A Seleção



Do autor: Estou esperando comentários!

Os primeiranistas seguiam a professora McGonagall em fila indiana, nervosos e excitados. Eles passaram por uma grande porta de madeira entalhada, de onde vinha um burburinho incessante. Contudo, a professora passou direto pela a porta, e abriu uma outra significativamente menor que a que Pedro vira. Os alunos entraram na sala silenciosamente e Pedro se apertou em um canto qualquer. A excitação estava deixando o seu corpo, e o medo começava a tomar conta. Sua mãe nunca havia lhe falado muito de Hogwarts, apenas das casas. Em que casa ele ficaria?
Mas no momento que ele ia pensar, a voz de Minerva McGonagall ecoou:
- É chegada a hora da seleção. Primeiranistas sigam-me.
Pedro engoliu em seco e sentiu um nó em sua garganta. Enquanto o resto dos alunos saia aos poucos, com dificuldades para passar pela porta pequena, a ansiedade e o medo de Pedro apenas aumentavam. Ele saiu da sala seguindo os outros, e então teve uma visão de que nunca esqueceria.
O Salão Principal era gigantesco. Havia quatro mesas dispostas paralelamente a si, e outra enorme mesa posicionada de frente para essas quatro, na horizontal. Pedro supôs que cada mesa pertencia a uma casa, e a mesa disposta horizontalmente deveria ser a mesa dos professores. Todo feito de pedra, o Salão principal era iluminado por inúmeras velas flutuantes e imensos archotes de pedra segurados por gárgulas. O teto era encantado de modo que mostrava o céu exterior. Em um belo dia de sol deveria ser um espetáculo a parte, mas no momento estava nublado, cinzento e melancólico. Assim que entraram no Salão Principal, o burburinho cessou imediatamente. A professora os guiou em fila indiana até a mesa dos professores, onde ela os posicionou de costa para os mesmos, fazendo-os encarar os outros alunos.
Assim que os alunos estavam em seus postos, ela colocou um banquinho de três pernas com um chapéu pontudo, esfarrapado e velho em cima do mesmo. Para surpresa de Pedro, o que ele pensou que fosse mais um rasgo no chapéu era na verdade uma boca, que começou a recitar um poema sobre a fundação de Hogwarts, as casas e o compromisso que ela tinha com a comunidade bruxa. Terminando com um “Pois não há nenhum chapéu mais inteligente que o papai aqui!” o chapéu foi entusiasticamente aplaudido pela multidão de alunos.
Então, a Profa McGonagall retirou um longo pedaço de pergaminho das vestes e começou a ler os nomes dos alunos:
“Antmore, Paul”
Um aluno baixinho e ranzinza sentou-se no banquinho e a profa Minerva colocou o chapéu em sua cabeça. O chapéu pensou, pensou, pensou e por fim chegou a uma conclusão.
“SONSERINA!”
Uma salva de palmas pode ser escutada da mesa da Sonserina, e Paul foi sentar-se, de bom grado. A lista continua, até que a Profa Minerva pronunciou em voz alta:
“Black, Sirius”
O aluno de cabelos despenteados e ar charmoso que Pedro havia visto assim que chegaram começou a demonstrar sinais de preocupação. O chapéu murmurava coisas que Pedro não conseguia ouvir, mas pela cara de Sirius, não parecia que ele estava gostando do que estava ouvindo. Por fim, o rasgo se abriu e gritou:
“GRIFINÓRIA”
A mesa de Grifinória aplaudiu entusiasticamente, e algumas garotas já cochichavam sobre o novato. Alguns nomes depois, a professora Minerva disse em alto e bom tom:
“Evans, Lilian”
A garota ruiva de intensos olhos verdes dirigiu-se ao banquinho, e assim que o chapéu encostou sua cabeça ele berrou:
“GRIFINÓRIA!”
A professora Minerva provavelmente ficou desconcertada com a rapidez do chapéu, mas o retirou ao som dos aplausos da mesa de Grifinória e tratou de continuar a lista.
“Lench, Ben”
“LUFA-LUFA!”
“Lupin, Remo”
O aluno de cabelos castanhos e aparência enferma se dirigiu ao banquinho, e a professora Minerva o analisou atentamente, absorta em pensamentos. Algum professor atrás de Pedro pigarreou, e a Profa. McGonagall entendeu o recado, colocando o chapéu na cabeça de Lupin.
O chapéu pensou bastante, mas por fim decidiu-se:
“GRIFINÓRIA!”
Alguns alunos depois chegou a hora de Pedro.
“Pettigrew, Pedro”
Ele congelou. Simplesmente não conseguia se mover. A professora repetiu o nome, e finalmente ele teve coragem de se mover. Timidamente ele se adiantou e sentou-se no banquinho. A professora colocou o chapéu em sua cabeça, e Pedro começou a suar frio.
“Não vejo muita ambição em seu coração, jovem menino..., não, não vejo não...” – começou o chapéu – “Mas em que casa te colocar? Lufa-Lufa? Corvinal?”.
Pedro não sabia em que pensar, e pensou nos garotos que ele havia visto indo para Grifinória.
“Grifinória? Talvez não seja uma má escolha... que assim seja. GRIFINÓRIA!”
Ele suspirou aliviado, e levantou-se ao som dos aplausos dos alunos de Grifinória, e logo se sentou ao lado do menino Lupin.
- Olá, sou Remo – ele disse, mas acrescentou rapidamente, parecendo ligeiramente envergonhado – Mas me chame de Lupin, por favor...
Pedro sorriu e respondeu:
- Meu nome é Pedro.
Eles trocaram sorrisos e entraram em uma conversa sobre como seria o ano letivo. A alguns lugares de distância, Sirius Black já fazia sucesso com as garotas mais velhas. Com seu charme e cara-de-pau, ele já conquistara inúmeros corações.
- Sociável ele, não? – comentou um Lupin aborrecido.
- Quem...? – perguntou Pedro, visivelmente confuso, mas olhou em direção de Sirius, seguindo o aceno de cabeça de Lupin – Ah, ele. É. Sociável...
Uma salva de palmas irrompeu da mesa de Grifinória, chamando a atenção dos dois para o mais novo aluno de Grifinória.
- Tiago Potter, é o nome dele, se você quer saber – acrescentou Lupin baixinho perto de Pedro.
Pedro concordou com a cabeça e olhou esperançoso para Tiago, esperando que ele sentasse do seu lado. Seria realmente bom ter alguém tão popular como Tiago perto dele. Mas não aconteceu. Ele passou direto por Pedro e sentou-se ao lado de Sirius, a quem lançou um olhar maroto.
Agora só restava uma dúzia de alunos para serem selecionados.
“Snape, Severo”
O aluno de cabelos oleosos e nariz de ganho se dirigiu ao banquinho, enquanto Tiago cutucava Sirius nas costelas e murmurava: “Ranhoso”
O chapéu pensou por um tempo. Pelo visto estava demorando a se decidir.
“Ainda bem que eu fui selecionado antes. Imagina usar esse chapéu?” – comentou maliciosamente Tiago, arrancando risadas abafadas de Sirius.
Por fim, o chapéu se decidiu:
“SONSERINA”
Snape olhou tristemente para Lílian, que retribuiu o olhar. Enfim, ele se dirigiu para a outra ponta do salão, se sentar ao meio dos alunos sonserinos que o aplaudiam entusiasticamente. Assim que ele sentou, recebeu uma palmadinha de um garoto aparentemente mais velho, de cabelos loiros escorridos e pele muito branca.
Assim que os últimos alunos foram selecionados e a professora Minerva levou o banquinho e o chapéu embora, um homem alto e magro, de barbas e cabelos brancos, usando óculos de meia-lua, que estavam apoiados sobre seu nariz torto levantou.
- Bem vindos novos estudantes! E bom retorno, alunos veteranos. Como alguns já sabem, meu nome é Professor Dumbledore. Mas aposto que vocês estão muito mais interessados em verem essas travessas e esses cálices se encherem do que saberem meu nome. Que assim seja. Que se inicie o banquete!
Assim que Dumbledore terminou a frase, todas as travessas e cálices encheram-se magicamente. Algumas travessas possuíam comidas que Pedro nunca havia visto na vida. Ele finalmente se serviu de uma asa de frango, enquanto conversava com Lupin.
- Eu estou muito animado para começar as aulas. Não vejo a hora de começar a praticar feitiços. Eu já li o livro-texto, embora não tenha tentado praticar nenhum deles. Talvez amanhã eu consiga. Mas o que está achando da escola, afinal? – perguntou Lupin.
- É... Bem... Legal.
- Sim, é mesmo... – e Lupin deixou o resto da frase no ar, olhando o teto encantado com uma expressão pensativa.
Enquanto deixava Lupin absorto em seus pensamentos de inteligência superior, Pedro observou em volta. Tiago e Sirius estavam sendo o centro das atenções. A garota ruiva, Lílian, estava conversando animadamente com uma outra novata.
Após a sobremesa, o Professor Dumbledore finalmente se levantou, e a conversa cessou imediatamente.
- Agora que nossos estômagos não roncam mais, e acredito que todas as fofocas estejam em dia, tenho... Ah! Lembrei-me de uma piada excelente que o Professor Flitwick – ele apontou para um minúsculo bruxinho sentado em cima de inúmeras almofadas, que corou – me contou sobre fofocas. Era uma vez um professor, uma aluna e um duende. Um dia... – e então ele foi interrompido pelo pigarreio da Professora Minerva. – Esse não deve ser o momento exato para contar essa piada, acho que não...
Os alunos riram, e o diretor abriu um bondoso sorriso.
- Onde eu estava? Sim, sim sim. Tenho alguns avisos para dar. O sr Filch como sempre me pediu para vos lembrar que não é permitido o uso de frisbees dentados, bombas de bosta, bombinhas de detonação-rápida e inúmeros outros itens citados na nada pequena lista pregada em sua porta.
- E há outro aviso para os alunos, novos e velhos. Esse ano será plantado na nossa propriedade um Salgueiro Lutador. O Salgueiro Lutador é um espécime mágico raro, e aconselho que não cheguem perto dele, a não ser que queiram ser desmembrados por um de seus galhos.
Os alunos estremeceram, mas nenhum empalideceu mais que Remo Lupin.
- Mas esses não são papos para discutirmos depois de uma bela ceia, concordam? Creio que suas cabecinhas estão rodando, e que todos vocês, se pudessem, lançariam um Feitiço Silenciador em mim, e provavelmente dormiriam com as cabeças no pudim. Mas isso não será necessário. Podem ir!
Os alunos levantaram-se com um barulho ensurdecedor, e cada casa foi migrando para os respectivos salões comunais. Um monitor prontamente indicou o caminho para os primeiranistas. Subiram escadas e escadas, e finalmente chegaram ao retrato da Mulher Gorda.
- Senha, por favor – ela disse.
- Bubotúberas – pronunciou o monitor em voz alta, de modo que todos ouvissem.
O retrato girou permitindo a entrada dos alunos. A Sala Comunal de Grifinória era linda. O aposento era decorado com tapeçarias e poltronas fofas, todas na cor vermelha. Uma lareira crepitava alegremente de um lado, e uma imensa janela ficava na parede oposta, dando uma vista dos campos e do lago de Hogwarts. Pedro deduziu que estavam em uma torre.
O monitor levou-os até os dormitórios. O dormitório também era redondo, com cinco camas de dossel. As malas já estavam debaixo de cada cama. No mesmo dormitório ficaram Remo Lupin, Tiago Potter, Sirius Black, Pedro Pettigrew e Teo Lux.
Todos colocaram o pijama e se jogaram nas camas fofas imediatamente. Não houve muito tempo para conversas, já que por efeito da comida, todos adormeceram instantaneamente, com exceção de Pedro, que ficou vários minutos contemplando o teto, e pensando nos acontecimentos diários.
“Talvez você se saia melhor aqui, Pettigrew” – ele pensou.
É, quem sabe ele iria se sair.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.