A História de Hagrid



Harry e Gina voltaram para a escola na noite do domingo e foram escoltados pelo Diretor até a Sala Comunal da Grifinória. Hermione, única que ainda estava numa das mesas, estudando para os exames, levantou-se para recebê-los, olhando diretamente para as manchas leves que os dois traziam, um feitiço simples que Dumbledore havia feito, para evitar suspeitas.


Com um girar de varinha, a garota fez com que as manchas sumissem, e perguntou como eles estavam se sentindo. Harry disse que estavam bem e perguntou-lhe o que tinha acontecido na escola, enquanto eles estavam fora.


– Ah, Harry... Madame Pomfrey surtou, sabe? Ela fez com que todo mundo na escola tomasse vacina para varíola de dragão e ainda deixou todos os que tiveram contato com vocês naquele dia de quarentena por um dia! Quase fiquei louca, por ter perdido as aulas de quarta! – Harry riu. – Mas ninguém ainda sabe como vocês foram infectados, há alguns rumores que possa ter sido pra desfalcar o time de quadribol, mas vocês já jogaram contra a Sonserina e a Lufa-Lufa, e não acho que alguém da Corvinal teria sido capaz de ter feito isso...


– Mas se ficássemos desfalcados e perdêssemos a última partida, talvez a Sonserina não ficasse na lanterna do campeonato... – Harry tentou dar credibilidade à teoria, tirando o foco de cima deles.


Levando adiante o combinado de fingirem não ter nada um com o outro, Gina bocejou, levantou-se e começou a se despedir de ambos, dizendo que estava cansada, mal olhando para Harry.


– Só um minuto, Gina. – Harry se levantou, deu olhada na sala e nas escadas, deixando as garotas sentadas à mesa com os livros de Hermione. – Mione, tive uma conversa com o Professor Dumbledore e queria muito conversar com todos, no lugar de sempre, amanhã à noite. – sussurrou. – Você pode avisar ao pessoal?


Hermione concordou e acompanhou com o olhar Gina, que se levantou e subiu para o quarto, após se despedir secamente de Harry.


– Sério, eu nunca pensei que vocês fossem ficar assim, Harry... Tive esperanças que esse período que vocês ficaram fora os aproximassem...


– Olhe, nem se quiséssemos poderíamos ter nos aproximado, só nos vimos naquela noite e hoje, quando voltamos, pois nos deixaram isolados em nossos quartos.... E essa história já foi, Mione! – concluiu, despedindo-se e deixando uma rara Hermione sem palavras, na mesa.


* * * * * * * * *


Após o jantar, Harry seguiu, conforme haviam combinado, discretamente para a Sala Precisa. Ao abrir a porta, surpreendeu-se com a presença de Tonks e de Lupin, pois não tinha se lembrado de chamá-los, e agradeceu à Mione por tê-lo feito. Além dos dois adultos, Gina, Hermione e Rony já estavam ao redor da mesa circular projetada pela sala e, em pouco tempo, Neville e Luna cruzaram a porta e puderam iniciar a conversa.


Harry lhes contou tudo o que podia: sobre as Horcruxes e, mais recentemente, sobre o que Dumbledore havia lhe contado sobre a Câmara Secreta, inclusive que tinha sido aberta enquanto Tom Riddle estava na escola, mas que Hagrid havia sido considerado culpado.


– Eu sempre achei que essa história de Câmara Secreta tinha sido uma lenda na escola, Harry! Na época em que estudava aqui, ouvia muitos rumores sobre isso, mas nunca achamos nenhum indício de veracidade nisso. – observou o professor.


– Meu pai também achou muito estranho, mas Dumbledore acredita que haja algo escondido por lá, provavelmente uma das primeiras Horcruxes que ele tinha criado... – continuou o garoto. – Já achamos o anel e o medalhão de Slytherin, a taça de Helga Hufflepuff e um diário enfeitiçado, que Gina entregou ao diretor, no primeiro ano dela aqui. – os olhares dos amigos se voltaram para ela.


– Eu fiquei muito desconfiada quando esse diário apareceu no meio dos meus livros, especialmente depois do papai ter brigado com o Sr. Malfoy na Floreios e Borrões, vocês se lembram disso – comentou, virando-se para Rony e Hermione.


– Será que o Dobby sabe de alguma coisa sobre esse diário? – Hermione perguntou.


Harry percebeu que nunca havia perguntado nada sobre este assunto para o elfo. Quando se conheceram, Dobby estava tão assustado que essa questão foi varrida da sua cabeça, até aquele momento. O garoto o chamou, que apareceu com um estalo, no meio da sala.


– Harry Potter, meu senhor!


– Dobby, desculpe chamá-lo assim, sem aviso, mas precisamos da sua ajuda!


– Dobby quer ajudar Harry Potter! O que Dobby precisa fazer? É só ordenar!


– Dobby, quando você trabalhava na casa dos Malfoy – as orelhas do elfo murcharam, ao ouvir o nome dos antigos donos. –, você, alguma vez, ouviu falar na Câmara Secreta?


Se possível, os olhos já enormes do elfo ficaram ainda maiores, ele tentava abrir a boca para falar, mas, ao emitir o primeiro som, virou-se para a parede e começou a bater a cabeça com força, contra ela.


– Dobby mau! Dobby mau! – repetia, esganiçadamente, enquanto Hermione suplicava que parasse.


– Dobby! Eu te proíbo de se machucar! Acalme-se! – Harry foi enfático.


O elfo escorregou para o chão, exausto e com o semblante assustado, com as mãos segurando firmemente a boca.


– Dobby, você foi proibido de falar neste assunto? – Mione perguntou-lhe, num fio de voz, tentando se manter calma.


O elfo meneou a cabeça, concordando. Os garotos se entreolharam, e Lupin tomou a frente.


– Dobby, não se preocupe, você não precisa falar nada. Nós vamos te fazer algumas perguntas e você só vai sacudir a cabeça, concordando ou discordando, pode ser? – o elfo concordou, tremendo um pouco.


Para Harry, ficou óbvio que Dobby sabia de algo da Câmara Secreta, pela maneira como reagiu à sua pergunta. O garoto se abaixou, tentando ficar na mesma altura do elfo, e perguntou, com suavidade:


– Dobby, a Câmara Secreta existe mesmo? – o elfo concordou, pressuroso. – Você sabe onde ela fica? – ele fez que não. – E ela já foi aberta? – outra concordância. – E foi aberta recentemente? – ele meneou a cabeça, discordando e olhando para Gina. – Era para ela ter sido aberta há seis anos? – ele concordou mais uma vez, e tentou cobrir os olhos com as mãos, aterrorizado.


– Harry, pare! Você tá assustando ele! – Gina interveio, segurando o ombro do garoto e também se abaixando. – Está tudo bem, Dobby! Você não fez nada errado, você é um elfo valoroso e corajoso! Muito obrigada pela ajuda! – completou, fazendo um carinho, de leve, na sua cabeça, acalmando-o.


– Dobby, desculpe por te pedir isso, mas você acha que seria possível tentar descobrir, com os elfos domésticos mais antigos, discretamente, onde poderia ser a entrada da Câmara? – Dobby tirou as mãos dos olhos e encarou Harry. – Qualquer pista já me ajudaria, Dobby! É muito importante!


– E você não precisa ir até lá, Dobby, fique tranquilo! – Gina complementou.


– Dobby não precisa entrar na Câmara?


– Claro que não! Eu só preciso de uma indicação de onde possa ser, pra poder chegar até lá!


– Mas é muito perigoso, Harry Potter! Há um monstro que habita a Câmara! Dobby não quer que Harry Potter se machuque! – e voltou a chorar.


– Dobby, eu agradeço a sua preocupação, mas não estarei sozinho e prometo que não vou me machucar! – Harry sabia que não podia prometer isso, que seria algo extremamente perigoso se realmente precisasse chegar até lá, mas Dobby se tranquilizou com a promessa.


– Dobby vai tentar, Harry Potter! Dobby vai tentar descobrir onde pode ser a Câmara Secreta!


Harry sorriu, aliviado, e agradeceu ao elfo, que se despediu ainda com os olhos marejados e desaparatou, num estalo.


– O que eu não entendi é por que ele não pôde falar dos planos dos Malfoy... Ele não pertence mais àquela quadrilha! – Ron perguntou.


– Rony, os elfos domésticos são presos a laços muito antigos com os seus donos, mesmo que se tornem livres, não conseguem de pronto contrariar a uma ordem diretamente feita a ele. Aparentemente, Lúcio foi taxativo com esse assunto... – Lupin explicou. – Mas Harry, Dumbledore imagina o que pode ser esta Horcrux perdida?


– Professor, ele desconfia de que possa ser algo de algum dos outros fundadores de Hogwarts...


– Ah, ele deve estar pensando no diadema perdido de Rowena Ravenclaw, então! – Luna concluiu, daquele seu jeito meio sonhador.


Tonks deu uma risadinha, Lupin encarou Luna, incrédulo, e os demais da Grifinória não entenderam a reação dos mais velhos.


– Luna, todos sabem que o diadema perdido é apenas uma lenda, como muitas que existem nesta escola... – argumentou em tom didático, Lupin.


– Não é uma lenda! No busto de Rowena Ravenclaw que fica na nossa sala comunal, o diadema está representado! É um objeto mágico muito poderoso, dizem que aguçaria a inteligência de quem a usasse e...


– É apenas uma lenda, Luna! Não há notícias da existência deste artefato nos últimos séculos... Como Voldemort poderia encontrá-la, quando tantos antes tentaram, sem sucesso? – Tonks observou.


– Acho que não nos cabe supor do que Voldemort seria capaz de fazer... Vindo dele, eu não duvido de nada! – Harry conjecturou. – Luna, você acha que seria possível me levar até a sala comunal da Corvinal, para que eu pudesse dar uma olhada nessa tiara?


Luna concordou, com dignidade, e aguardou que todos se despedissem e se prontificassem a fazer pesquisas e se manterem de olhos abertos, e depois seguiu com Harry, este devidamente coberto pela capa da invisibilidade, rumo à sala comunal da Corvinal.


* * * * * * * * *


Harry, Hermione, Rony e Neville resolveram utilizar um dos poucos horários livres que tinham de dia, durante a semana, para irem à casa de Hagrid. Ao chegarem à cabana do guarda-caça, ele reclamou, daquele seu jeito falastrão, de que os meninos raramente o visitavam, mas os ofereceu, de bom grado uma xícara de chá.


Enquanto os quatro se sentavam ao redor da grande mesa, Hagrid pegou o seu guarda-chuva florido e fez um movimento para as toras de madeira dentro do seu fogão a lenha, acendendo o fogo para a chaleira, perguntando aos garotos sobre os planos para quando terminassem a escola, dali a pouco mais de um mês.


Os garotos comentaram que estavam cheios de aulas de revisão, uma preparação pesada para os NIEMs, que estavam chegando, e que queriam aproveitar aquele momento para se esquecerem um pouco das provas.


– Acho que eu nunca teria passado nestes exames, mesmo... Nunca fui bom aluno! – Hagrid comentou, rindo.


– E por que você foi expulso de Hogwarts, Hagrid? – Hermione perguntou, diretamente, fazendo com que o guarda-caça soltasse a chaleira a meio caminho do fogo.


Harry tentou fazer com que a amiga calasse a boca, enquanto Hagrid se abaixava e demorava mais do que o necessário para recolher a chaleira e sua tampa.


– Desculpa, Hagrid, eu não quis tocar em um assunto delicado para você, mas o Professor Binns comentou na aula desta semana sobre a Câmara Secreta de Hogwarts, e de como ela foi aberta na época em que você estudava aqui... Você sabe como –


Hagrid levantou-se lívido, deixando a chaleira cair mais uma vez, com estrépito, e dizendo-lhes que não sabia nada sobre o assunto. Sem cerimônia alguma, colocou-os para fora da sua casa, alegando que precisava ir até a Floresta Proibida.


– Hermione, precisava ser tão direta? – Harry perguntou, furioso, enquanto se encaminhavam de volta para o castelo.


– Precisávamos saber quão receptivo ele estaria ao assunto, não é? E vai que ele contava logo? Nos pouparia tempo!


– Mas não seria óbvio que ele não ia querer tocar no assunto, se nem pro Dumbledore ele contou nada? Francamente, Hermione!


* * * * * * * * *


Harry passou os dias seguintes frustrado, tentou voltar à casa de Hagrid, mas ele nunca estava lá, Era como se o amigo soubesse dos seus horários livres e tentasse se preservar de uma nova investida.


Após um treino de quadribol particularmente puxado, naquela sexta-feira, Harry voltou a meio caminho para o castelo, alegando que havia se esquecido dos esquemas de jogadas que estavam praticando para o próximo jogo. Gina liderou o resto do time para o jantar, dando cobertura à desculpa que ele havia dado, para que pudesse ir até Hagrid tranquilamente, coberto pela sua indefectível capa.


Ao chegar na cabana, Harry percebeu que havia algo errado: Canino não foi diretamente para a para a porta, recebê-lo, apesar de o garoto entreouvir os seus ganidos, ao longe, e Hagrid também não atendeu ao seu chamado.


Harry deu a volta na cabana, e viu Hagrid recurvado, pouco depois de onde fica o pomar de abóboras gigantescas que o guarda-caça cultivava todos os anos, para o Halloween.


Harry se aproximou lentamente, tentando compreender a cena que se descortinava à sua frente: Hagrid cavava uma vala, chorando copiosamente, enquanto jazia ao seu lado uma monstruosa aranha, inegavelmente morta, mas, ainda assim, aterradora.


– Hagrid? – Harry chamou baixinho, após tirar a capa da invisibilidade.


O guarda-caça estacou, por um momento, virou-se para o garoto, e então caiu em um choro ainda mais lamurioso. Harry nunca o havia visto desse jeito, e não sabia muito o que fazer, nessa situação.


Aparentemente, o que Hagrid precisava era de alguém ao seu lado, naquele momento. Harry conjurou uma pá e se pôs a ajudar o amigo, ao seu modo, entendendo que aquele momento era extremamente pessoal.


Ambos continuaram cavando, até que Hagrid se desse por satisfeito. Saíram para, sem magia, carregar o corpo inerte da acromântula para a sua cova. Ainda fungando, o guarda-caça se guindou para fora do buraco, deixando Harry junto do corpo.


Harry ainda tentava sair do buraco sem tentar se apoiar no cadáver, quando Hagrid voltou com alguns frascos e começou a extrair um veneno viscoso das presas da gigantesca aranha, chorando e acariciando de leve o bicho, murmurando “você ia querer ajudar, não ia?”.


– Hagrid, quem é?


– É um velho amigo, Harry. O nome dele é Aragogue. – e prorrompeu em um choro convulsivo, mais uma vez.


O sol estava quase cruzando o horizonte, quando ambos saíram da vala, para prestar as exéquias a Aragogue. Harry desejou que Dumbledore estivesse ali naquele momento, ele saberia o que dizer. Então finalmente percebeu que a ausência do diretor provavelmente tinha relação com o motivo de Hagrid ter sido expulso de Hogwarts.


– Hagrid, há quanto tempo vocês se conheciam? – Harry perguntou, enquanto se encaminhavam para a cabana, após as últimas palavras de Hagrid a Aragogue.


Hagrid perdeu-se em reminiscências, enquanto entornava uma caneca de bebida quase do tamanho de um balde e servia a Harry um pouco, que aceitou, para não fazer desfeita. Contou-lhe, com indisfarçada ternura, que ganhara o ovo de aniversário do pai dele (“que Deus o tenha, nunca soube que era um ovo de acromântula!”), e que o levou para o castelo.


– E te expulsaram por acharem que Aragogue era a besta de habitava a Câmara secreta?


– Aragogue era dócil e obediente, morava em um móvel de uma sala que não era utilizada, próxima das masmorras – Hagrid começou a se justificar, tacitamente confirmando a razão da sua expulsão. – Ele gostava de frio e de escuridão, e eu garanto que ele não fez mal a ninguém na escola, nunca poderia ter matado aquela menina no banheiro, se Tom não tivesse tirado conclusões precipitadas, eu –


– Tom? Tom Riddle? – Harry interrompeu o fluxo desconexo do amigo.


– Sim, foi ele que nos denunciou! – confirmou, já meio bêbado. – Tentou matar Aragogue e eu o impedi de cometer esse assassinato, e Aragogue fugiu para a Floresta Proibida. Por conta disso, ele contou a todos que havia sido agredido por mim! Na confusão, ele não conseguiu distinguir o que Aragogue era, mas me acusou de ter incitado uma besta contra os alunos! – revoltou-se, batendo o balde vazio com força na mesa.


– E por que você não se defendeu? Por que não contou para o diretor na época? Ou para Dumbledore?


– Harry, as pessoas não aceitam bem o que não se encaixa nos padrões... E acromântulas são consideradas muito perigosas, pelo Ministério da Magia! – suspirou, cansado. – Eu era muito novo, mas já sabia, na pele, o que é ser julgado pelo que se aparenta! E eu não queria que caçassem Aragogue na floresta! E, como não houve mais nenhum ataque na escola depois que eu fui expulso, todos tiveram certeza de que eu era o culpado, mesmo... – lágrimas espessas corriam dos seus olhinhos de besouro. – Então Dumbledore lutou, assumiu a responsabilidade sobre os meus atos, e eu não quis que ele perdesse a confiança em mim, por criar uma acromântula. – assoou-se audivelmente na toalha da mesa. – Nunca tive coragem de contar pra ele, mesmo sabendo que é um grande bruxo e que provavelmente não teria me julgado... Quanto mais o tempo passava, mais eu percebia que devia ter contado pra ele e mais eu me envergonhava por não ter confiado em quem sempre acreditou em mim...


– Mas você é inocente! Você quase foi preso, conviveu com uma culpa que não era sua, perdeu o direito de usar uma varinha!


– Harry, eu nunca seria um grande bruxo, mesmo... Provavelmente por conta da minha mãe, eu nunca tive muita aptidão pra magia, sempre senti muita dificuldade... E as pessoas que são importantes para mim me aceitam como eu sou, e nada dessa história tem mais importância hoje...


– Hagrid, eu sei que, na essência, nada muda, mas você falou algumas vezes de como tinha vontade de assumir a matéria de Trato das Criaturas Mágicas, mas, com essa acusação no currículo, não é possível!


– “Professor Hagrid”... – pronunciou, para si. – Ia ser muito bom, poder passar para outras pessoas um pouco do que a Floresta Proibida me ensinou... – completou, sonhador.


– Tenho certeza de que o diretor vai compreender porque você não contou essa história antes, Hagrid!


– Espero que sim, Harry. – falou, enquanto uma sombra turvou o seu olhar. – Espero que ele me perdoe e que você também me perdoe por ter mantido essa história em segredo...


– Eu? E por que eu teria que te perdoar por isso?


– Porque eu poderia ter desmascarado Tom antes de ele se tornar V-V... antes de se tornar o que tornou! – sussurrou e baixou o olhar. – Perguntei não sei quantas vezes a Aragogue se ele sabia que tipo de coisa havia na Câmara Secreta, mas ele me disse que não sabia e que não queria saber! Mas eu tenho certeza de que ele ia querer te ajudar, Harry! Por isso, eu quero que você leve isso! – e lhe entregou os dois frascos cheios de veneno de acromântula. – Ainda sinto calafrios quando me lembro de ter recebido a notícia de que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado havia te atacado... era tudo tão cruel... mas ainda bem que você sobreviveu, seus pais são pessoas maravilhosas... e agora ele voltou...


Hagrid voltou a chorar, agora completamente embriagado. Harry deu-lhe tapinhas no ombro, enquanto o amigo se apoiava pesadamente na mesa e, quase instantaneamente, começou a roncar.


O garoto pegou os frascos, planejando entregá-los para Lupin, e voltou ao castelo, repassando mentalmente o que Hagrid havia lhe confidenciado, e se perguntando se era muito tarde para fazer uma visita ao diretor. Só depois de fechar a porta principal do castelo foi que percebeu que havia esquecido a sua capa perto da sepultura de Aragogue.


Seu coração começou a bater com muita força, e Harry estava apavorado com a possibilidade de ser flagrado com os frascos de veneno que ele não teria como explicar, sem incriminar Hagrid. Tirou do bolso interno o Mapa do Maroto e tentou traçar um caminho seguro até a sala do diretor, mas Filch rondava as redondezas.


Só restou a ele rumar em direção à Sala Precisa. Pediu com veemência um lugar para esconder o veneno, e não conseguiu reprimir um assobio quando a Sala se abriu para ele, imensa e atulhada de incontáveis tranqueiras.


Harry atravessou algumas estantes, procurando um lugar pouco visível para esconder o veneno pois, quando ele precisasse pegá-lo de volta, conseguiria encontrar. Passou por uma estátua horrorosa de um feiticeiro feio e velho e, ao lado dele, meio escondido, havia um pequeno armário.


Harry resolveu depositar os frascos ali, e procurou identificar melhor a estátua pavorosa, para que pudesse reencontrá-la, depois. Pegou uma peruca num canto e uma velha tiara oxidada e as encarapitou em cima do busto do bruxo.


Afastou-se um pouco para guardar a imagem na cabeça, e, com espanto, percebeu que, acima da desgrenhada peruca, encontrava-se o diadema perdido de Rowena Ravenclaw.


* * * * * * * * *


Nossa, como eu demorei com esse capítulo!


Pessoas, mil perdões!


Eu realmente achei que as coisas no meu trabalho iam ficar menos corridas (aloka!), mas adianto que é provável que o próximo demore cerca de 2 semanas para sair (estou sendo otimista).


Mais uma vez, muito obrigada pelos comentários (não se acanhem, tá?)! Não há nada mais estimulante para quem escreve do que receber feedback! Geralmente eles me fazem escrever mais rápido (fica a dica!) :P


Como eu havia dito no final do capítulo passado, adorei ter escrito sobre a história do Sirius e da Bella, e esse exercício me deu uma ideia para uma próxima fic, e pergunto para vocês: o que acham de eu escrever a história de Dumbledore e Grindelwald? (peloamordeMerlin, comentem!)


Beijo grande para LULU789, Martha Weasley, Patilion, potter e weasley e Tiago James Potter, e até o 39!

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Comentários (7)

  • Láh Jane Weasley

    Primeiro: reli toda tua fic, inclusive Mudando o Passado;Segundo: to adorando a historia e nao sei se ja tinha comentado por aqui antes;Terceiro: PQ FAZER ISSO COM O SIRIUS!?!?! POR QUEEEEEE!?!?Quarto (sobre o capitulo recem lido):OMFG! Demais! Sem tirar nem por, ta otima!Aguardarei ansiosamente o proximo capitulo.Bjs.P.S.:  perdoe a falta de acentos, teclado com serios problemas. xD

    2014-03-12
  • Nane Potter

    Gostei muito da Fic e da forma como você colocou os acontecimentos originais da trama! Me encantou de verdade, está me surpreendendo com a capacidade de entrelaçar a história e não perder muito da Obra da J. K.Mas assim, pqp, veih! Tenha pena do Sirius, pfvr! Ele é meu personagem favorito e quase chorei com a história dele! De verdade, espero que não demore muito mais à postar. #Anciosa 

    2014-03-08
  • LuLu Weasley Potter

    CAP MUITO BOM...ADOREI O JEITO QUE FOI CONTA DA A HISTÓRIA DO HAGRID...SUPER ANSICOSA PARA PRÓXIMO CAP...SUA FIC É TUDO DE BOM... 

    2014-02-24
  • Stehcec

    Parabéns pela fic!Ela conseguiu me prender!Claro que tive que ler "Mudando o passado" e achei otimo!Acho sim q vc deveria escrever sobre Dumbledore e Grindelwald!Aguardando ansiosa o desfecho! P.S. não sei se foi só comigo, mas o site deu problema semana passada, quase morri! hahahaahah 

    2014-02-24
  • Patitaaa

    Sua fic tá cada dia melhor.  Não vejo a hora de vc postar o próximo capítulo.  Parabéns pelo seu trabalho! 

    2014-02-16
  • potter e weasley

    Adorei... Aguardo o proximo bjo

    2014-02-09
  • loucapotterygina

    Muito bom, posta mais logo!!!!

    2014-02-09
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