O amor pode estar do seu lado.
– Será que eu gosto dela?
– Ai, ai. Pontas, meu caro, vai ficar nesta para sempre?
James estava sentado em sua cama olhando reto para Sirius, mas seu olhar parecia atravessá-lo. Desde aquela tarde, ele não era o mesmo de sempre. James, que sempre carregava um ar alegre e sarcástico, agora tinha o olhar embaçado como se alguém o tivesse acertado um feitiço de memória. Tinha acabado de roubar um beijo de seu “alvo feminino”, Lily Evans, e foi surpreendido por nada mais, nada menos que seu namorado.
– Por que não me contou que ela namorava o Diggory?
– Mas eu tentei, não lembra? Quando estávamos azarando o Ranhoso Snape!
– Sirius, rápido! Pega a varinha dele!
Sirius atravessou por baixo de Severus Snape, aluno da Sonserina que, ninguém sabia por que, a dupla dinâmica (Sirius / James) estava sempre atazanando. Não havia uma oportunidade em que os meninos não o jogavam feitiços. Snape se virou bruscamente a fim de acompanhar Sirius com o olhar e quase caiu de sua posição no ar, onde James o mantinha.
– O que foi, Seboso? Algum problema aí em cima? Como está o clima por aí?
– Ei, James! Acho melhor eu te avisar que a -
– Senhor Potter e senhor Black! Soltem este aluno agora mesmo! AGORA! Senão vai ser detenção para os dois ouviram? Será que vou ter que mandar uma carta para seus pais?
– Se for este o problema, Professora, a senhora pode sim. Meus pais não ligam muito pra isso mesmo... – Sirius já era conhecido por ser a ovelha “branca” da família Black. Não por azarar os outros que o atrapalhavam ou cruzavam seu caminho quando de mau humor e ser bastante sarcástico, mas por ser da casa Grifinória enquanto todos os seus familiares eram da Sonserina e eram extremamente contra os “sangues - ruins” (qualquer um que era descendente trouxa).
James rapidamente deixou Snape cair no chão com um estouro e se virou para McGonagall. Sabia que se seus pais, ou melhor... Sua mãe soubesse o que ele aprontava na escola, ele perderia sua vassoura, sua varinha, ou qualquer coisa que fizesse falta por pelo menos um mês.
–Não vai haver necessidade, Professora! – disse correndo – Já está resolvido!
– Wé... Mas você não falou nada!
– Claro que eu falei! Eu ia te avisar quando a McGonagall apareceu!
– Achei que ia me dizer que ela estava vindo! Como eu poderia adivinhar? Você teve inúmeras outras oportunidades para me contar e além do mais, isso foi há duas semanas!
– Ora, Pontas! Você acha que eu gosto de ser portador de más notícias? Tentei uma vez! Se você não escutou, não era para ter escutado e pronto! Talvez se você tivesse ouvido, não daria bola para a Meggy e acabaria com seus pais em casa em vez de Hogwarts como castigo por ser um menino mal com os meninos ainda piores...
– Aff, Almofadinhas... Isso é tão típico de você! Ficar criando histórias doidas para se livrar de algo que foi culpa sua...
Este era Remus Lupin, amigo dos dois, mesmo sendo super diferente. Era muito mais estudioso (não saía da biblioteca). Era muito bom amigo, mas sofria muito com o fato de ser lobisomem. Entrava com ele no dormitório o Peter Pettigrew e com ele era completo o grupo de Marotos.
– Puxa obrigado, Aluado! Isso foi muito bonito mesmo!
– Foi um prazer ser sincero com você, Sirius.
Peter sentou em sua cama e começou a comer um bolinho que trazia da cozinha, de onde havia vindo com Remus.
–‘lguém que’ bolo? – disse de boca cheia.
– Não, obrigado... – responderam todos menos James, que ainda sentava, agora fitando a janela que mostrava a noite estrelada.
– O que aconteceu com o Pontas, Almofadinhas?
– Ele acabou de descobrir que Lily está namorando o Diggory.
– Não era para você ter contado a ele?
– Eu tentei, mas-
–Você também sabia? – perguntou James, que agora virava para Remus.
– Bem, eu... Mas isso não importa mais mesmo! Acabei de ver a Lily contando para a Hannah Gifregg, Rafa Missiken e Marlene Mckinnon que eles terminaram. Ela parecia muito triste então acho melhor você não aparecer por lá.
– Jura?! – James não agüentava a sua nova felicidade dentro de si.
– O importante, Aluado – continuou Sirius – é que ele acabou de admitir que gosta dela de verdade!
James sempre, desde o primeiro dia de aula, havia odiado Lily. Como fazia com o Snape, azarava Lily em todas as oportunidades e ela fazia o mesmo. Quando seu instinto maroto começou a falar mais alto, ele percebeu o quanto era bonita a ruiva de olhos verdes que ele tanto desprezava. Um belo dia, ele começou a chamá-la para sair. Nunca ela havia respondido positivamente, apesar de ser bastante criativa com as respostas negativas.
– Eu não falei nada disso!
– Claro que falou, Pontas... Me lembro bem...
– Não é um problema gostar de uma menina, horas! – retrucava Aluado, que há tempos gostava de Rafaela Joane Missiken, parceira de dormitório de Lily, mas não admitia – O difícil é contar para as pessoas isso.
– Além do mais, caro James, já era muito óbvio que gostava dela.
– Já disse que ela não passa de um alvo para mim! É só que... É só que meu ego não gosta de ser derrotado, só isso. – achou melhor admitir que seu ego era grande e arcar com as conseqüências mais tarde e mudar de assunto.
– Te conheço bem, Veado... Sei que já passou de ego isso aí. Um dia isso ia acontecer mesmo! Não sei por que esta tentando negar tanto.
– É cervo, Sirius, CERVO! Minha forma animaga é um CERVO! E ok, eu estou gostando da Lily... Mas e você e a senhora McKinnon? – Tentativa numero dois. Admitir rápido e mudar de assunto de forma que Sirius tomasse uma atitude defensiva.
– Eu a acho linda e pronto! Ou melhor, ela é perfeita, bonita, gostosa, esperta-
– Ta! Chega, Sirius! A gente sabe... O apaixonado de hoje é o Pontas!
“Maldito Aluado” – pensou James. Fechou as cortinas de sua cama e se deitou. Dormiu sorrindo aquela noite. Talvez por que Lily estava solteira de novo, ou talvez por que se sentia muito mais leve depois de contar seus sentimentos para os amigos.
***
– Lily... Acho que não vai dar... – Diggory aparecera do nada e pegou Lily com os dedos nos lábios e sem respiração. Do outro lado do corredor, James dava a volta na esquina em direção à sala comunal.
– Não! Amor, não é o que parece, eu juro! – Lily se virou rápido para encarar seu namorado. A raiva que sentia pelo menino (ou homem né... Já que tinha 17 anos) que acabava de sair dali depois de beijá-la se transformou em preocuparão. No fundo, sabia que não sentia muita coisa pelo parceiro, mas ficava com ele mais como uma defesa, ou para provar algo para alguém. Apesar do beijo de James ter sido bem melhor do que o de Diggory, ele não deixava de ser o arrogante, metido, com um ego maior que a cabeça, se achando o melhor só por que jogava quadribol e imbecil do Potter.
– Lily... – começou de novo segurando sua mão – Eu realmente gosto de você, gosto mesmo! Mas com você beijando o James Potter a cada duas semanas, eu não consigo te namorar. Adoro passar o tempo com você, mas acho que para a gente acabou.
Saiu andando e deixou a ruiva sozinha de novo, mas desta vez, com um sentimento de tremenda tristeza pelo acontecimento. Correu para o salão comunal da Grifinória e tentou ignorar as amigas ali presentes correndo para as escadas que davam para seu dormitório, mas não funcionou.
– Lily, está tudo bem? – esta foi Hannah.
– Ai meu deus, o que o James fez? – agora Marlene.
– Toma aqui... – Rafa entregou um lencinho para a menina chorando.
Entre soluços e lágrimas, Lílian contou para as amigas de dormitório o que acabava de acontecer. O beijo de James e depois o final do Diggory.
– E tudo por causa do idiota do POTTER! Só por que ele pensa que todas as garotas são apaixonadas por ele, entende?!
– Lily, ele pode ser chato, mas também pode ser legal às vezes-
– Apesar de que com você ele só é irritante – cortou Hannah, estragando o ponto de Marlene.
– Mas ele é muito lindo, isso você tem que admitir! – recomeçou Marlene falando alto para cobrir Hannah.
Houve um silêncio desconfortável. Rafa, que era a única virada para a escada do dormitório masculino viu Remus e Peter subindo. Para não estressar ainda mais a amiga quando ela descobrisse que eles a haviam escutado, (e também para fugir de Remus, maroto pelo o qual ela tinha uma grande queda) resolveu terminar o assunto.
– Vamos subir, gente? Estou ficando com sono e aposto que amanhã vai estar tudo bem melhor. Amanhã é um novo dia! – comentou cortando o silêncio e forçando um sorriso, sempre otimista.
***
O sábado amanheceu chuvoso. Para a tristeza de James e Sirius, eles não poderiam treinar Quadribol à tarde como faziam sempre. Para a tristeza de Lily, ela teria que agüentar ainda mais o odiado amigo, já que estavam todos dentro do castelo. Ela acordou razoavelmente melhor do que estava na noite anterior e ficou surpresa ao ver um botão de rosa com um bilhete em cima de seu malão. Pegou rápido e tirou o bilhete esperando que fosse de Diggory.
Querida Ruivinha,
Começou mal. James a chamava assim.
Entrego esta rosa para a garota que mais desejo.
Não ando escutando seus gritos, meu anjo... Por acaso ficou rouca? Posso ir cuidar de você.
Ah... Fiquei sabendo que seu namoro terminou e realmente ESPERO que tenha sido minha culpa. Assim quem sabe você poderia ser mais feliz comigo.
Quer sair comigo?
James Potter
“Ah!” – gritou Lily em pensamento para não acordar as outras. - “Como ele ousa me mandar uma carta destas depois do que ele fez?! SÓ PODIA SER ESTE CABEÇA DE FEIJÃOZINHO!”. Foi aí que Lily voltou seu olhar para a rosa, que imediatamente se abriu e nela, tinham todas as cores do arco íris espalhadas. Sem dúvida a flor mais linda que Lily já tinha visto. Depois de voltar a si, isso só aumentou sua raiva e ela jogou a rosa para o chão. Não acreditava que um ser poderia ser tão anta e ainda ser considerado um humano. Inacreditável. Se levantou, pegou uns livros que gostaria de ler, e desceu para tomar café. De lá, foi direto para a biblioteca e não voltou por várias horas. Na verdade, só voltou na hora do almoço.
***
– Bom dia, raios de sol!
Peter continuou na mesma posição. Provavelmente estava dormindo bem pesado. James foi incomodado pelo amigo e se levantou.
– O que foi, seu cachorro?
– Hora de acordar, amigo!
– Ta, sei... Cadê o Remus?
– Já desceu. Você é que é muito lerdo. Sabe que horas são?
James olhou para seu relógio bruxo que ganhara de aniversário de seu pai. As horas eram marcadas por pequenos pomos de ouro.
– Sim... São 10:00 da manhã.
– E o café acaba as 10:30, querido.
– Arg... – resmungou James. Sabia que o amigo só o acordava para ser chato mesmo, já que poderiam facilmente ir à cozinha ou usar o Mapa do Maroto, um mapa da planta de Hogwarts, para usar a passagem à Dedos de Mel.
– Pontas, está chovendo de novo...
– Então treinamos amanhã ou sei lá...
– Pontas, está CHOVENDO...
– E o problema é...? – perguntou terminando de abotoar a camisa e virando para Sirius.
– Não vai dar para azarar o Ranhoso! Lembra do nosso plano maléfico invencível?
– Sim.
– Não está chateado?
– Não.
– QUEM É VOCÊ E O QUE FEZ COM JAMES POTTER?!
– Sirius, eu vou aproveitar o dia para passar mais tempo com a minha nova solteira ruiva, Lily que, diga-se de passagem, não vai ser solteira por muito tempo.
– E o que EU vou ficar fazendo?
– Sei lá, wé... Vai pegar umas garotas ou algo assim... Qualquer coisa me chama pelo espelho tá? Tive uma idéia que só inclui a mim mesmo para fazer antes de me encontrar com meu amor então preciso sair rápido.
Já com o uniforme vestido, conjurou um sanduíche e saiu correndo para a biblioteca.
***
Remus acordou cedo. Eram no máximo 8:00 horas da manhã e todos os outros ainda dormiam. Levantou-se devagar e sem fazer barulho andou para o banheiro. Arrumou-se e desceu para tomar café. Lá ele encontrou Lily.
– Bom dia. – disse ainda sonolento.
– Ah, bom dia Remus!
– O que você ta lendo?
– Um livro de trouxas. Minha mãe me mandou de presente por coruja. Chama-se Gone with the Wind (O Vento Levou), já ouviu falar? – fechou o livro e voltou a morder sua torrada.
– Acho que sim... – se servindo de ovo mexido – Vai para onde depois daqui?
– Biblioteca. O Único lugar que sei que não vou esbarrar com o irritante do Potter. – falou ficando vermelha de raiva ao lembrar da criatura – Quer ir?
– Ah não, obrigado. Acordei cedo de mais e acho que vou tirar uma soneca depois. Mas... Lily, se eu te fizer uma pergunta você jura que não se irrita?
Lily facilmente resolveu aceitar. De todos os meninos daquele dormitório, Remus era o único do qual ela gostava (como amigo claro). Sabia que não poderia ser nada muito ruim.
– Você... Por que você odeia tanto o James?
Ela estava errada.
– POR QUE ELE É UM ARROGANTE E METIDO A BESTA, POR ISSO! – gritou a plenos pulmões.
– Ok Lily... Foi só uma pergunta... – disse calmo fazendo Lílian bufar de raiva – Mas já parou para pensar que ele poder gostar MESMO de você?
– O Potter? Estamos falando da mesma pessoa aqui? Ela pega todas só para mostrar que pode! O dia que ele gostar de uma garota de verdade, é bom que ela se case logo antes dele mudar de idéia!
“Pode ir arranjando um vestido de noiva, Lily” – completou Remus em pensamento.
– Ele mostra as meninas com quem sai como se fossem troféus... Como se alguém realmente se importasse!
– Bem... – Remus virou-se para o lado e deu de cara com um grupo de meninas cochichando e rindo de uma foto do Pontas que fora cortada do time de Quadribol.
– Arg! – irritou-se Lily levantando e saindo o mais rápido possível.
Remus voltou para o dormitório e encontrou Sirius e Peter dormindo, apesar de James não estar mais lá. Arrumou-se e deitou em sua cama.
***
Lily respirou fundo e voltou a ler o livro que lia no café. Só percebeu que estava lendo a mesma linha várias vezes quando se encontrou em pensamentos. “Hora, o Potter é um metido, isso sim! Ele não gosta de garota nenhuma, esse cafajeste. Um dia diz que gosta de mim e no outro sai com uma Corvinal ou uma Lufa lufa. Só vou gastar meu amor com um príncipe! Alguém que goste de verdade de mim e que me mande rosas-”. James a havia mandado rosas. “Não! Rosas não! Cartas!”. James também a mandava cartas. “E que o nome não comesse com J e termine com Ames Potter!”. Terminou irritada e bufou de raiva.
– Algum problema, minha ruivinha? – era inacreditável o poder que ele tinha de aparecer bem onde ela estava.
– NÃO ME ASSUSTE ASSIM, POTTER! – disse ficando corada como se ele houvesse escutado o que ela pensava.
– Desculpe, meu amor.
– É Evans! EVANS! Me chame de EVANS!
– OK Evans... – parou de falar e ficou olhando a menina ler, o que a fez se desconcentrar.
– O que você quer, Potter? Veio me encher aqui por que?
– Não vim por você, minha linda. Vim por que preciso ler sobre um assunto.
– Sei sim... Vai ser feriado o dia que você ler.
– Que desperdício de feriado, Lily! Hoje já é sábado! – riu e pegou um livro numa prateleira deixando uma Lily extremamente incomodada para trás.
James tirou o Mapa do Maroto de dentro do bolso e, com os olhos, caminhou sobre o caminho até a Sala Precisa, uma sala que aparecia e se transformava em qualquer tipo de lugar que era necessitado. Podia ser um banheiro, um jardim, ou até uma piscina, mas tudo que Pontas queria era uma sala vazia com uma mesa, uma cadeira e talvez um sofá. Foi exatamente isso que ele ganhou.
– Ai, ai... Vamos ao trabalho!
Há tempos ele gostava muito de musica trouxa. Costumava achar que a musica bruxa não precisava da mesma habilidade para ser tocada já que a mágica cuidava de tudo. Os trouxas usavam aparelhos com discos dentro para ouvi-las. Se chamavam Disqui-men ou algo assim. Um fio que você encaixava no aparelho levava a musica a seus ouvidos. Quando não entendia de nada disso, comprou um destes fios, ou “Fone de Ouvido”, e levou para Hogwarts. Só depois lembrou que coisas trouxas não funcionavam por lá. Daí tirou a idéia de enfeitiçar o Fone para que tocasse qualquer musica na qual ele pensasse. Parecia genial, mas extremamente complicado. Pegou o livro que trazia: Grandes Mentes, Grandes Musicas, Grandes Magias e procurou o que queria. Por sorte tinha tudo explicado lá. Levou horas para terminar, mas valeu todo o esforço. Colocou o fone na orelha e saiu da sala. Foi encontrar os outros no almoço.
***
Marlene, Hannah e Rafa estavam extremamente cansadas na noite anterior. Diferente de Lily, elas não conseguiram acordar cedo, e nem tinham por que fazer tal coisa. Por isso, dormiram até quase a hora do almoço. Rafa acordou as amigas e elas se arrumaram para descer.
***
Peter acordou com a barriga doendo de fome. Acordou Sirius com pouca dificuldade, já que o mesmo já se encontrava sem sono, apenas muito entediado. Juntos acordaram o Remus e se arrumaram para a refeição. Depois de muitos “Gente, estou com fome! Vamos logo!” do Rabicho, os três desceram e se sentaram perto de James, que agora tinha os fones no ouvido.
– O que é isso, Pontas?
– Isso o que, meu caro Cachorro?
– Isso aí! Na sua orelha!
– É um tocador de musicas trouxas criado por mim! – disse orgulhoso.
– Mas não ia se encontrar com a Lily?
– Ia, mas estava com essa idéia a tempos e acabei encontrado ela na biblioteca mesmo...
– Como funciona? – perguntou Peter curioso.
– É só pensar numa musica que ela toca. Não tem mistério.
As três meninas que desciam do dormitório cheias de sono encontraram Lily no caminho e foram comer juntas. Chegaram e sentaram do lado dos marotos. Marlene ficou de frente para Sirius, Rafa para Remus e Hannah para Peter de forma que Lily teria de sentar de frente para James.
– Bom dia meu Lírio!
– Cala a boca, Potter...
Lily o encarou e percebeu o fone. Conhecia seu uso trouxa, mas não sabia para que James o usava. Esperou alguém perceber para não ter que ser ela a pessoa a perguntar e dar este gostinho ao inimigo.
– Ei, James!
– Sim?
– O que é isso na sua orelha? – perguntou Hannah.
– É um tocador de musicas trouxas criado por mim! – disse orgulhoso pela segunda vez.
– E como funciona? – perguntou Marlene olhando mais de perto.
– É só pensar numa musica que ela toca. É muito fácil. – respondeu sorrindo.
– Genial! – elogiou Rafa, deixando Remus um pouco enciumado.
– O único problema, meu caro amigo cervo, é que as pessoas deprimidas não podem usar, não é mesmo?
– Por que? – perguntou James sem entender.
– Por que pessoas deprimidas pensam em musicas deprimentes e musicas deprimentes deixam as pessoas ainda MAIS deprimidas...
– É verdade... – disse James pensando no que Sirius dizia. Então teve uma idéia. Colocou o fone e parou para olhar para Lily. Uma voz grossa em seus ouvidos disse: Jota Quest - Do Seu Lado.
Lembrava de ter escutado essa musica antes, mas a letra não vinha rápida. Todos o olhavam e ele olhava para Lily. Seus olhos verdes como as folhas de uma arvore num dia de sol. Seus cabelos, vermelhos como o fogo que esquentava seu coração.
"Faz muito tempo, mas eu me lembro você implicava
comigo.
Mas hoje eu vejo que tanto tempo me deixou muito mais
calmo.
O meu comportamento egoísta, seu temperamento
difícil.
Você me achava meio esquisito, e eu te achava tão
chata.
Refrão:
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um
destino,
Viver é uma arte um oficio, só que precisa cuidado,
pra perceber que olhar só pra dentro é o maior
desperdício, o seu amor pode estar do seu lado.
O amor é o calor que aquece a alma.
O amor tem sabor pra quem bebe a sua água."
A musica parou aí. James sabia que ainda tinha mais musica do que aquilo e se perguntou se o fone que enfeitiçara tocava apenas as partes das musicas que se encaixavam na sua situação. Ele sentiu que queria ouvir o resto e a musica voltou.
"Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive sozinho,
que um dia seria seu marido seu príncipe encantado.
Ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sitio,
ir ao cinema todo domingo só com você do meu lado.
Refrão:
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um
destino,
Viver é uma arte um oficio, só que precisa cuidado,
pra perceber que olhar só pra dentro é o maior
desperdício, o seu amor pode estar do seu lado.
O amor é o calor que aquece a alma.
O amor tem sabor pra quem bebe a sua água.
Refrão:
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um
destino,
Viver é uma arte um oficio, só que precisa cuidado,
pra perceber que olhar só pra dentro é o maior
desperdício, o seu amor pode estar do seu lado.
O amor é o calor que aquece a alma.
O amor tem sabor pra quem bebe a sua água."
Ele tirou o fone com ar de quem acabou de levar um choque. Aquela musica provava todos os sentimentos que ele tinha por Lily. Tudo que ele disse sentir estava lá. Os outros a mesa o encaravam confusos e ele resolveu testar algo.
– Ei, Sirius! – disse se virando para ele – Bota isso no ouvido e olha pra Lily!
Sirius pegou o fone e colocou. Depois de ficar um tempo olhando a Lily, perguntou:
– Que que tem ?
– Não escuta nada?
– Não...
– Mas eu...!
– O que foi? – perguntou Remus enquanto as meninas só assistiam a cena.
– Alguém conhece Jota Quest?
– Sim. – Lily foi a única a responder.
– Já ouviu uma musica chamada: Do seu Lado?
– Já – ela continuava confusa.
– Foi... Foi o que eu ouvi. Sabe, quando olhei pra você...
Lily sabia a letra da musica. Seus pais costumavam ouvi-la muito em casa e ela sempre cantava junto.
“Faz muito tempo, mas eu me lembro você implicava
comigo.”
O que isso queria dizer?
“O meu comportamento egoísta, seu temperamento
difícil.
Você me achava meio esquisito, e eu te achava tão
chata.”
Meio esquisito? MUITO esquisito... Além de milhares de outras coisas... Eu tenho um temperamento difícil sim, e daí? Eu sou a chata? Então ele é o que?
“Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um
destino”
Destino? Entre eu e o Potter? Corta essa!
“o seu amor pode estar do seu lado.
O amor é o calor que aquece a alma.
O amor tem sabor pra quem bebe a sua água.”
Ah, por favor! Caso você não tenha percebido, Potter, o amor do seu lado é o Peter. Pode olhar para a direita.
E ainda tinha mais. A parte sobre o sítio, o casamento... E OS FILHOS! Esse negócio só podia estar quebrado... Quem foi que enfeitiçou mesmo? Ah, claro! O Potter, quem mais?!
– Essa geringonça está quebrada, Potter. – Lily disse razoavelmente abalada, mas tentando esconder. As atenções eram todas para ela.
– Tem certeza, Lily? O Pontas pode estar apaixonado! – Riu Sirius, levando um chute na canela.
– Por quem? Pela LILY? – Disse James, fingindo estar enojado para tirar as suspeitas. Nunca tinha estado em uma situação assim.
– É mesmo! Quando é que ELE vai merecer alguém como eu, me diz! Não era VOCÊ, POTTER, que dizia gostar de mim e me pedia para sair? Tenha santa paciência! – Lily falou rápido e se levantou.
– Que foi? Ta com medo, Lily? Que eu não goste de você? Vai ficar deprimida? – James também se levantou.
– Gente, acho melhor – tentou Marlene, que quase sempre era a pessoa que terminava as brigas.
– VOCÊ É UM ARROGANTE, POTTER! UM IMBECIL METIDO A BESTA, ISSO QUE VOCÊ É! QUE SAI MOSTRANDO AS PESSOAS COM QUEM SAI POR AÍ SÓ PARA MOSTRAR QUE PODE! ASSIM COMO FAZ COM O SNAPE QUANDO AZARA ELE! VOCÊ É SIMPLESMENTE... RIDÍCULO! NUNCA QUE EU VOU ESTAR APAIXONADA POR VOCÊ! – Lily saiu correndo escada-a-cima para o salão comunal.
James bufou forte e se sentou novamente. Sentia um raiva enorme de Sirius.
– É culpa sua, seu cachorro pulguento sem vergonha!
– Minha? Mas o que eu – Sirius parou de falar ao ver que James também subia as escadas.
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