Um só



CAPÍTULO 4: Um só

O garoto levantara exausto, parecia que aqueles pensamentos equivaliam ao peso de uma montanha sobre as costas, baixou a cabeça pensativo, e seguiu seu caminho.
Já estava entrando pela enorme porta do castelo de Hoqwarts, quando para sua tristeza, viu Kitty e Potter juntos, não estavam se beijando, mas isso fora motivo suficiente para o sangue subir sua cabeça, e ele avançar para cima do menino de cicatriz.
Draco puxou sua varinha e gritou: “verdimilious uno”!, Harry voara para trás. E batera com a cabeça em um dos Gárgulas que guardavam o térreo, a garota, sensibilizada, correu para ajudar o garoto, mas ele levantara por conta própria, e ao invés de devolver o ataque, para surpresa de todos, simplesmente levantou e disse:
_Não preciso me rebaixar ao seu nível, Malfoy.- e deu as costas, acariciando a cabeça, que agora estava com um galo enorme por causa do impacto.
Draco ficara surpreso com a atitude do menino, confuso não sabia o que fazer, estava ofendido e ao mesmo tempo impressionado com tamanha resposta, eles nunca haviam se dado bem, e já haviam duelado mais de uma vez. Porém tomara a pior das atitudes, sua fraqueza absoluta falou mais alto, sim, aquela fraqueza que todos nós temos de resolver as coisas pelo modo mais fácil ao invés de pensarmos. Atacou o menino pelas costas, com um feitiço que o fez ficar envenenado, um veneno tão grave que o levaria a morte em poucos minutos se não fosse rápido tratado, o pior dos venenos, aquele que é a mistura do ódio, desprezo, inveja, o veneno que atinge a alma, e que mesmo tendo uma vítima, a dor maior vai para o praticante.
Imediatamente, no meio do tumulto ali formado, madame Pomfrey e Snape apareceram ás pressas , o professor o examinou e disse:
_Posso fazer uma poção para amenizar o veneno,porém não posso cura-lo, essa magia é muito forte, e só pode ser curada por completo com as lágrimas de arrependimento de quem a usou.
Todos olharam para Draco, ele sentiu o peso da raiva no ar, todos o olhavam com rancor, mas na verdade ele era a vitima.No meio do silêncio, a figura de Kitty transpareceu no meio da multidão, caminhou até o menino paralisado e o abraçou. Ele sentia no meio daquele frio, daqueles olhares obscuros, um calor, um fiaco de esperança.
_Draco, eu tenho dó de você, sei que não é culpado, que não tinha a intenção de praticar tão poderosa magia, a pessoa sofrida é aquele que nada tem no coração além de sentimentos ruins, nada adiantou você atacar o Harry, palavras podem ferir muito mais que agressões físicas... Perdão é algo que você não está acostumado, ao menos sabe o valor, o verdadeiro significado disto? Para as pessoas te perdoarem, você tem que se perdoar primeiro, será que perder uma vida é indiferente para você? Pense nisso...
Dizendo essas palavras, Kitty o abraçou mais forte, uma lágrima escorreu de seus olhos e ela o largou, e foi sumindo... sumindo no meio de tantas outras cabeças.
O garoto ficou lá, seu olhar opaco criou uma camada brilhante de lágrimas, ele fechou as pálpebras, aquelas palavras mexeram com ele... será que valia mesmo a pena ser tão rude e ogro?ser tão insensível? Ele não é assim. Ninguém é assim...
_Lembre-se de quem você é... – sussurrou a voz de Kitty no meio da multidão...
Draco abriu os olhos, sentiu seu peito queimar, queimar de um jeito bom, o coração batera mais forte, gostava daquela sensação, teria se perdoado? Soltou um sorriso imperceptível á olhos nus... olhou o garoto sofrendo, envenenado, sangrando á sua frente, chorando de dor e desespero, vendo está cena, Draco viu em Harry ele mesmo, sempre fora assim que ele se sentira por dentro, uma dor horrível e ninguém fazendo nada para ajudar... Talvez ele e Harry não fossem tão distantes quanto parecesse, naquele momento eles eram um só, separados somente por dois corpos diferentes...
O menino correu para o outro que se contorcia no chão, o abraçou forte e começou a chorar como nunca chorou na vida, todos os sentimentos ruins, as pessoas, sumiram. Estavam apenas os dois envoltos pelo nada. Harry parou de sentir dor, levantou, porém o outro continuou ajoelhado no chão, sofrendo... Os seus grandes olhos verdes miraram o garoto, longos minutos, que mais pareciam horas, envolveram o rapaz, que no meio do silencio arrancou aplausos, quando ajudou Draco a se levantar e os dois se abraçaram longamente...
No meio de todos aqueles olhares curiosos, o sorriso de Kitty brotava e contagiava a todos.

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