Coisas que não mudam
Jane, Filipe e Marina chegaram por volta das nove e meia da manhã na Toca. Jane logo foi ajudar Molly na cozinha, e Filipe foi com Arthur montar uma tenda no quintal, maior que a do natal e transparente, para poderem ver o céu a noite e , é claro, os fogos que Jorge lançaria. Ela serviria apenas para abrigar os convidados da neve e manter uma temperatura quente lá dentro, de modo que eles poderiam vestir roupas leves.
Andrômeda e Teddy já estavam lá na Toca desde cedo. O garotinho brincava com Marina e Jorge na sala. O ruivo fazia alguns truques de mágica para distrair as duas crianças, de modo com que as mais velhas pudessem preparar as coisas sossegadas.
Rony, Gina, Hermione e Harry ficaram incumbidos de arrumarem a casa e prepararem os quartos para que todos os convidados pudessem dormir acomodados, afinal a família Weasley inteira ia passar o fim de ano lá.
Hermione e a caçula ruiva arrumavam as camas, com o auxilio de magia, enquanto os dois garotos montavam as camas de armar e tiravam o pó.
--Estou exausto! –Rony exclamou se jogando em uma das camas, depois de ter terminado seu serviço. –Estou morrendo de fome.
A barriga dele roncou, como se confirmasse o que ele tinha acabado de falar.
--Você bagunçou a cama, Ronald! –A morena exclamou exasperada, dando um tapa no amigo.
--Ah, Mione! Dá um tempo, vai!
--Não foi você quem arrumou, não é? –ela retrucou com raiva.
--Nem você!
--Me poupe, Ronald! Se não fui eu, quem foi? –Ela gritava.
--Foi a sua varinha. Com um aceno ela volta a ficar arrumada! Deixa de ser chata! –O tom dele não era diferente do da amiga.
--Chato é você!
Ela saiu do quarto e Rony a seguiu. Harry e Gina trocaram um olhar como se dissessem: “Certas coisas não mudam nunca...”. Hermione subia as escadas batendo o pé, e Rony ia atrás.
--Sua sabe-tudo irritante!
--VOCÊ QUE É UM LEGUME INSENSÍVEL!
Molly já estava no pé da escada, e gritou com a voz nervosa, sobrepondo-se aos gritos dos dois jovens:
--O que está acontecendo aí em cima?
--Nada! –os dois responderam juntos.
--Então parem de brigar como duas crianças! Você tem dezoito anos! Pelas calças de Mérlim! –a ultima frase ela disse em tom baixo.
Ela voltou para a cozinha e Jane comentou, arrancando risos da ruiva:
--Logo, logo faremos parte da mesma família, Molly...
Enquanto isso, lá em cima, Rony e Hermione se encaravam raivosos. Ela passou pelo ruivo e entrou no quarto de Gina, batendo a porta. O rapaz fez um aceno negativo com a cabeça e foi para a cozinha, tentar comer alguma coisa.
--Que barulho foi aquele, Ronald? –Molly perguntou assim que ele entrou no recinto.
--Hermione bateu a porta.
Jane resmungou algo como: “Não sei mais o que eu faço com essa menina...”.
Rony pegou um pão de mandioca com presunto e sentou em uma cadeira, olhando para algo impossível de se ver.
--Por que vocês brigaram, filho? –a Sra Weasley perguntou enquanto mexia uma panela funda.
O ruivo terminou de engolir e respondeu:
--Não me lembro...
--Pelas barbas de Merlim, Ronald Weasley! Vocês armam um escândalo daqueles e nem sabem o por quê?!
Ela balançava uma colher de pau ameaçadoramente em direção ao filho.
--O que eu posso fazer se ela é temperamental? –ele levantou a voz num tom indignado –Eu já tentei de tudo! E ela nem dá bola!
Ele estava de pé, e o pão largado na mesa. Seu rosto estava ressentido e avermelhado. Molly se condoeu. A ruiva virou-se para o fogão e pegou duas tortinhas de chocolate e colocou-as em um pratinho.
--Leve pra ela. E peça desculpas. –A matriarca pediu, entregando-lhe o pratinho.
--Mãe! Você ouviu o que eu disse?
--Ouvi, Ronald. Não sofro de surdez. –ela mudou seu tom para amável. –Leve para ela e peça desculpas. Só dessa vez. Ela vai aceitar.
Rony olhou para Jane e perguntou, apenas com o olhar, se a morena a perdoaria. A Sra Granger respondeu carinhosamente, dando um tapinha no ombro do ruivo:
--Ela é temperamental e irritante. Mas ela vai ficar derretida se você for lá.
Ele deu um sorriso de lado e subiu.
--Posso entrar? –ele abriu a porta devagar e foi entrando.
--NÃO!
A voz dela estava abafada, por causa de um travesseiro que cobria sua cabeça. Ela estava de bruços e seu corpo balançava, provavelmente estava chorando.
--Trouxe uma coisa pra você. –ele continuou, ignorando a resposta mal criada.
--Não quero! –ela respondeu sem se mover.
--Deixe de ser birrenta, Mione!
Ele colocou o pratinho na mesinha ao lado da cama e se sentou ao lado da morena.
--Vai parar de drama e me desculpar?
--Não to fazendo drama! –Ela respondeu com tom mimado.
O garoto gargalhou; e isso pareceu surtir efeito nela, pois a morena se sentou na cama, com a cara amarrotada e o cabelo não muito pior, disse zangada:
--Do que está rindo?
--De você. –ele respondeu simplesmente.
Ela resmungou alguma coisa ininteligível.
--Trouxe uma coisa pra você. –ele pegou uma tortinha.
--Não quero. –ela fez bico e virou a cara.
--Deixe de ser mimada, uma vez na vida deixe seu orgulho de lado. Eu fiz isso.
Ela se espantou com o que o garoto disse e, depois disso, pareceu mais calma. Estendeu a mão para pegar o doce, mas ele desviou.
--Não vai me dar?
--Abre a boca.
Ela obedeceu e ele colocou o doce na boca dela. A morena mordeu, e ao fazer isso, seus lábios roçaram os dedos do garoto. Ele sentiu um formigamento no lugar, mas disfarçou.
--É bom. Quem fez? –ela perguntou depois de engolir o doce.
--Minha mãe. –ele deu uma pausa, e olhou fundo nos olhos dela. –Me desculpa?
Ela demorou um momento, mas respondeu abraçando-o:
--Você ainda tem dúvidas?
Ele sorriu abertamente.
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