A Carta
CAPÍTULO 6: A CARTA
Com quem iria ao baile? Essa pergunta simplesmente não saía de sua cabeça, tomando vários de seus minutos, horas e noites... Podia até parecer paranóia, mas não era. Ele não queria sair com uma qualquer, tinha que ser alguém especial, linda, educada... alguém como Kitty... “Pare de pensar nela!” falou para si mesmo, “Ela vai com o Potter, e não há nada que você possa fazer, ele deve ter algo que você não tem... mas o quÊ?”
Era de cedo , Draco já estava atrasado para a refeição da manhã, vestiu rapidamente suas vestes, e meio que desarrumado entrou no Grande Salão, onde foi soldado por algumas meninas da sua casa.
_Oi Draquinho! Nós estávamos te esperando! Guardamos um lugar para você!
_Ahn... Obrigada.- respondeu o garoto indiferente, mirando a mesa da Corvinal, onde Kitty conversava animadamente com uma menina morena, igualmente bonita, aliás. Igualmente não, ninguém se iguala a beleza inconfundível de Lavieur
_ E então, com quem você vai ao baile?- perguntou uma menina esbelta.
_Ainda não sei ao certo...-respondeu Draco ainda sem tirar os olhos da mesa ao lado.
_Então pode escolher!- disse a menina novamente, apontando as amigas e ela principalmente.
_Olha... Eu não quero sair com nenhuma de vocês...
_Deixa de ser grosso Malfoy!
_Não estou sendo grosso, aliás, tenho todo e pleno direito de escolha não é mesmo? Sendo que não as dispensaria com vocês.
E foi para outro canto da mesa, na verdade, não sabia ao certo se havia sido grosso ou não, mas não suportava mais esses bandos de interesseiras. Pegou um pernil de coelho-roxo, algumas torradas e um copo de suco de abóbora, já estava quase terminando a refeição, quando o Salão foi invadido por um bando de corujas, que entregam as cartas todos os dias á seus respectivos donos, como acontecera com ele próprio.
Draco Malfoy,
Desculpe-me pela inconveniência de escrever tão humilde carta á uma pessoa tão nobre, não precisa ler se quiser, mas caso o faça, me deixaria muito contente...
Não sei se lembra de mim, sou aquela tonta desastrada que trombou em você ontem no meio da tarde sem querer, a Carol. Gostaria apenas de dizer que estou sem par para o Baile de Outono, e se não achar um rápido, o meu pai vai abusar sexualmente de mim... Como ele sempre faz quando tenho de voltar para casa, só que simplesmente eu não agüento mais, e, pela minha sorte, ele é muito covarde com a presença de qualquer alma masculina... Então, se importaria de ir ao Baile comigo? Porque caso eu não arrume, ele vai ser o meu par... Olha! Desculpa mesmo por isso, ok? Você já deve ter um par sendo quem você é, esquece tudo o que eu te disse... E desculpas, 1.000 desculpas novamente...
Atenciosamente,
Carolina
Draco terminara de ler a carta, ficara meio impressionado, seria mentira? Sendo ou não, não havia arrumado um par, e, além de bonita, seria por uma boa causa... Definitivamente, decidiu que iria ao baile com a garota.
Após as aulas, Draco a procurou por todo o castelo, perguntou aos alunos de Hogwarts... Nada, pouca gente a conhecia, pelo jeito era tímida, as pessoas se referiam a ela como “a menina dos olhos de gato”, até que depois de muito andar, uma menina da Corvinal, que era amiga de Carolina, informou que ela estava estudando na biblioteca.
Draco caminhou até o 3o andar, entrou pela biblioteca, procurando anciosamente por trás de livros, estantes, e no silêncio profundo, a imagem da garota.
Até que finalmente a encontrou, em uma extremidade da biblioteca, sozinha, sumida por baixo de uma montanha de livros, levou susto quando o garoto a cumprimentou, tanto foi que caiu para trás e quase derrubou a estante na qual estava escorada.
_Oi...-disse ela- tenho que ir, ok? Até mais Draco.
_Ow! Espera! Eu li sua carta e...
_Ai você leu! Pelas barbas de Merlim! Desculpa! 1.000 desculpas, a gente nem se conhecia direito e eu já vim falando de minhas intimidades como se já fossemos íntimos, olha... estou muito sem graça, não fica com raiva de mim... –afobou a garota corada, tropeçando nas palavras, quando Draco a interrompeu sorrindo.
_Calma, eu acredito em você, e mais do que isso, aceito o seu convite...
_Eu já sei! Não precisa explicar, você é bonito popular e já tem par... eu entendo e... O QUÊ?
_Isso mesmo, vou com você ao baile, Carol.
_Você deve estar brincando com minha cara, eu sei que sou ridícula mas tenho sentimentos viu??- gritou a garota, que fez a biblioteca inteira voltar a atenção para os dois.
_É sério-respondeu ele.
_Jura?
_Aham.
_Nossa! Muito obrigado! Muito obrigado mesmo!!!- sorriu a garota timidamente, dando um abraço em Draco, que como a garota, parecia um tomate de tão vermelho.
_Desculpa-disse ela logo em seguida, soltando rapidamente o garoto.
_Então... me conta mais sobre você e seu pai, se quiser é claro.
_Eu gostaria de não falar sobre isso, pelo menos agora...- falou Carolina, cujo sorriso se transformou rapidamente em uma boca triste e seca.
_Eu entendo... Então, marcado?
_Sim-respondeu ela, voltando ao estado corado original.
_Tchau, Carolina, tenho que ir, daqui á pouco é o jantar.
_É mesmo, quer que eu lhe faça companhia?
_Mas você está ocupada com seus estudos.
_Não, já acabei- o que não era verdade, mas Draco aceitou sua presença mesmo assim, conversaram durante todo o jantar, ela era uma menina legal e divertida, apesar de ele não conseguir entender o fato da menina avermelhar-se a quase toda frase que recitava.
_Bom Draco, foi bem legal te conhecer, tenho que admitir que pensava que você era um garoto metido, mas foi só primeira impressão.
_Eu também gostei de te conhecer, Adeus.
Draco já ia subindo a grande escadaria de mármore quando ela disse:
_E ah Draco!
_O quê?- virou o garoto
_Obrigada novamente...
_Eu que agradeço pela companhia...
E a partir dessa frase, cada um foi para o seu respectivo rumo.Draco deitou-se na cama, pensando em Carolina, mas foi desiludido quando em seus sonhos viu Kitty.
“As coisas lindas, mais do que findas, estas ficarão.”
Carlos Drummond de Andrade
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