Morte em Hogwarts



O sol já havia nascido. Não fora suficiente para melhor o tempo, mas já dera uma aliviada na madrugada friorenta.
Todos ainda dormiam tranqüilos em seus dormitórios, e nunca poderiam imaginar a visão medonha que tomava conta de uma das salas de aula.
Ninguém podia imaginar o cheiro nauseante e o cenário triste que predominava em uma das salas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
O cheiro era capaz de revirar o estômago da pessoa mais sangue-frio do planeta. Mas a pessoa não sentira absolutamente nenhuma pontada de dó ao cometer o ato terrível.
A poça de sangue era imensa, e cobria grande parte do chão da sala, fazendo contorno pelas carteiras e pela mesa do professor.
Uma cena assustadora. Quem visse, diria que foi uma pessoa sem alma que tinha feito aquela barbaridade.
Mas não.
Era alguém com alma. Uma alma que estava em outro corpo. A única pessoa daquela escola que conseguiria matar e ter tamanho sangue frio era Michael Evans.

* * *

Naquela manhã de primeiro de novembro, o jovem Harry Potter acordou com uma brisa fresca invadindo seu corpo. Abriu os olhos lentamente e apanhou os óculos na mesa-de-cabeceira. Espreguiçou –se gostosamente e pulou da cama.
Realmente ele tinha que reconhecer que o clima daquela manhã estava muito mais agradável do que o da noite do Dia das Bruxas, que havia sido tomada de uma onda enorme de frio. Ainda bocejando, o garoto tirou o pijama e vestiu-se para mais um dia letivo.
Aquele sexto ano estava sendo muito mais calmo do que o ano anterior. Harry se dedicava as matérias necessárias para se formar em auror, e estava decidido a se dedicar ao máximo. Depois da morte de seu padrinho, no ano anterior, o que Harry mais queria era poder eliminar o maior número de bruxos das Trevas. A raiva florescia em seu peito, e um rosto em particular era a mira de seu desejo de vingança: Belatriz Lestrange.
Harry suspirou, tentado conter o fervor de ódio decorrente da lembrança de Belatriz. Olhou em volta e reparou que os amigos ainda estavam dormindo. Não era de se estranhar. Afinal, a festa do Dia das Bruxas tinha rolado até tarde, e muitos foram se deitar pelas altas horas da madrugada.
O garoto dirigiu-se até a cama do seu melhor amigo, Rony Weasley, e deu três cutucões rápidos no amigo. Rony despertou no terceiro cutucão de Harry e, após um esforço que pareceu enorme, abriu os olhos e encarou o individuo que tinha atrapalhado seu sono.
-Que droga, Harry! – reclamou o garoto com voz pastosa. – Cisma de acordar cedo e quer atrapalhar o sono dos outros, é?
Harry não conteve um sorriso.
-Deixa de ser preguiçoso, Rony! Já passou da hora de nós acordarmos. Você só está cansado desse jeito porque todo mundo foi dormir tarde ontem.
-Tudo bem, vou me levantar – disse ele, esfregando os olhos que teimavam em fechar.
Rony se trocou rapidamente. Em poucos minutos, ele e Rony saíram do dormitório. Passaram pela sala comunal, que estava praticamente vazia, exceto pelo dorminhoco Bichento, que descansava perto da lareira.
Quando passaram pelo buraco do retrato, depararam-se com Hermione, que lhes lançava um olhar de pura censura.
-Meninos, isso é hora de vocês acordarem? – disse ela, com um ameaçador tom de reprovação na voz. – Já está quase na hora da primeira aula. Até parece que esquecem da importância que o sexto ano tem! Assim como o sétimo, estaremos nos encaminhando para a vida profissional que nos espera lá fora.
-Claro que não esquecemos, Mione! – reclamou Rony. –Só perdemos a hora.
Hermione continuou fuzilando-os com o olhar. Harry pensou que o sermão continuaria, mas, surpreendentemente, Hermione calou-se. Harry estranhou o comportamento da amiga.
-Hermione, está tudo bem com você? – perguntou Harry, desconfiado.
Hermione olhou-o sem compreender a pergunta.
-Eu estou bem, Harry! Estou bem, sim... Melhor impossível! – balbuciou ela, tropeçando nas palavras.
Harry manteve as sobrancelhas franzidas. Hermione pareceu sentir-se inquieta com o olhar do colega, pois logo tratou de colocar a mão nos bolso das vestes, apanhando dois bolinhos de chocolate para Harry e Rony.
-Como eu soube que não ia dar tempo de tomarem o café da manhã, eu trouxe esses docinhos para vocês.
Rony pegou o bolinho rapidamente. Harry hesitou um pouco, ainda indiferente à atitude de Hermione, mas logo balançou os ombros e pegou o doce que a amiga havia trazido.
-É melhor vocês irem comendo enquanto formos para a sala – disse Hermione. – A primeira aula é do Snape e vocês sabem como ele fica furioso quando a gente se atrasa.
-Havia esquecido que a primeira aula era daquele chato! – reclamou Harry, com a boca cheia de bolinho.
-E pode ir se preparando, que ainda tem aula da Miss Reynolds, a nossa chatíssima professora de Defesa contra as Artes das Trevas.
-Ah, parem de falar desses professores! – pediu Rony, de boca cheia, com a mão na barriga. – Só de menciona-los vocês já me causam indigestão.
Harry e Hermione riram. O caminho até as masmorras foi tranqüilo. Não havia tumulto em nenhum corredor da escola, e Harry imaginava quantos alunos se atrasariam para as aulas.
Quando estavam próximos da masmorra, Harry, Rony e Hermione encontraram as pessoas que menos desejavam ver naquela manhã. Draco Malfoy aparecia, acompanhado dos igualmente indesejados Crabbe, Goyle e do novato Kevin Wallace, um garoto arrogante e desprezível, que fora transferido de Beauxbatons para Hogwarts e rapidamente se infiltrara na turma de Draco.
-Olha quem está por aqui! – começou Draco, com seu tom de voz mais arrogante. – O famoso menino-que-sobreviveu, a sangue-ruim mais inteligente da escola e o aluno mais pobre de Hogwarts!
Rony fechou o punho e já ia avançando para cima de Malfoy. Harry segurou o amigo pelas vestes.
-Não vale a pena ficar nervoso diante de pessoas tão insignificantes, Rony – ironizou Harry.
Draco sorriu maliciosamente.
-O que deu em você, Potter, para estar tão calmo assim? – perguntou Malfoy. – Nem parece o mesmo. Ou será que, de repente, aprendeu a me respeitar?
Kevin era um garoto alto, de cabelos muito negros e pele pálida. Os Wallace era uma família muito rica, assim como os Malfoy. Assim, Kevin desfrutava de materiais da melhor qualidade e de uma arrogância que se comparava a de Draco Malfoy.
-Já leu as notícias da manhã, Potter? – disse ele, com um sorriso torto. – Às vezes é por isso que você está tão estranho, não é? Afinal, você pode perder o titulo de “menino-que-sobreviveu” muito em breve, não é?
Harry franziu as sobrancelhas.
-Do que está falando?
Kevin deu uma gargalhada escandalosa, colocou as mãos dentro do bolso das vestes e pegou um jornal amassado.
-Leia você mesmo, Potter! – exclamou ele, sorrindo, passando um exemplar do Profeta Diário para Harry.
Harry ajeitou os óculos e começou a ler a matéria do jornal:

AS FORÇAS DAQUELE-QUE-NÃO-PODE-SER-NOMEADO COMEÇAM A AVANÇAR

O mundo mágico começa a entrar em pânico. Ontem, pela madrugada, a Marca Negra voltou a pairar nos céus. O local do aparecimento foi nas proximidades da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Segundo testemunhas, a Marca Negra apareceu com força total, assim como o incidente na Copa Mundial de Quadribol, há dois anos atrás.
A direção da escola não comunicou nem deu nenhuma declaração sobre o ocorrido. Estima-se que Voldemort tenha a intenção de invadir Hogwarts. Todos nós temos profundo conhecimento de que o maior inimigo do Lorde é Harry Potter. Talvez Você-Sabe-Quem queira se vingar do garoto.
O Ministro da Magia, Cornélio Fudge, não quis declarar nada sobre o ocorrido e limitou-se a afirmar que todos em Hogwarts passam bem e que os alunos nem perceberam o que aconteceu nesta madrugada.
Enquanto isso, os prisioneiros da fortaleza de Azkaban escaparam na tarde de ontem. Muitos deles são Comensais da Morte. Seguindo as piores estimativas, Voldemort conseguiu reunir novamente seu exército de seguidores.


Harry estava boquiaberto quando terminou de ler. Olhou para Rony e Hermione, que estavam tão assustados quanto ele, e depois olhou para Draco, Kevin, Crabbe e Goyle.
-É só uma questão de tempo, Potter, e você será eliminado definitivamente da face da Terra – debochou Draco, pegando com furor a página do jornal das mãos do garoto e guardando no bolso. – E, lembra-se do que eu lhe disse sobre o meu pai no final do ano passado. Eu realmente estava certo, Potter. Agora, ele está livre.
-Logo o seu óbito estará em destaque na primeira página, Potter – falou Kevin, antes do quarteto começar a caminhar em direção a sala de Snape, gargalhando bem alto.
-Não posso acreditar nisso – exclamou Harry, passando a mão pelos cabelos. – A Marca Negra pairando sobre Hogwarts. O que será que isso quer dizer?
-Devem ter forças das trevas agindo aqui dentro, Harry – murmurou Mione, com a voz fraca. – A Marca Negra não ia aparecer sem mais nem menos.
Depois de alguns segundos de silêncio, os três retomaram a caminhada.
-Mas, se tiver algum servo de Você-Sabe-Quem aqui na escola, ele não vai te matar, vai?
-Se tiver alguém aqui, Rony, a primeira coisa que vai querer e me matar. Vai querer fazer o que Voldemort não conseguiu fazer até agora.
No resto do caminho, eles não trocaram sequer uma palavra. Chegaram as masmorras bem em cima da hora. Mal tinham se aproximado e Snape apareceu, andando apressado.
O professor abriu a porta da sala e entrou, seguido dos alunos da Sonserina e da Grifinória.
Harry, Rony e Hermione tinham acabado de entrar na sala quando ouviram uma exclamação assustada do professor:
-Meu Deus, o que é isso?
Algumas garotas deram gritos de pavor. Harry e os amigos não estavam entendo nada daquele rebuliço.
-Mas o que... – começou Harry, mas não teve como terminar.
Hermione gritou. Rony teve uma leve tontura. Harry, embora apavorado, manteve os olhos fixos no que estava vendo.
O chão da sala estava encharcado de sangue. Alguns cantos da parede tinham ganhado um tom vermelho. Pendurada na parede estava Pansy Parkinson.
O corpo, banhado de sangue, estava pendurado por um gancho afiadíssimo, usado pelo professor para pendurar as vestes. O gancho atravessava o pescoço da menina, que jazia com os olhos arregalados, abertos, o que deixava a visão ainda mais medonha.
-Minha nossa! – continuou a exclamar o professor Snape. – Por favor, alunos, vamos saindo! Vocês não podem ficar nesta sala.
Snape nem precisou pedir muito para os alunos saírem. O único que parecia imóvel, preso àquela cena bizarra, era Harry. Snape se aproximou do menino, tentando evitar olhar para o corpo de Pansy. Com um puxão, tirou Harry de onde estava.
-Vamos, Potter, não faz bem para ninguém olhar para isso – disse ele.
Harry acabou sendo tirado da sala. Enquanto saía, o garoto não deixou de olhar para trás, a ponto de ver, ao lado do corpo, escrito com o sangue da própria Pansy, as iniciais:
“M. E.”

* * *

Numa velha casa, um homem estava sentado numa poltrona, próximo a lareira. Conversava animadamente com uma cobra.
Embora qualquer pessoa que entrasse ali não pudesse entender nada, o tom gélido da voz já indicava que coisas sinistras estavam sendo conversadas ali.
O homem segurava um exemplar de jornal nas mãos e exibia um grande sorriso.
-É, finalmente, Nagini, um de nós conseguiu se infiltrar com sucesso em Hogwarts.
-Sim, Mestre – sibilou a cobra, fazendo movimentos circulares ao redor da poltrona do Lord.
-A melhor coisa que fiz foi ter lançado aquela maldição naquele amuleto. Mas nunca pude imaginar que daria tão certo quanto está dando! Afinal, nenhum dos meus servos conseguiria se infiltrar tão facilmente naquela escola, exceto ele, Nagini...
Voldemort olhou bem nos olhos da cobra, que faiscavam devido à luz da lareira.
-Michael Evans vai acabar com Harry Potter, Nagini. E vai levar o medo para aquela escola. E todos temerão o meu nome novamente.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.