Surpresas em Godric’s Hollow
Harry estava perdido em seus pensamentos quando o ônibus parou. Como se fosse o despertador que ele precisava, acordou de seus pensamentos e viu Hermione levantando-se e, cutucando Rony para avisar que haviam chegado. Os garotos pegaram suas coisas e perguntaram aonde era a pousada ou o hotel mais próximo e após descobrirem que tinha uma pequena pousada ali perto foram até lá, andando calmamente.
Ao chegarem lá encontraram um homem, com uma aparência mais velha, pouco cabelo que deveria ser o dono do estabelecimento. Ele estava de costas lendo o que parecia ser uma carta quando o trio aproximou-se:
- Com licença senhor, será que você teria dois quartos disponíveis? – Hermione perguntou calmamente, mas com a voz cansada.
- Claro senhori.... – O homem parou abruptamente de falar ao olhar para Harry. Analisou-o por alguns segundos, como se o que ele estivesse vendo fosse uma ilusão.
- Algum problema com o senhor? – Harry indagou curioso.
- Ele é igualzinho a ele, mas não pode ser ele, está tão jovem e afinal se passaram 16 anos, não, não pode ser, os olhos são verdes. Verdes exatamente como os de Lily, será que é jovem Potter? – O homem falou como se o trio não estivesse ali.
- Com licença. Você disse Lily? – Harry perguntou mais curioso ainda
O homem pareceu acordar e ignorando a pergunta do garoto, ele questionou:
- Qual é o seu nome meu jovem?
- Harry senhor, Harry Potter.
O homem pensou um pouco e o que, antes era uma face confusa, agora era uma face extremamente sorridente.
- Oh meu deus, então é você mesmo, olhe só como está parecido com James, e seus olhos, são igualzinhos aos de Lily e... – ele falou rápido até que Harry teve que interromper
- Você conhecia meus pais?
- Oh naturalmente sim, pessoas maravilhosas eles eram, sempre que podiam vinham aqui e eu me lembro de você bebê. Porém teve uma época que eles pararam de vir aqui e eu fiquei um bom tempo sem ver eles, até que aquela coisa terrível aconteceu, não acharam você na casa, praticamente destruída. A polícia ficou tonta sabe? Até que chegou a notícia que tinham enviado você para os parentes mais próximos. Pensei que seria aquele jovem de cabelos negros, ele era seu padrinho suponho, estava sempre aqui, porém alguns anos atrás eu vi ele na televisão, diziam que era um assassino perigoso. – o homem explicou.
- Você conhecia Sirius também? – Harry a cada hora que passava ficava mais curioso.
- Oh, você conheceu ele então? Suponho que ele não era aquele assassino horrível do qual todos falavam, era um jovem tão engraçado e simpático. Você tem tido notícias dele?
- Ele mor-reu há um ano mais ou menos. – Harry disse triste.
- Oh meu deus, me desculpe. Ele era um homem tão bom. Mas suponho que vocês queiram dois quartos não é? Aqui as chaves, depois que vocês descansarem nós podemos conversar mais.
Os garotos pegaram as chaves e foram até os quartos. Harry e Rony colocaram suas coisas lá, trocaram de roupa e desceram para se encontrarem com Hermione na entrada da pousada.
- Oh... Vocês já voltaram? – o homem saiu de trás da bancada onde atendia os hóspedes e foi falar com os garotos.
- Ah sim, senhor?
- Herbert Rogers, mas podem me chamar apenas de Herbert, por favor! – o homem exclamou
- Bom, Sr. Herbert, eu gostaria de saber onde fica o cemitério da cidade. – Harry disse calmamente.
- Ah sim, naturalmente você gostaria de ir lá, bom não fica muito longe daqui, eu posso ir com vocês até lá, aí aprendem o caminho e podem voltar sozinhos.
- Obrigado Sr. Herbert, de verdade. Mas não vai atrapalhar seu trabalho se você sair daqui não? – Harry perguntou preocupado.
- Não tem problema nenhum garoto, tenho um ajudante aqui – virou para trás e deu um grito - Zaaaaaaaccckkk!
Um bonito jovem com aparentemente 20 ou 21 anos apareceu até a entrada da pousada ofegante.
- Sim, Sr. Rogers? – falou, cansado.
- Já disse pra me chamar de Herbert garoto, eu vou acompanhar esses garotos até o cemitério, não devo demorar muito, será que você tomar conta de tudo aqui enquanto eu vou lá?
- Me desculpe sr, é que eu não me acostumei. E, sim posso tomar conta de tudo, hoje até que as coisas estão calmas, não se preocupe! – O jovem exclamou feliz, sorrindo para os garotos, como em sinal de agradecimento para que ele pudesse provar que era um bom funcionário.
- Bem, creio que esteja tudo resolvido então, não vou demorar Zack.
- Tudo bem Sr, cuidarei de tudo e aguardarei até a sua volta.
- Vamos então garotos?
Os garotos acompanharam o homem. Eles andaram por algum tempo, até subiram um pequeno morro e chegaram.
- Bom, é aqui, vocês acham que aprenderam o caminho de volta para a pousada ou querem que eu espere aqui? – o homem perguntou, ligeiramente ofegante.
- Tudo bem Sr. Herbert, eu observei e sei como voltar à pousada. – Hermione disse – Creio que tenha suas obrigações com a pousada, pode voltar, nós podemos partir daqui sozinhos.
- Ok então. Ah e só pra ajudar Harry, o túmulo de seus pais está ao lado da plantação de lírios, é só você seguirem reto que encontrarão. Sabe sua mãe me disse uma vez como amava lírios e eu avisei, para que, vocês sabem, eles pudessem ser enterrados ao lado dos lírios. – O homem disse desconcertado. – Vou para a pousada agora, se precisarem de mais alguma coisa, por favor, me procurem lá!
- Nós procuraremos, Sr. Herbert. – Harry disse.
O homem virou, e começou a descer o pequeno morro. Harry, Rony e Hermione entraram no cemitério e seguiram até avistarem os lírios. Rony e Hermione trocaram olhares significativos e então Rony disse:
- Hey cara, vai lá. Esse momento é só seu, eu e Mione vamos ficar aqui esperando você. Fique o tempo que achar necessário ok?
Harry quase abriu a boca, talvez pra dizer que tudo bem se eles fossem, mas pensou e percebeu que gostaria de ver o túmulo dos pais sozinho. Sem conseguir dizer nada, apenas prosseguiu até chegar nos túmulos. Era apenas um, e não tinha mais nenhum por perto, e lá estava escrito:
“Lily Evans Potter & James Potter
1958 – 1981
Corajosos, leais e amigos.
“Para uma mente bem estruturada a morte é apenas a grande aventura seguinte”.[Albus Dumbledore]
“Amamos você Harry”.
Sem Harry perceber, algumas lágrimas rolaram pela sua face. Ele lembrou-se de quando no seu 1º ano, Dumbledore lhe disse aquela frase. Ficou ali não se sabe quanto tempo apenas apreciando a imagem do túmulo de seus pais. Com sua varinha, conjurou um buquê de lírios e depositou em frente ao túmulo. E ficou ali, sentado, com os joelhos abraçados ao peito, e deixou toda a sua tristeza sair. De onde antes saíam tímidas lágrimas, agora desciam rapidamente e o garoto por um momento sentiu-se até patético. Porém ele não se importava, ele tinha que fazer aquilo tinha que ter aquele momento só dele, para que tivesse forças e seguir em frente. Sentiu um leve vento ao seu redor, e lembrou-se da figura de seus pais no espelho de ojesed, que havia visto no primeiro ano. Passaram mais alguns minutos e, então ele levantou-se, olhou novamente para o túmulo e foi encontrar-se com seus amigos, mas não sem antes dizer:
- Amo vocês também!
Ele disse um pouco alto demais, como se quisesse que o mundo inteiro o ouvisse. Mais algumas lágrimas desceram de sua face e ele seguiu em frente.
Rony e Hermione estavam sentados, calados. Passaram se alguns minutos. Hermione foi a primeira a falar.
- Ele tá demorando um pouco não acha? Será que a gente não devia ir lá pra ver se ele está bem?
- Mione, acho melhor a gente deixar ele sozinho, isso é uma coisa dele. Ele tem que ficar lá sozinho. É muito pessoal a gente não devia interferir.
- É eu sei, mas ele deve estar sofrendo tanto. Quero dizer, deve ser muito difícil pra ele.
- Ele tem que ficar sozinho Mione. Dessa vez não acho que a gente possa ajudar.
Passaram-se mais alguns minutos, até que eles ouviram de longe a voz de Harry dizendo “Amo vocês também” . Hermione olhou pra Rony e ele olhou pra ela. Não demonstraram, mas eles também tinham ficado emocionados ao ouvir o garoto dizer. Até que viram Harry indo na direção deles, ele tinha o rosto um pouco inchado e os olhos um pouco vermelhos de choro. Hermione foi até ele e abraçou-o, Rony fez o mesmo.
- Estaremos sempre ao seu lado Harry, não importa o que aconteça! – A garota exclamou, com os olhos marejados.
- É, não importa o que aconteça. Porque nós somos os seus amigos e enfrentaremos tudo juntos. – Rony acrescentou.
- Obrigado. Eu realmente não sei o que seria de mim sem vocês! – Harry disse em tom de agradecimento
Os três olharam-se, e começaram a andar de volta à pousada.
Os garotos sentaram-se no restaurante da pousada e almoçaram. Subiram, trocaram de roupa, descansaram um pouco e quando era por volta das três da tarde desceram novamente.
- Sr. Herbert, será que você poderia me falar onde era a casa dos meus pais? - Harry pediu.
- Oh sim garoto, com certeza, bom tudo lá ficou um pouco destruído, mas creio que mesmo assim você quer ver sua casa.
- Er.. É!
- Bom, o caminho não é difícil não, me acompanhem até a porta da pousada e eu mostro pra vocês.
Os garotos o seguiram, e o homem mostrou a eles o caminho até a antiga casa de Harry. Não era difícil pra chegar e, eles poderiam ir sozinhos.
Eles agradeceram e seguiram até a casa. Ao chegarem lá, a visão não era das melhores, a casa estava com um aspecto de casa mal-assombrada e, dava pra ver vidros quebrados, a porta da frente arrombada e várias outras coisas. Sem se importar com nada disso Harry entrou na casa
E passava observando as coisas. Ele virou e seguiu em direção a escada.
- Harry você tem certeza que vai subir essa escada? Pode ser perigoso, ela pode desabar. - Hermione perguntou preocupada.
- Sim, Hermione, eu vou subir. Vocês vem comigo?
- Ah... Siim - Rony e Hermione responderam juntos.
Eles subiram a escada cuidadosamente, e vez ou outra ela fazia alguns rangidos, indicando que estava prestes a quebrar. Chegaram, Harry olhou em volta e percebeu que o segundo andar da casa estava bem mais conservado do que o primeiro, mas tinha um quarto em especial, que estava quase todo destruído. O garoto reconheceu como sendo o quarto em que a mãe tinha sido assassinada e que ele, quase tinha sido assassinado também. Rony e Hermione trocaram olhares e, entenderam qual era aquele quarto. Harry seguiu com cautela até o quarto, entrou e olhou. Ainda tinha seu berço lá, e algumas janelas quebradas, a porta visivelmente arrombada e de repente Harry ouviu vozes em sua cabeça.
“- O Harry não, o Harry não, por favor, o Harry não!”.
- Afaste-se sua tola, sua tola... Afaste-se, agora...
- O Harry não, por favor, não, me leve, me mate no lugar dele...
- Avada Kedavra!”. "
- NÃÃÃOOO!!
Harry gritou e, de repente avistou um raio verde e caiu no chão ajoelhado, suando, sua cicatriz latejava e ele estava ofegante, tinha acabado de ouvir sua mãe suplicar pela vida dele e, Voldemort e, o Avada Kedavra e todas aquelas vozes pareciam girar na sua cabeça.
Rony e Hermione ouviram o grito da escada e foram correndo até o amigo. Encontraram-o ajoelhado, suando ofegante e mexendo a cabeça como se quisesse tirar algo dela.
- Harry! - Hermione gritou preocupada
O garoto olhou pra frente e viu seus amigos o olhando. Levantou-se ainda com a lembrança da voz de Voldemort e de sua mãe na sua cabeça.
- Vamos sair daqui cara. Qualquer coisa a gente volta depois. - Rony disse em tom preocupado.
Antes de sair do quarto, Harry olhou ao redor, a maioria da coisas destruídas e ao olhar para o chão, viu um envelope.
Pegou-o e surpreendeu-se ao ver que com uma delicada letra na frente do envelope estavam apenas escritos...
"Para Harry Potter, com carinho”.
Harry olhou o envelope e, com cuidado abriu-o e tirou o pergaminho de lá.
“Querido Harry
Se você está lendo isso, é porque infelizmente nós, isto é, nem eu nem seu pai estamos vivos.
Há pouco tempo atrás tivemos que nos esconder, pois Lord Voldemort estava atrás de nós.
Estávamos é claro, prezando por sua vida.
No momento em que tive você em meus braços pela primeira vez, eu depositei todo o meu amor possível. Você passou a ser a minha vida e a de James. E, a partir do momento em que percebemos que Voldemort estava atrás de nós, tememos não pela nossa vida e sim, pela sua. Proteger você era a nossa prioridade. Se, na atual data estamos mortos, você deve ter ido morar com a sua tia, minha irmã Petúnia, como pedi que fosse feito a Dumbledore nos primeiros dias desse mês.
Só gostaria de te dizer que eu e seu pai amamos você demais Harry, é algo inexplicável que só quando você vier a se tornar pai irá entender. Sei que você já deve ter ouvido isso de Dumbledore antes, pois foi ele que nos ensinou isso, porém vou repetir: Nunca duvide da sua capacidade de amar, pois sem amor nada mais importa. Entenda que você nunca se tornará um grande bruxo ou até mesmo um grande homem sem amor. Esse é o maior poder que você pode ter. Enquanto você puder amar, essa será sua proteção. NUNCA se esqueça disso. Tenho certeza que você pode se tornar um grande homem Harry, confio em você. Seja feliz, pois é isso que queríamos para você em primeiro lugar.
Amo você meu filho
Lily Evans Potter 29/10/1981 “
Harry acabou de ler a carta e, ficou ali, parado olhando para o pergaminho, estático até que uma voz o acordou:
- Harry, er... Tudo bem? – Rony perguntou sem jeito.
- Hã? Ah, sim Rony. Vamos sair daqui. – disse o garoto voltando ao normal e guardando a carta no bolso das jeans que usava e seguiu com seus amigos pra descer as escadas.
- Err.. Harry, o que aconteceu lá em cima no quarto? – Rony perguntou meio sem jeito, mas curioso e acabou levando um pisão no pé de Hermione.
- Ai – o ruivo exclamou.
- Não precisa bater nele Mione, não tem problema, eu falo. – Harry falou calmamente, mas ainda perturbado com as vozes que ouvira. – Eu cheguei no quarto e comecei a ouvir vozes sabe? Eram da minha mãe, suplicando por minha vida e de Voldemort, falando pra ela se afastar e, então ele disse a maldição. Foi quando eu gritei e vi o raio verde vindo na minha direção e, então eu caí.
- Oh Harry, deve ter sido tão horrível pra você. – disse Hermione deprimida.
- É cara, que ruim! E aquela carta? Era de quem? – Rony perguntou em um tom, se é que é possível, triste e curioso.
- Era da minha mãe. Ela tinha escrito dois dias antes de morrer. – Harry disse triste e pensativo e, sem aviso nem nenhum tirou a carta do bolso e esticou para seus amigos.
Rony e Hermione entreolharam-se, Hermione pegou a carta e começou a ler, acompanhada de Rony. A medida que lia, lágrimas brotavam do rosto da garota e escorriam por sua face sem ela perceber. Rony a medida que lia a carta, mudava a expressão, tornando assim impossível de descrever o que estava achando.
- Oh, Harry, que lindo. – Hermione disse emocionada.
- É cara até eu me emocionei. – Rony completou.
- É deprimente alguém tão boa ter vivido tão pouco. Quero dizer, nem teve tempo pra ela fazer as pazes com sua irmã e tudo mais. – Harry disse triste.
- Ah Harry, é realmente horrível. – Hermione disse.
- Bem, eu sei que você ficou abalado no quarto, mas, você quer dar mais uma olhada na casa? Você pode achar algo que te interesse, não? – Rony disse.
- Acho que eu vou dar uma olhada mesmo. Eu sei que parece estranho, mas, eu estou me sentindo estranho aqui. Parece que, sei lá, tem algo ruim aqui. – o garoto falou confuso.
- Eu poderia até achar estranho, mas eu também não estou me sentindo bem aqui. – Rony disse.
- Eu também não. – Hermione acrescentou, pensativa.
- É estranho, eu me senti mais ou menos assim quando eu fui na caverna com Dumbledore, é como se tivesse algo muito maligno aqui. – Harry disse.
Harry e Rony olharam para Hermione, a garota parecia que estava pensando alto, ignorando totalmente a presença dos garotos ali.
- Bem... Faz sentido, se ele escolhe lugares importantes, bom aqui foi, de fato marcante. Mas, será que ele seria tão ousado? Porém tudo se encaixa perfeitamente, só pode ser isso.
- Mione, quem seria tão ousado? Por que aqui é marcante? O que só pode ser? Você tá deixando a gente confuso. – Rony perguntou completamente confuso e, ele e Harry ficaram olhando pra ela assustados.
- Harry você acha possível que alguma horcrux esteja aqui?
Harry pareceu considerar a idéia. A garota continuou.
- Isso explicaria a sensação de algo maligno, porque uma parte da alma de Voldemort é realmente maligna. Bem, acho que sim pq, aqui foi um lugar marcante pra ele. – Hermione disse.
- Faz sentido Mione, mas como ele iria esconder aqui, quero dizer aonde? – Harry perguntou
- Não sei Harry, mas é melhor a gente dar uma olhada por aqui e procurar por algo que possa ser.
Sem esperar mais nada, os garotos começaram a olhar a casa a procura de algo estranho. Passaram-se aproximadamente meia hora e, quando os garotos estavam quase desistindo, Rony tropeçou em algo.
- O que foi isso Rony? – Hermione perguntou preocupada.
- Tropecei em algo embaixo desse tapete. – E dizendo isso levantou o tapete para descobrir o que era. Harry e Hermione correram até lá e deram de cara com um alçapão.
- Será que está aí? – Rony indagou.
- A gente só vai descobrir se olhar. – Harry respondeu e tentou abrir o alçapão que, se mostrou irredutível. O garoto tentou de todas as formas possíveis e nada adiantava.
- Harry, será que não precisa dar alguma coisa? Você não disse que na caverna tinha que dar sangue? – Hermione disse.
Harry olhou para o alçapão curioso, como se procurasse por algo e, seus olhos registraram uma parte do alçapão. O garoto pegou a varinha, fez um corte no braço e esfregou seu sangue na parte do alçapão que antes observava. Ouviu-se um click e o uma das portas abriu-se aos garotos.
- Episkey. – Harry murmurou apontando para o próprio braço e o corte sumiu.
- Lumus. – os garotos ouviram a voz de Hermione ao fundo e fizeram o mesmo.
Desceram com cautela a escada que havia abaixo das portas do alçapão e, quando chegaram ao último degrau, avistaram uma caixa aveludada em cima de uma escrivaninha. Desceram o último degrau e Hermione sentiu algo roçar em sua perna, subitamente olhou para o chão e sufocou um grito. Harry e Rony olharam para o chão e viram lá haviam várias cobras, deslizando.
- Afastem-se. – Harry disse na língua das cobras e apontando a varinha para as cobras acrescentou: - AGORA!
A maioria das cobras afastou-se e os garotos seguiram. A sensação ruim, á medida que eles avançavam, ficava pior. Hermione começou a cambalear e em alguns minutos desmaiou.
- Hermione! – gritou Rony e, ele e Harry correram em direção a garota. – Acorda! Harry o que aconteceu? – Rony perguntou desesperado.
- Não sei Rony, mas deve ser porque ela é nascida trouxa e deve ter menos resistência a esse lugar. Eu sou mestiço e também não estou me sentindo bem aqui. Você deve ser o que menos se sente mal por ser sangue puro.
- Eu estou bem... Porém aquela sensação de algo ruim ainda está me atormentando.
- ok! Vamos ver se isso funciona. – Dizendo isso ele apontou a varinha para a garota desmaiada e gritou: - Enervate!
Hermione mexeu-se e começou a acordar lentamente.
- O que aconteceu comigo? – ela perguntou curiosa.
- Você se sentiu mal e desmaiou. Acho melhor você sair daqui! – Rony falou preocupado.
- Não! Eu quero ficar aqui, quero ajudar vocês! – a garota protestou e tentou levantar, mas cambaleou e Rony segurou ela.
- Escuta Hermione, eu que você quer nos ajudar, porém, você é nascida trouxa e não vai conseguir ficar aqui! Até eu estou passando um pouco mal aqui, mas eu tenho que continuar. Você não consegue nem ficar em pé. – Harry disse.
- Tudo bem então. – A garota disse dando-se por vencida.
Ela foi levantar-se novamente, mas Rony impediu-a e carregou a garota e a levou até as escadas, aonde a deixou lá sentada esperando.
Eles voltaram do ponto em que tinham parado e começaram a seguir lentamente em direção a caixa.
E então eles avistaram uma coisa que não tinham visto antes. Uma esfinge. Entreolharam-se assustados, mas seguiram em frente.
A esfinge disse:
- Vocês estão muito próximos dos seus objetivos, porém pra chegar lá precisam passar por mim. E vocês só podem fazer isso se decifrarem meu enigma. Se acertarem de primeira, deixo-os passarem, se errarem eu irei prendê-los aqui e aqui ficarão presos, definhando, até o resto de seus dias. Se ficarem em silêncio, deixarei que vocês voltem para o lugar que estavam antes. Não achem que se depois de feito o enigma vocês ficaram em silêncio e voltarão depois para eu fazer outro. Se tentarem fazer isso ficarão presos aqui. – a esfinge disse com sua voz profunda e rouca.
- Muito bem! Então qual é o enigma? – Harry perguntou irritado.
“As vezes fantasma
As vezes criança
Pegadinhas e desavenças
Adoro zoar
Mas quando outro chega
Vou embora
Quem sou eu?”
Os garotos pensaram, bastante tempo, não poderiam perder aquela chance. Então um olhou para o outro e Harry disse com uma voz preocupada:
- Um espectro?
- Sinto muito garoto, resposta errada! – a esfinge falou.
E dizendo isso, os garotos começaram a sentir um vento ao redor deles e de repente sentiram como se estivessem sendo sugados. Não tiveram tempo de fazer nada, apenas foram arrastados pra dentro da esfinge e quando perceberam estavam em um lugar escuro, frio, pendurados por correntes e sem nenhuma saída. Ficaram desesperados.
Hermione da escada viu tudo acontecer, viu quando a esfinge os desafiou e tentou gritar pra eles que a resposta era um poltergaist, porém de nada adiantou. Ela não podia ficar parada ali enquanto seus amigos estavam presos dentro de uma esfinge. Não ela Hermione Granger, ela iria fazer alguma coisa. Levantou-se decidida e começou a ir em direção à esfinge. As cobras tentaram avançar sobre a garota, porém ela foi mais rápida e fez alguns movimentos com a varinha. Três cobras simplesmente desapareceram no ar e as outras ficaram ligeiramente com medo. Hermione não tinha tempo para ficar vendo se as cobras estavam com medo ou não e, nem esperou até que elas tentassem a atacar novamente, a garota apenas seguiu em direção a esfinge. Não se importava com a tontura que estava sentindo, que cada vez ficava mais forte.
Ouviu aquela voz profunda e rouca novamente.
- Vocês está muito próxima de conseguir salvar seus amigos e juntos pegarem o que tanto desejam, porém você precisa passar por mim. E você só pode fazer isso se decifrar meu enigma. Se acertar de primeira, deixo-a passar e trago seus amigos de volta, se errar eu irei prendê-la aqui e aqui ficará presa junto aos amigos, definhando, até o resto de seus dias. Se ficar em silêncio, deixarei que volte para o lugar que estava antes. Não pense que se depois de feito o enigma você poderá voltar para o lugar que estava e depois voltar até aqui para que lhe seja feito outro enigma. Se tentar fazer isso eu irei prendê-la até a sua morte.
- Muito bem. Responderei o enigma, se eu acertar você devolve meus amigos e nos deixa passar até a caixa certo? – Hermione perguntou
- Certo senhorita. – A esfinge lhe respondeu
- Tudo bem então. Diga-me qual é o enigma
“No vermelho eu vivo
No vermelho eu morro
No vermelho eu fico
No vermelho eu sugo
Meu nome deriva da terra
Minha carapaça indestrutível
Um feitiço simples contra um
A morte contra vários
Quem sou eu?”
Hermione pensou por um instante. Esse enigma poderia ser difícil para muitas outras pessoas, mas não pra ela. Ela era a garota mais inteligente em seu ano na escola. Ela sabia a resposta.
- A resposta é: Barrete Vermelho! – ela disse decidida.
Ela sentiu um vento ao seu redor, mas ao contrário do que aconteceu com os garotos, ela não foi sugada. Passaram-se alguns segundo e Harry e Rony foram cuspidos da esfinge.
- Tiveram sorte garotos, se a sua amiga não tivesse acertado o enigma, ficariam aí pra sempre. – a esfinge falou e desapareceu milagrosamente, deixando Harry, Rony e Hermione frente a frente da caixa.
- Brigado Mione, não sei o que seria de nós sem você! – Rony agradeceu.
- Provavelmente não estariam vivos pra me agradecer! – Hermione respondeu convencida.
- Sabe, você não está errada. Vamos tentar pegar a caixa agora? – Harry completou.
Rony e Hermione fizeram um movimento afirmativo com a cabeça e eles seguiram até a caixa. Harry tentou pegar, mas não conseguiu.
- Deve ter algum tipo de proteção para que só Voldemort possa pegar!
- Exatamente Mione, mas o que seria? A marca negra?
- Não Harry, acho que não. Ele não se arriscaria tanto, pois um comensal dele poderia traí-lo, descobrir seu segredo e destruir a horcrux. Acho que é algo que só Voldemort tem.
- E o que seria? – Rony perguntou curioso.
Hermione pensou por alguns instantes e então, como se uma lâmpada tivesse se acendido acima da cabeça da garota ela exclamou triunfante:
- Com certeza o sangue dele!
- Ah.. Muito legal, e como nós vamos conseguir o sangue de Você-sabe-quem para pegar a caixa? – Rony perguntou sarcástico.
- Ah Rony, às vezes você me assustada com essas perguntas idiotas. Você por um acaso esqueceu-se de como Voldemort voltou ao poder? – a garota perguntou impaciente.
- Hum... Aa... Ele usou o sangue do Harry né?
- Gênio! – Hermione falou sarcasticamente.
- Será que vai funcionar Mione? – Harry perguntou preocupado.
- Bem, foi a única resposta que eu consegui achar.
Harry não esperou mais nada, fez um movimento com a varinha e seu sangue começou a escorrer pela caixa, que o absorvia. Por um momento, Harry achou que não ia funcionar, porém, ele tentou pegar a caixa e dessa vez conseguiu. Murmurou um feitiço pra fechar o corte e abriu cuidadosamente a caixa. E lá estava, brilhante, a taça de Hufflepuff que ele tinha visto na penseira de Dumbledore. Mostrou-a para os amigos com um sorriso triunfante e eles sorriram também. Os garotos começaram a voltar para a escada, dessa vez sem a interrupção das cobras que, perceberam que era perigoso tentar atacar os garotos. Subiram as escadas e, quando Harry já estava preparado para fazer o corte no braço, Rony o interrompeu:
- Não Harry, você já perdeu sangue demais hoje. Eu faço, só aponta pra onde eu devo passar o sangue.
Harry observou a porta do alçapão com atenção, passou a mão nela por alguns instantes e então apontou um lugar para Rony. O ruivo fez um movimento com a varinha e um leve corte apareceu em seu braço. Ele esfregou aonde Harry tinha mostrado, os garotos ouviram um “click” e a porta do alçapão abriu-se. Os garotos ouviram algumas vozes distantes e Harry começou a sair cautelosamente. Quando já estava completamente fora ele reconheceu uma das vozes.
- Oh! Se não é o garoto Potter!
- Bellatrix... – o garoto disse cerrando os dentes e olhando para a mulher com uma expressão mortal.
- Accio cai...
- PROTEGO
O grito de Harry atraiu mais alguns comensais e logo tinha, além da de Bellatrix, mais duas varinhas apontadas pra ele.
- Ora, ora. O garoto veio visitar a casa dos papais, que bonitinho! – Um comensal grande e encapuzado que Harry não conhecia a voz disse.
- Dessa vez o Potter está encurralado. Sem os papais pra ajudarem, sem meu querido primo Sirius, sem Dumbledore. Sua sorte está acabando né garoto? – Bellatrix disse com um sorrisinho na boca.
De repente, passaram por Harry, dois raios vermelhos, que atingiram os outros comensais. Harry aproveitou que Bellatrix tinha ficado distraída e estuporou-a também.
- A sorte do Harry não acabou. Não enquanto ele ainda tiver amigos! – Rony disse firme.
Harry olhou pra trás, e lá estavam Rony e Hermione sorrindo pra ele. Ele ficou impressionado que até Rony, que tinha mais dificuldade tenha lançado um feitiço completamente silencioso.
Hermione fez um movimento com a varinha e cordas apareceram e enrolaram os comensais. Porém todo o barulho que os garotos tinham alertado os outros dois comensais que estavam de guarda na casa. Antes que eles chegassem Harry falou à Hermione:
- Mione, você é a única que pode aparatar aqui. Vá até o ministério ou na Toca, não sei. Chame alguém pra vim prender esses comensais e nos ajudar. De preferência alguém da Ordem, mas se você não encontrar ninguém chame algum auror. Mas vá rápido, por favor.
A garota apenas balançou a cabeça, Harry ouviu o famoso “crack” e a garota sumiu. Harry virou-se e viu mais dois comensais robustos.
- Expelliarmus! – um dos comensais tentou atingir Harry.
- Protego! – Harry olhou pro lado, Rony travava uma verdadeira batalha com o outro comensal.
- Cru...
- Protego!
- É, o garoto Potter está aprendendo a brincar direitinho. – o comensal disse zombando
Harry concentrou todas as suas forças em atingir o seu oponente e, mandou um estupefaça silencioso que atingiu em cheio o comensal. Rony aproveitou que o comensal que estava enfrentando havia se distraído-se e o petrificou.
- Incarcerous! – Rony gritou e os dois comensais foram envolvidos por cordas.
No mesmo instante Hermione aparatou com Shacklebolt, Moody e mais dois aurores que Harry não conhecia.
- Vim o mais rápido que pude Harry, eu aparatei no ministério e tinha encontrado só o Moody quando Shacklebolt passou por nós e eu expliquei a situação pra ele. Aí ele chamou esses dois aurores para ajudá-lo. – Hermione falou ofegando. Com certeza tinha corrido bastante pra achar alguém.
- Bom trabalho Harry e Rony. Cinco comensais de uma vez. – Moody disse visivelmente satisfeito.
- Bem se não fosse a Mione, a gente não ia conseguir prender aqueles três. – Rony disse e apontou para os três comensais amarrados.
- E Lestrange também... Ela é sem dúvida uma das comensais mais procuradas pelo Ministério. – um dos aurores falou.
- O que vocês faziam aqui Lestrange? – Shacklebolt perguntou. A mulher continuou calada. O auror enfiou a mão no bolso e tirou um frasquinho com uma poção sem cor nem odor. Fez a comensal beber à força e em seguida perguntou novamente:
- O que vocês faziam aqui Lestrange?
A mulher fez contorceu o rosto de uma forma estranha, como se estivesse lutando pra não dizer, mas acabou por dizer, entre os dentes:
- Milorde nos mandou aqui para vigiar algo.
- E o que seria isso?
- Não sei, ele não nos disse. Só disse para ficarmos em guarda e eliminássemos qualquer um que entrasse aqui. Disse também que provavelmente Potter viria até aqui visitar a casa dos pais. Ele quer a ele. – a mulher disse, muito contrariada.
- Creio que o seu Lord não ficará muito feliz com você Bellatrix. Ele te disse algo mais? – Moody perguntou ameaçador.
- Para que se alguém tentasse sair daqui com uma caixa aveludada fosse morto no mesmo instante. E que era pra protegermos essa caixa com nossa própria vida. – Ela disse chorosa. – Eu falhei, eu vou ser castigada, ele vai me matar! – disse entrando em desespero.
- Poupe-nos Bellatrix. Não queremos ouvir seus dramas. – Moody disse frio.
- Harry, vá até a pousada e pegue suas coisas, estaremos esperando vocês lá em 10 minutos.
- Moody, pra onde vai nos levar? – o garoto perguntou curioso.
- Por mais que você não queira, por enquanto vocês irão ao Largo Grimmauld. Você entenderá.
Harry não falou mais nada e seguiu com os amigos até a pousada, pensativo. Não queria voltar para aquela casa, as lembranças de Sirius vagando por lá infeliz o machucavam. Olhou pra frente e viu a fachada da pousada. Entrou suspirando e foi até o quarto. Estava arrumando suas coisas quando viu uma coisa no seu malão que o deixou intrigado. Um pacotinho brilhante que ele nunca tinha visto antes em suas coisas. Ao pegar, percebeu que havia algo parecido com um cartão embaixo do pacote e, em seguida leu.
“Harry sei que deve estar estranhando isso, mas é o meu presente de aniversário para você. É algo que te fará lembrar de mim nas horas em que precisar. Desculpe-me não ter entregado pessoalmente eu nem sei o porque de eu ter feito isso. Parabéns, mesmo que atrasado.
Te amo
Com carinho,
Ginny ”
Harry pegou o pacote e, com cuidado o abriu. Tinha uma pequena corrente e nela tinha algo escrito em alguma língua em que ele imaginou ser latim. Ficou analisando aquelas palavras “Omnia Vincit Amor”
Não pensou duas vezes, colocou a corrente no braço e guardou o cartão no malão e, ao fazer isso percebeu que a carta que sua tia tinha lha entregado ainda estava lá, intacta. Mas ele não teria tempo pra ler ela agora, deixaria pra ler quando chegasse em Londres. Acabou de arrumar as coisas e desceu.
[N/A] Brigado pra qm comentou.
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