigos, só isso.
-Ah, então está bem – falou Úrsula. – É melhor ela se sentar para relaxar um pouco.
Rony e Hermione sentaram-se. Úrsula se sentou ao lado de Rony.
-O almoço hoje está uma delícia – comentou ela. – A sobremesa então, vai te deixar feliz, Rony. É torta de chocolate, daquelas bem recheadas, que eu sei que você adora. Aliás, é bom a Mione comer a dela também. Chocolate melhora os ânimos de todo mundo.
Hermione e Rony começaram a se servir. Úrsula já tinha almoçado, mas permaneceu lá, fazendo uma lição, que Rony teve a ligeira impressão de que não precisava ser feita naquele momento.
Hermione permaneceu calada. Num momento, Rony olhou para a amiga e pensou:
“Fica ainda mais bonita quando está triste... Mas... Por que ela ficou tão irritada com a ida de Harry à biblioteca? Por que?”.
Rony tentou esquecer, balançando os ombros levemente e voltando a saborear o seu almoço.
Comentários (0)
Não há comentários. Seja o primeiro!