O fim é apenas o começo
20º capítulo – O fim é apenas o começo
“O amor não floresce com o mal, mas pode padecer por ele. A tristeza não é eterna, nem mesmo a felicidade. Eu sei que ainda contarão nossa história, a Branca de Neve Malvada que conquistou o bonzinho leão grifinório. Talvez riam de mim, talvez riam de nós. Ou talvez nos admirem, porque tivemos coragem suficiente. Ou então, caros ouvintes, talvez sintam pena. Sim... Pena. Porque, em alguns momentos, ter esperança é só partir seu coração, mais uma vez. E eu estou prestes a descobrir o fim do caminho.”
Colin Creevey
Colin puxou a namorada para fora do castelo. A tarde já estava indo embora, as aulas tinham finalmente acabado. A segunda, saindo fora das previsões de Gina, não tinha sido uma completa catástrofe.
-Não podemos ir muito longe – Lexie avisou enquanto se deixava levar – Eu ainda quero tomar banho antes do jantar.
-Eu sei – ele se virou e sorriu rapidamente – Só quero aproveitar esses minutos.
Eles se esconderam perto de algumas árvores imensas. Lexie sorriu e deu um beijinho rápido em Colin.
-Quando estivermos em Londres, quero que você conheça meus pais – ela comunicou – Mamãe vai morrer quando souber que eu e Pansy estamos com grifinórios.
-Família toda Sonserina? – ele perguntou divertido.
-Essa é a questão – Lexie suspirou - Mamãe era uma grifinória, já meu pai e toda a família sempre foi Sonserina. Como os Malfoy – ela sorriu quando ele a abraçou com cuidado. Colin a tratava como a mais frágil das criaturas. Isso só fazia com que ela o amasse mais.
-Eu amo você garotinha – ele sussurrou antes de beijá-la.
***
Hayden segurou as fotos com raiva, o coração martelando no peito. Jogou tudo na cama e saiu do quarto batendo a porta. Colin era a porra de um traidor.
A raiva parecia crescer a cada passo, uma raiva imensa, sufocante. Elisha estava parada na entrada do salão comunal, já chorando. Como ele tinha sido burro! Os sumiços de Colin, sua repentina felicidade, o ar de apaixonado. Estava tudo na cara dele, o tempo todo. Ele se lembrou de uma vez que Lyss tinha lhe alertado, citando que Colin e Lexie se encontravam nos jardins. E as fotos, as milhares de fotos que Colin escondia em um fundo falso do guarda-roupa, eram claras o suficiente para que ele tivesse uma idéia de onde eram os encontros dos dois.
-Eu sei onde eles estão – ele comunicou Elisha, andando tão rápido que ela quase tinha que correr para alcançá-lo.
O sol estava se pondo, mas ele não se preocupou em apreciar. O cheiro das flores parecia dominar tudo... Ele se sentia sufocado. Estava prestes a explodir.
-HEY COLIN! – ele gritou sem fôlego.
Colin saiu de trás de uma imensa árvore, Lexie logo atrás.
-Hayden! – Colin olhou assustado, Elisha tinha parado um pouco atrás – O que está acontecendo?
-Como você pode? – Hayden se aproximou e o socou no rosto.
-QUAL O SEU PROBLEMA? – Lexie gritou enquanto ficava na frente de Colin – Qual o seu problema SEU IMBECÍL!
-Tudo bem Lexie – Colin tirou a mão do rosto – Olha cara, eu não sei o que aconteceu aqui, mas... Vamos conversar.
-Não sabe? – Hayden bufou de raiva. Dessa vez Colin estava preparado e desviou – Você sempre soube como eu me sentia pela Lexie e ainda assim...
-E eu Lexie? – Elisha chorou – Somos melhores amigas e você sai com o Colin? Como você pode Lexie? De todas as suas maldades essa foi a mais cruel.
-Você não ama ninguém Hayden, ninguém! – Colin o socou no rosto – Elas não estão na sua mão pra que você decida quando quer uma ou outra. Faith, Lexie ou Zéllie. Elas não são sua propriedade.
-Cala a boca! – Hayden o socou de novo.
E mais uma vez. Colin mal tinha tempo de revidar os socos. Lexie e Elisha continuavam discutindo, as duas chorando. A confusão chamou atenção rapidamente e antes mesmo que todos se dessem conta, a briga tinha parado. Draco olhava incrédulo para os dois garotos e as duas chorando. O que diabos tinha acontecido?
Hayden e Colin estavam jogados no chão, sangrando. Naquela tarde mais do que alguns ossos se quebraram. A amizade dos dois, e das duas garotas, estava, irremediavelmente, partida.
***
-Pansy! – Scarlett correu até ela – Você tem que vir comigo.
-O que foi? – ela se desgrudou de Harry e olhou preocupada para a melhor amiga.
-É a sua irmã Pan – Scarlett respirou fundo, tentando recuperar o fôlego – Eu estava no jardim com os meninos e estava rolando a maior pancadaria. O Hayden e a Elisha descobriram.
-Droga! – Pansy saiu apressada para os jardins.
Harry encarou Scarly, sem saber o que fazer.
-Anda Potter! – Scarlett bateu palmas uma vez – Avisa a porra da Weasley e manda ela arrumar isso. Porque Deus sabe que se a rainha não conseguir, ninguém consegue – ela não precisou mandar duas vezes.
***
Ginevra parecia uma leoa enjaulada enquanto esperava Madame Pomfrey tratar os machucados de Colin. Faith estava segurando a mão dele, estranhamente concentrada. Provavelmente tentando curá-lo, esquecendo que a magia negra não é nada boazinha.
Brooke e Dakota estavam do outro lado da enfermaria, cuidando de Hayden. Gina não conseguia pensar em Lexie e Elisha, não ainda. Estava furiosa demais com o estado de Colin. Queria matar Hayden por machucá-lo, queria destruir quem tinha feito isso.
-Você tem que reagir! – Gina sentou na frente dele, os lindos olhos verdes dela brilhando como uma maldição mortal – Danem-se Hay e Elisha.
-Eu vou matar quem contou, pode ter certeza – Faith garantiu, ainda segurando firmemente a mão dele. As mãos dela estavam estranhamente geladas, e Colin conseguia sentir uma estranha vibração. Quase como uma corrente elétrica.
-É tudo culpa minha Colin – Gina sussurrou – Me desculpa.
-Isso não é culpa sua – ele a abraçou suavemente – Não é culpa de ninguém realmente.
-Você não entende – ela se levantou da cama e voltou a andar pelo lugar, parecia estranhamente perturbada – Eu sabia que os rebeldes se dividiriam em dois grupos, eu sempre soube... Só nunca imaginei que iam ignorar todas as ordens.
-Que ordens? – Faith a olhou atentamente – O que você sabe e não nos contou?
-Não é nada – Gina desconversou – Eu preciso conversar com Hayden e resolver isso – ela se ajoelhou na frente de Colin e olhou seriamente para ele – Eu vou resolver isso, juro pra você.
Faith ficou com os olhos cravados em Ginevra. A garota estava desconfiada, e muito irritada. A janela trincou no mesmo segundo, assustando Colin e a enfermeira. Faith nem se deu ao trabalho de conferir o estrago feito, ela já estava se acostumando com essas coisas.
***
Draco sabia, no instante em que a briga começou, que todas as promessas de Gina iam para o ralo. Ele sabia que ela jamais se arriscaria a outro escândalo quando precisava vingar o melhor amigo. Ele não podia se importar menos com todo o drama que sequer deveria existir.
-Infeliz? – Millie perguntou enquanto se sentava do lado dele no sofá.
-Consideravelmente – ele suspirou pesadamente, encostou a cabeça em uma almofada e fechou os olhos – A gritaria acabou?
-Bem, a Lexie está no quarto da Pansy, então sim – Millie se aproximou ainda mais dele no sofá – Sabe Draco, você é um partidão. Não entendo como insiste em correr atrás da rainha. Ela é tão má.
-Pode-se dizer que Ginevra é meu karma – ele deu um pequeno sorriso.
-Acho que nem toda a beleza do mundo vale tanto sacrifício – Millie continuou observando-o, olhos famintos – Eu sei que você passou os últimos dias tentando fazer ciúmes, e talvez tenha até conseguido. Mas também sei que ela não terminou com o Tad, e dificilmente vai fazer isso tão perto do fim do ano. Isso poderia arruinar o reinado dela no ano que vem.
-O que você acha que eu deveria fazer então? – ele inclinou a cabeça um pouco e abriu os olhos – Qual seu sábio conselho Millicent? – ele estava sendo irônico, mas ela não poderia se importar menos.
-Pode ser antigo Draco, mas beijar outra ainda é o melhor remédio – ela sorriu enquanto se levantava – Nem o coração gelado dela vai poder ficar imune.
***
Annie, Lyss e Wynter se encontraram perto da Grifinória. Elas estavam felizes pela perfeita execução do plano, mas a sensação de que tinham aberto um ninho de cobras continuava.
-Porque você nos dividiu? Os outros não são confiáveis? – Lyss perguntou – Os irmãos Cady seriam de grande utilidade. Eu sei que Max quer ocupar o posto de capitão de quadribol. Você poderia prometer isso a ele.
-Olha Alyssa, eu realmente queria jogar Cora e Elle na rua, mas ainda é cedo demais. E os outros são fiéis a elas, tenho certeza – Annie mexeu distraidamente em uma mecha de seu cabelo – Não importa, de qualquer maneira. Tudo saiu exatamente como planejamos.
-Qual o próximo passo? – Wynter perguntou.
-Vou direto no coração de tudo – Annie sorriu, se sentindo a própria Malévola – Ginevra e Draco, é claro. Na verdade eu já comecei com isso. Millicent me deve alguns favores, eu a convenci a falar a coisa certa no momento certo. Pode ser que ela já tenha até começado agora mesmo.
***
Delilah saiu do salão comunal da Grifinória no exato momento em que a reunião terminava. Ela olhou desconfiada para Wynter e Lyss. Annie já estava descendo as escadas, completamente alheia à Delilah. Ou apenas ignorando. Com ela nunca dá pra saber.
-O que você está fazendo aqui? – Alyssa exigiu – Veio continuar o serviço sujo de espionagem? Tarde demais pequena demônia.
-Ela vai acabar com você – Delilah olhou com raiva para Lyss – Não se dê ao trabalho de continuar qualquer coisa que tenha começado.
-Te vejo depois – Wynter murmurou enquanto desaparecia dali. A pequena demônia lhe dava calafrios.
-Corre e conta tudo para sua líder, espiã mirim dos infernos – Lyss sorriu desagradável – Já é tarde demais, você sabe.
-Vocês são muito baixos mesmos – Delilah cruzou os braços e encarou Lyss sem medo – Colin é o único que nunca fez mal a ninguém. Ele não merecia isso.
-Ah sim, pequena justiceira do pau oco – Lyss passou por ela calmamente – A vida é uma vadia, não é mesmo?
***
Huxley passou a mão pelos cabelos pela milionésima vez. Ele olhou e revisou a lista com os possíveis nomes para o time de quadribol. O problema é que ele não conseguia se concentrar. De jeito nenhum. Dakota continuava dançando em sua mente, a mais radiante das estrelas.
-Hei! – Sven chamou enquanto se aproximava com Nash – Escondido no salão comunal e perdendo toda a confusão?
-Que confusão? – Hux olhou curioso para os amigos.
-Parece que rolou uma briga agora mesmo. A rainha está furiosa – Nash comentou casualmente enquanto se sentava no sofá de três lugares e apoiava o pé na mesa de centro – Acho que contaram para o Hayden sobre o Colin e a Lexie. E você sabe como o Colin é o tendão de Aquiles da Ginevra.
-A rainha estava trabalhada na revolta quando passou por mim – Sven comentou com os olhos arregalados. Ele ainda estava impressionado com a raiva nos olhos da ruiva – Sabe cara, eu não sei como foi que você conseguiu namorar a Gina. Ela é realmente assustadora quando quer.
-Ela não é tão ruim assim – Hux riu – Vocês viram a Dakota por aí?
-Dakota? – Nash fingiu pensar – Uma loira gostosíssima que estuda na Grifinória? Huummm...
-Esquece a garota e pensa no time – Sven aconselhou – Mas se você quer mesmo saber, ela estava com a rainha controlando os danos.
Ah claro, Hux suspirou. Ginevra sabia como monopolizar tudo e todos, sempre com um propósito. Garotinha má.
***
Gina estava absolutamente furiosa enquanto percorria o castelo. Sua mente trabalhava tão rápido que ela mal podia se acompanhar. Só ia capitulando idéias e transformando-as nas mais lindas vinganças. Mas primeiro, ela tinha que saber quem tinha feito isso. Era coisa de Annie, muito provavelmente, mas ela não gostava de agir sem ter certeza. Principalmente agora que as regras tinham mudado.
-Hei! – Max Cady reclamou quando Gina trombou com ele, quase arremessando-o contra a parede.
-Ah sim, você – ela olhou furiosa pra ele. Max deu um passo para trás – Você está no meio disso Cady? Sei de toda a coisa sobre seu grupinho pseudo-justiceiro.
-Juro que não fomos nós! – ele ergueu as duas mãos no alto – Pode virar essa sua cara nervosinha para outra pessoa.
-Veja bem... – ela se aproximou dele, um dedo tocando o peito de Max ameaçadoramente – Já que vocês são cegos demais pra perceber, vou deixar minha dica. A vadia da Annie está liderando metade de vocês para cometer essas atrocidades, e eu vou pegá-los e vou destruí-los – ela continuou, sua mão tremia de raiva – É bom você avisar Cora e Elle sobre isso. Ou elas controlam a situação, ou eu cuido disso.
Max ficou de queixo caído enquanto via Gina partir. Ele nunca tinha realmente entendido todo o fascínio acerca da rainha. Sim, ela era uma obra de arte belíssima, mas ele nunca tinha entendido. Ele entendia agora. E também percebia que não queria ficar na mira dela. Nunca.
***
Delilah ignorou absolutamente Myron, Rich e Valentin e começou a mexer nas coisas de Hayden. A cama de Colin estava cheia de fotos espalhadas, a bagunça muito provavelmente tinha sido causada por Hayden.
-Delilah isso não é lá muito legal – Rich comentou casualmente.
-Ordens da Gina – ela disse sem parar de puxar e fechar gavetas – E vocês deveriam estar tentando ajudar Faith a reaproximar Colin e Hayden.
-Você sabe que isso só vai acontecer se o Col terminar com a Lexie – Myron cruzou os braços, os olhos fixos em Delilah – O que você está procurando?
-O início – Delilah o encarou, olhos fixos e sinistros – Agora me ajudem.
***
Lexie estava deitada na cama de irmã, curtindo o absoluto silêncio. Ela queria ver Colin, ter certeza de que ele estava bem, mas sua irmã a convenceu que não seria o melhor momento para dar as caras. Hayden e Colin deviam estar conversando.
Ou não.
-Então é aqui que você está se escondendo – Elisha falou enquanto entrava no quarto. A voz dela estava insuportavelmente fria.
-Eli... – Lexie sentou na cama e encarou a melhor amiga (será que ainda eram isso?) – Me desculpa. Não foi de propósito... Só aconteceu.
-Ele sempre foi apaixonado por você – Elisha falou enquanto andava devagar pelo quarto – Eu via isso nos olhos dele, o tempo todo. Era tão insuportável. Partia meu coração todas às vezes.
-Sempre? – Lexie ofegou – Desde antes de...
-Sim! – Elisha a cortou, a voz ainda fria e sem emoção – Ele amava a Branca de Neve Malvada, a princesinha da Sonserina. Você nunca o olhou, é claro, estava preocupada em sair com Hayden e meio mundo.
-Se você sabia, porque namorou ele então? – ela chorou baixinho, o coração ficando mais partido a cada momento.
-Eu amava o Colin, não que você vá entender isso. Mas eu amava. E quando você deixou bem claro que não ia olhar pra ele, nunca... Eu pensei que tinha uma chance – Elisha suspirou, a primeira emoção que ela demonstrava – O Colin é perfeito, é claro que eu só o amei mais ainda. Acho que eu ainda amo – ela se sentou na cama de Scarlett, bem de frente para Lexie – Você entende isso Lexie? Eu amo ele.
-Eli... Eu também amo – Lexie jurou, os olhos brilhando de lágrimas e dor – Eu amo muito, como nunca amei ninguém. Você tem que acreditar em mim. Eu nunca quis te machucar.
-Mas machucou Lexie... – Elisha levantou e caminhou até a porta – Eu entendo você, mas não posso suportar isso. Se você escolher ficar com ele, pode esquecer que um dia fomos amigas.
***
Zéllie entrou na Corvinal possessa. Ela não conseguia nem mesmo olhar na cara de Hayden. Como seu estúpido namorado podia ter tido uma crise de ciúmes por causa de outra garota? Ela queria matá-lo. Mas não ainda, primeiro precisava ajudar Gina em sua cruzada particular da vingança.
Lola Welch estava conversando aos sussurros com Miguel Corner, seu ex.
-Hei Welch – Zéllie chamou enquanto parava na frente dos dois – Gina quer falar com você. Ela está lá fora.
-O que ela quer? – Miguel perguntou preocupado.
-Não sei – Zéllie deu de ombros – Mas eu não demoraria muito, a rainha é impaciente.
***
O quarto estava escuro e silencioso quando Colin entrou. Seus amigos estavam espalhados no salão comunal, todos com aquela cara de enterro. Ninguém sabia o que dizer ou fazer, Colin entendia o sentimento. Ele mesmo estava perdido. Lexie não tinha aparecido ainda, mas ele já tinha mandado um bilhete pra ela.
-Precisamos conversar – uma luz acendeu perto da janela. Hayden.
-Você está mais racional agora? – Colin cruzou os braços e gemeu baixinho de dor. Seu braço esquerdo ainda estava latejando.
-Desde quando Colin? – Hayden foi direto. Tanta raiva em sua voz que era difícil falar.
-Muito tempo depois de vocês terminarem – Colin falou e se sentou em uma das camas do quarto – Mas eu gostava dela muito antes de vocês começarem a sair – confessou – Ela nunca quis nada comigo, eu fiz a idiotice de sair com a Elisha... E então vocês voltaram e terminaram e você começou a correr atrás da Zéllie... E a Lexie finalmente me olhou. Eu não traí você Hayden, juro.
Hayden soltou um longo suspiro, a mente fervilhando de pensamentos confusos.
-Quando fiquei sabendo eu só conseguia pensar que vocês tinham me enganado por meses – ele confessou – Eu não pensei em nada, só queria matá-lo.
-Bem, isso eu percebi – Colin deu uma risadinha – Eu jamais trairia você.
-Eu sei Col – Hayden fechou os olhos e apoiou o rosto nas mãos – Eu pirei, acho que foi isso. Eu gostei muita da Lexie, mas não me sinto mais assim hoje. A Elisha, no entanto, ainda gosta de você.
-Eu sei... E é por isso que eu estou preocupado com o sumiço da Lexie – Colin focou os olhos na janela, tentando ver o céu – Você ainda me odeia?
-Não – Hayden deu um pequeno sorriso – Mas vou demorar pra me acostumar com a idéia, pode ter certeza.
A porta foi aberta abruptamente. Os dois garotos olharam assustados a ruiva furiosa. Gina olhou atentamente os dois, procurando sinal de mais uma briga. Tudo parecia em paz, no entanto.
-Já se resolveram? – ela perguntou, sobrancelhas erguidas.
-Pode-se dizer que sim – Hayden deu de ombros.
-Excelente – Gina se aproximou de Hayden e esticou a fotografia – Me fale sobre isso.
-Como você conseguiu essa foto? – Hayden puxou o papel nas mãos. Era uma foto de Colin e Lexie se beijando, atrás uma simples frase: “Nas coisas do Colin você vai encontrar milhares de fotos” – Você mexeu nas minhas coisas?
-Jura que você quer discutir isso? – Gina o encarou – Colin, suas fotos estavam espalhadas pelo quarto, a Delilah fez o favor de guardar tudo de volta. Também foi ela que encontrou isso. Pode falar Hay, já conversei com algumas pessoas e sei que não foi ordem da Cora e da Elle, o que me dá duas possibilidades. Lyss fez sozinha, ou fez com a Annie.
-Annie, Lyss e Wynter me entregaram a foto – Hayden confessou – Elas garantiram que era verdade... Eu fui atrás da Elisha e nós viemos pra cá. Eu achei as outras fotos e você já sabe o resto.
-Certo – Gina pegou a foto de volta e jogou para Colin – Isso é seu Col.
-Espera, você já vai? – Hayden se levantou.
-Claro que sim, meu bem – Gina deu um sorrisinho sinistro enquanto andava até a porta – Eu preciso arruinar algumas pessoas.
***
Annie olhou curiosa pela janela, vendo Faith voltar da Floresta Proibida com Tad Nott. Ela tinha percebido que os dois estavam pálidos, como se tivessem feito algum esforço. Ela aproveitou a escuridão do corredor e tentou escutar o que eles falavam, os dois estavam cada vez mais perto.
-Você precisa tomar o remédio Faith – Tad estava dizendo – Foi por pouco hoje. Você viu o que você fez com aqueles pássaros?
-Eu não queria matá-los – Faith falou irritada – Apenas aconteceu. Eu só preciso aprender a manipular toda essa energia.
-Faithie, estamos brincando com fogo... Quando eu a encontrei você estava fora de controle – os dois pararam de andar, Annie, boquiaberta, continuou a ouvir – Você podia ter matado o Colin.
-Eu jamais faria isso – ela sussurrou indignada.
Annie viu quando Faith passou sozinha por ela, indo em direção as escadas. A garota mal podia acreditar na própria sorte. Todo mundo sabia que Tad Nott tinha sido viciadíssimo em magia negra, será que Faith tinha isso agora? Seria um escândalo sem precedentes. Ela precisava ter certeza, confirmar a informação.
A corvinal continuou seguindo Faith andar por andar. Por fim, no quarto andar, Faith pegou um corredor. Empolgadíssima, Annie não percebeu que Tad estava logo atrás.
-Hei Annie, procurando por mim? – a voz de Faith soou às suas costas. Ela se virou, assustada – Sabia que a curiosidade matou o gato?
-Eu ouvi tudo – Annie cruzou os braços – Tudinho Faith. Agora você está nas minhas mãos, sabe disso, não é?
-Será? – Faith franziu o cenho e fingiu pensar – Eu acho que não.
Annie congelou quando sentiu a varinha de Tad em sua têmpora. Com um rápido movimento Tad lançou um feitiço de memória.
-Garotinha chata – Faith murmurou enquanto agitava as mãos. Annie foi jogada para o outro lado do corredor, colidindo dolorosamente contra a parede de pedra.
-Precisava disso? – Tad observou o corpo inerte da garota – Você a machucou.
-Ela mereceu – Faith deu de ombros e voltou a andar – E ela está viva. É isso que importa, certo?
Tad balançou levemente a cabeça e voltou a seguir Faith.
***
Gina estava perdida, não sabia por onde começar. Ela sabia que Colin e Lexie eram um caminho sem volta agora, mas ainda podia vingá-los. Isso envolveria todos os rebeldes, incluindo Cora e Elle. E, é claro, ela precisava lidar com a escolha dos capitães de quadribol, precisava lidar com Draco Malfoy. E passar de ano.
-Cara, que estressante – ela murmurou.
Uma coisa de cada vez, ela respirou fundo. Andou até o saguão do castelo e ficou olhando para o jardim pelas portas abertas. Já tinha anoitecido, o jantar seria servido em meia hora. O tempo estava terrível... Provavelmente...
-Gin! – Tad andou apressado até ela – Como estão as coisas?
Ela não disse nada quando ele a abraçou. Estava magoada e cansada. Com todo o escândalo de Colin ela não poderia terminar com Tad, não ainda. Draco precisava entender isso. Um escândalo e tudo estaria perdido... Seu sétimo ano perfeito viraria cinzas.
-Nada bem – ela suspirou e fechou os olhos, tentando encontrar segurança nos braços do namorado. Ainda assim, só conseguia ver fios loiros e o sorriso cruel de Draco Malfoy.
-Escuta, nós precisamos conversar sobre uma coisa séria – ele murmurou. Depois de encontrar Faith prestes a matar Colin na enfermaria, Tad tinha entendido que ela precisava de ajuda. Seriamente.
-O que é? – Gina se afastou dele e o encarou. Ela estava tão chateada por seu melhor amigo, e por ser em parte a causa de tudo o que tinha acontecido – Se for tragédia me fala amanhã? Ainda não me recuperei.
-Tudo bem – ele sorriu fracamente – O que vai fazer com a Annie?
-Dar um jeito de expulsá-la – os olhos da rainha brilharam com raiva – Não quero ter que olhar para a cara dela ou da Annie no ano que vem.
-Bem, vamos pensar em algo, tenho certeza – ele a tranqüilizou.
Gina sorriu e começou a sentir o nó se desfazendo em sua garganta. Era isso. Ela expulsaria as vadias, manipularia o resultado dos capitães para o time de quadribol e conversaria com Draco. Ele entenderia. Ele tinha que entender.
-Tenho certeza que sua pequena espiã vai dar um jeito – Tad brincou e mexeu no cabelo dela. O lindo cabelo sangue de Gina.
Ela continuou sorrindo, já era capaz de ver a luz no final do túnel. E foi então que o trem veio e a atingiu com a força de mil maldições mortais.
I-I-I-I, I'm seeking in
You know that's something's got to
Draco estava do outro lado do saguão, olhando diretamente para os dois. De longe ela conseguia ver o brilho feroz nos olhos dele, um incêndio azul. O sorriso morreu em seus lábios... Para nascer nos lábios dele.
Draco sorriu com raiva, um ódio cego. Ele odiava ver Tad com as mãos nela, tocando-a e beijando-a na frente de todos. A dor em seu coração foi grande demais. Ele ficou cego. Tad continuava alheio à troca de olhares, ainda falando sobre qualquer coisa… Gina continuou com os olhos fixos em Draco, sentindo tanta dor quanto ele.
Something's got you and then you told yourself
You found a modern Mona Lisa, yeah
You gave up all your love
You said fool's keeper
You got no money, it doesn't mean a thing
You got time, the time is everything
We all gonna die, stay away
Listening to the records that you love
Now you're saying
Millie vinha andando em direção a Draco, já sabendo muito bem o que fazer. Ela preferia não se envolver na briga da monarquia x rebeldes, mas Annie conseguia ser bem convincente quando tinha um segredo obscuro nas mãos.
Gina viu Draco olhar Millie, sorrir ainda mais... E então a beijar. Gina arfou, como se tivesse sido apunhalada. Tad a olhou assustado, sentindo o corpo da namorada tremer em suas mãos.
-Gina o que foi? – ele a segurou pelos ombros.
-Nada... – ela soluçou junto com um enorme trovão, que ressoou no céu noturno.
Tad olhou para trás e viu a cena. Draco sequer disfarçava, já que estava beijando Millie de olhos abertos. Tad olhou incrédulo para Gina, que parecia prestes a desmoronar.
-É por ele? – perguntou magoado.
O trovão foi o único som que a tirou do torpor. E então o barulho da chuva. Ela estava paralisada, arrasada, despedaçada. Draco continuou beijando Millie. Tad a encarava astutamente. Olhos faiscando. E então ela soube que tinha que correr dali. Correr rápido como se estivesse fugindo do próprio Diabo. Ela não se despediu, ou se explicou, só virou em direção a imensa porta de carvalho que levava aos jardins e correu. Correu e correu. Seu peito estava doente, sua respiração falha, suas mãos tremiam. Todo o autocontrole das últimas semanas estava evaporando como a neve na chegada da primavera.
O gelo dentro dela estava derretendo. E doía. Muito. Ela correu um pouco além do jardim principal, a chuva gelada encharcando suas roupas e misturando-se as lágrimas. Era como se o céu estivesse a seu favor, mandando aquela chuva para encobrir suas vergonhosas lágrimas. Ela continuou chorando. Dessa vez mais forte.
-Gina! – Tad puxou seu braço e a virou de frente para ele – O que aconteceu?
Ela não respondeu. Não precisava. Tad olhou para ela, incrédulo, magoado.
-Você o ama Ginevra? – ele gritou em meio ao barulho da chuva, colérico – Você ama Draco Malfoy?
I-I-I-I, I'm seeking in
You know that's something's got to
Something's gotta give, uh, uh, uh
-Essa não é a pergunta Tad – ela continuava chorando – Nunca foi.
-E qual é a pergunta? – ele a segurou pelos ombros. Queria abraçá-la, ela parecia tão perdida.
A chuva estava mais forte.
-A pergunta é se eu amo você Tad – ela sussurrou, ele ouviu tão claro quanto o trovão que encheu seus ouvidos logo em seguida.
-E você ama? Você me ama? – ele a apertou com mais força.
Gina controlou o choro, e respirou fundo. Ela não podia ouvir nada além das batidas do seu coração. Como se todos os sons do mundo tivessem sido desligados por um segundo. E ela soube a resposta.
-Você me ama? – ele perguntou mais uma vez.
-Não.
Dessa vez foi ele quem se virou e correu para longe.
***
Lexie abriu a porta com pesar. Tinha chorado sem parar por tanto tempo que todo o seu corpo doía. Colin tinha marcado um encontro em uma das salas do corredor das masmorras. Ele já estava lá quando ela chegou. Sentado calmamente em uma cadeira, cheio de hematomas e cortes. Ela segurou um soluço e piscou rapidamente, afastando as lágrimas. Vê-lo machucado doía ainda mais.
-Lexie... – ele sorriu enquanto se levantava e andava até ela – Como você está meu amor? Eu falei com o Hayden e está tudo bem. Ele entendeu.
Lexie deixou que ele a abraçasse, era a última vez afinal. Ela chorou baixinho, agarrada a camisa azul céu dele. Colin jamais entenderia sua decisão, ela sabia. Mas Lexie tinha isso dentro dela, a estúpida lealdade à Elisha. Ela não queria destruir uma amizade de tantos anos por um garoto, ainda que o amasse com todo o coração. Tinha medo de se arrepender, de escolher o caminho errado.
De cometer o mesmo erro que tantas tinham cometido antes dela. O garoto antes da amizade, para no final se encontrar sozinha. Não, ela não queria isso.
And then you showed yourself
And all the colors that you fear, oh, oh, ohhhh
It doesn't mean a thing,
You got love, you got everything
Talk online, stay awake
Listen to records that we love
-Você está terminando comigo, não está? – ele a abraçou ainda mais apertado, chorando em silêncio – Lexie eu amo tanto você, e demorei tanto tempo pra conseguir... Não me deixa.
-Desculpa – ela soluçou e se afastou dele – Eu não posso ser essa garota Colin. Eli realmente ama você, eu sempre soube disso.
-Lexie não... Por favor não me deixa – ele esticou as mãos e a segurou pelo ombro – Eu valho a pena, juro pra você. Ninguém nunca vai te amar como eu amo – ele a segurou delicadamente – Meu coração é seu Lexie.
-Eu não posso – ela continuou chorando – Desculpa Colin.
Ele olhou enquanto ela se virava e ia embora. A dor tão grande que parecia detonar todo o seu corpo, uma dor física. Ele não conseguia respirar, não conseguia pensar. Seu estômago parecia doente... Suas pernas pesadas demais.
Ele andou sem rumo pelo castelo, mal prestando atenção aos trovões que parecia chacoalhar tudo. Ele saiu para o jardim, ignorando os alunos que lhe lançavam olhares de piedade. A chuva o despertou, a dor ficou ainda maior. Ele andou distraído, concentrado apenas no seu corpo latejando. Parou perto dos vestiários de quadribol, do lado do campo. Estava tão encharcado que seu tênis fazia barulho quando pisava.
Ele entrou no vestiário, se assustando ao ver Gina deitada em um banco.
I-I-I-I, I'm seeking in
You know that's something's got to
Something's gotta give
Is gotta give
(Something´s gotta give – OneRepublic)
-Gin... – ele se aproximou dela – O que houve?
-Dói tanto Colin – ela chorou – Tanto.
Os dois se abraçaram, fundindo dores e lágrimas. Os corações tão partidos que parecia impossível reparar. Talvez fosse mesmo.
***
Faith entrou no quarto de Noah sem bater na porta. Ela já sabia que ele estava sozinho. A tempestade tinha piorado, e o castelo chacoalhava com cada trovão.
-Oi – ele sorriu um pouco apático. Noah não era mais o mesmo desde o dia em que Faith usara magia para confundir sua mente.
Ela o observou atentamente, e tentou entender o que possivelmente tinha ganhado com aquilo. Seu namoro permaneceu, mas a troco de que? Ela sequer podia dizer que gostava dele. Não quando pensava em Tad o tempo todo.
-Oi querido – ela sorriu maternalmente e se sentou do lado dele na cama.
Noah fechou os olhos quando Faith segurou suas mãos. Ela se concentrou na magia que fazia suas mãos formigarem, a magia que parecia sempre prestes a explodir.
-Acho que nós devemos terminar Noah – ela disse com calma – E você vai ficar muito bem. Você nem gosta mais de mim.
Ele olhou confuso para ela, sentia seus braços pesados, uma energia estranha percorria todo seu corpo. Um segundo depois ele sorria e concordava.
Faith saiu do quarto pouco tempo depois, realmente aliviada agora que estava solteira. Ela deveria ganhar um prêmio, no mínimo, já que tinha tido o fim de namoro mais pacífico do mundo todo. Talvez devesse tentar usar isso em Zéllie e Hayden, que estavam brigando há mais de meia hora.
-Tad! – ela sorriu quando o viu virar o corredor – Adivinha só, estou solteira.
-Eu também – ele resmungou e continuou seu caminho para o dormitório.
-Hei – ela correu para alcançá-lo – Qual o problema?
Tad suspirou e a segurou pela mão, quase arrastando-a até seu quarto. Owen estava de saída, e eles puderam ficar sozinhos.
-Então? – ela sorriu e sentou na cama dele – Conta tudo.
-Ela ficou arrasada quando viu o Malfoy com outra. Fim.
-Bem... – Faith suspirou e mudou de lugar para Tad deitar na cama. Ela deitou do lado dele, os olhos fixos no teto escuro – Você não deveria ficar tão chateado, você sabe que não ama ela. Nunca amou.
Tad se virou e a observou de perfil, a linda e perigosa Faithie. Ele não conseguia ver as asas negras, mas sabia que elas estavam ali. Consumindo Faith, transformando-a como uma massinha de modelar. Se Ginevra era a rainha má, Faith era a princesa malévola.
***
-Eu tenho medo Col, medo de terminar com Tad e ver minha popularidade cair em zero. É esse meu medo. Eu sempre estive ligada ao nome de algum menino importante... E se foi por eles que cheguei aqui? E se sozinha eu cair?
-Você precisa descobrir isso sozinha. Mas isso não vai acontecer. Você não percebe o próprio potencial... Você é uma gigante. Você derrubou os monstros sozinha. É sobre Ginevra Weasley que todos falam, não sobre quem você namora.
-Draco não entende isso. Eu amo ele, de verdade. Mas somos tão jovens, e ele vai embora. Aqui é fácil namorar um Malfoy, mas lá fora ele é tão malditamente rico e famoso. Ele vai ser um grande empresário e eu vou ser um nada perto dele... Se eu me envolver de verdade, sei que ele só vai partir meu coração.
-Eu sei que você está exausta – Colin falou – Mas ás vezes é bom pedir ajuda Gina.
-Eu sei... Mas não posso. Eles esperam que eu resolva tudo, e eu sempre quis esse papel. De ser a salvadora, aquela que manda e desmanda. Como eu posso chegar até eles e dizer que preciso de ajuda? – eles ficaram em silêncio por alguns minutos, perdidos em suas próprias tragédias.
-Gina uma coisa realmente estranha aconteceu hoje – Colin murmurou. Os dois continuavam deitados e abraçados.
-O que foi? – ela murmurou baixinho.
-Quando eu estava na enfermaria a Faith segurou as minhas mãos e... – ele respirou fundo, ainda tinha medo de pensar no assunto, falar em voz alta parecia impossível – Eu senti muita energia correndo dela pra mim. Era tanta, tanta energia, que um pouco ficou em mim. Eu cruzei com Tad no corredor, assim que fui liberado, e quando ele falou comigo, encostou a mão no meu ombro... E eu sei que você vai falar que foi um delírio, mas eu não acho que foi.
Os dois continuaram abraçados, Gina tremia agora. As peças finais estavam se encaixando. Ela não queria acreditar nisso.
-Eu senti a energia saindo da ponta dos meus dedos e me ligando ao Tad, e então eu vi uma cena. Não foi um delírio, foi uma memória – Colin abaixou ainda mais a voz – Eu descobri qual é o grande segredo do Tad.
-O quê? – Gina arfou, tremendo ainda mais – Você está me dizendo que Faith te deu poder suficiente para ver uma memória do Tad só por tocá-lo?
-Isso mesmo – Colin confirmou e se sentou no banco. Gina também se sentou, os olhos fixos no melhor amigo – Você já sabe o que isso quer dizer.
-No dia do jogo de quadribol, toda aquela chuva e o vento... Eu senti a magia negra por todos os lugares... Era a Faith – Gina olhou aterrorizada – Os vidros quebrando, a música que aumenta quando ela está por perto, as melhorias nela mesma... Tanta coisa errada e eu estúpida demais para ver porque tinha medo da verdade.
-Assim como você tem medo de descobrir o que seu namorado fez.
-Eu não tenho mais medo – ela parecia decidida – Já sei que Tad contaminou a Faith, só pode ter sido ele. Coincide com o tempo em que Tad tomou as poções do Snape e se curou. Faith mudou depois disso – ela fez uma pausa – Eu quero saber. Qual o segredo de Tad Nott?
-Tad é, era... Um viciado em Magia Negra. Sua namorada na época descobriu e tentou se afastar, tentou começar uma vida nova. Arranjou um namorado. Ele não podia permitir. Ele não conseguiu deixar para trás.
-O que... Aconteceu?
-O garoto foi encontrado morto, afogado.
-Fatalidade.
-A garota enlouqueceu.
-Ela está internada?
-Ela gritou por semanas. Coisas horríveis. Monstros de fumaça que a perseguiam, fantasmas no seu quarto... E por fim ela...
-O que houve?
-Ela se matou.
***
Faith se sentia absurdamente feliz. Ela saiu da Sonserina sem dar atenção aos cochichos e caras feias. Percorreu os corredores como se estivesse pisando em uma nuvem. O mundo parecia tão pequeno para ela, tudo estava aos seus pés. Tão perfeito. Tão manipulável. Gina era a rainha de Hogwarts, mas ela era a rainha do universe.
Sail!
Ela subiu as escadas para a Grifinória, elétrica demais para esperar pelo jantar. Talvez pudesse convencer Brooke e os meninos a fazer algo. Qualquer coisa. Ela estava explodindo e a chuva era forte demais para pensar em ir lá fora.
Estava quase no topo da última escada para o andar da Grifinória quando Annie apareceu. Ela cruzou os braços e encarou Faith furiosamente.
-O que você fez comigo vadia? – ela estava com tanta raiva que tremia – Eu estava te seguindo e então acordei no chão, toda dolorida. O que você fez?
-Eu não fiz nada – Faith a olhou com desprezo, nem um pouco animada para uma briga – Agora se você me der licença.
Annie esticou as mãos, pronta para empurrar Faith escada abaixo. Mas não foi isso que aconteceu. Faith piscou e em um segundo elas mudaram de lugar. Agora Annie estava nos degraus e Faith no topo da escada, um sorriso cínico nos lábios. Olhos completamente vermelhos.
This is how I show my love
I made it in my mind because
I blame it on my A.D.D. baby
-Meu Deus! – Annie arfou. Não era a grifinória ali, não com aqueles olhos vermelhos. Ela parecia possuída.
-Adeus Annie – Faith acenou distraidamente, e, mesmo sem tocar na garota, Annie foi arremessada para trás. Rolou pelos degraus e parou, imóvel. Sem nem perder um suspiro, Faith virou as costas e foi embora.
***
-Mais uma coisa pra fazer! – Gina mergulhou o rosto nas mãos – Faith precisa de tratamento urgente. Se ela fez aquilo com o tempo, criando uma tempestade, Deus nos ajude quando ela piorar.
-E o Tad? – Colin a observou – Vai fazer alguma coisa?
-Nós terminamos Col – Gina balançou levemente os ombros – E eu não acho que ele seja mais um risco. Ele ficou imune à magia negra. Ainda assim... Pensar no que ele fez. Eu fico feliz por termos terminado. Draco tinha razão quando falava – ela colocou a mão no peito, seu coração doía só com a menção do nome de Draco.
-E quanto ao resto? – ele sussurrou.
-Acho que eu finalmente vou descobrir se consigo sem rainha sem ninguém. Pensei bem e vou ficar sozinha – ela sorriu triste – Temos tão pouco tempo de aula, eu não quero um relacionamento com data de validade. Draco é importante demais pra mim.
-Você sabe quem fez isso comigo?
-Sei – ela olhou para o vazio, pensativa – Annie, Lyss e Wynter.
Colin viu de perto a mudança na rainha. Em um segundo uma ruiva apática, no instante seguinte ela era uma força da natureza, os olhos verdes brilhando ameaçadoramente enquanto ela abriu um sorriso cruel.
This is how an angel dies
I blame it on my own supply
blame it on my A.D.D. baby
-Eu já sei o que fazer com elas Col. Você será vingado e eu vou conseguir o que queria quando comecei tudo isso – Gina levantou – Vai dar tudo certo.
-Quando você começou o que? – ele também se levantou.
-Explicações ao seu tempo Col – Gina sorriu – Eu conto tudo quando acabar. Agora vai jantar. Eu tenho muito o que fazer.
***
Elisha realmente se sentia péssima por sua amizade com Lexie, mas ela não conseguia lidar com a idéia de um relacionamento Lexie e Colin. Não quando ela o amava ainda.
-Hei você – Rony sorriu enquanto andava até ela.
A loirinha o observou atentamente, provavelmente esperando uma explosão de raiva. Nada disso, Rony só a abraçou ali mesmo, bem na frente da entrada do salão comunal da Sonserina. Foi tão surreal que Eli começou a chorar.
-Está tudo bem Eli – ele a tranqüilizou – Eu sei como você se sente. Ainda penso na Dominique. Tudo vai passar, você vai ver.
É, Rony é mesmo um bom menino. Pena que sua irmã esteja se transformando na encarnação do mal.
***
Draco sabia que algo estava errado quando Gina não apareceu para jantar. Até mesmo Colin estava ali. A chuva continuava caindo, impiedosa. Ele olhou ansioso para uma janela. Na última vez que a vira ela estava correndo para os jardins, para o meio da tempestade.
-Eu juro que não te entendo – Pansy falou enquanto o encarava fixamente – Quando foi que beijar outra virou uma boa idéia?
-Não sei do que você está falando – ele virou o rosto, irritado e confuso.
-Você não entende de mulheres, mas entende de poder – Pansy continuou, falando baixo o suficiente para que só ele pudesse ouvi-la – Pensa em tudo o que ela fez pra chegar ao patamar de hoje, nos sacrifícios, nas crueldades. E então me fala Draco, você realmente acha que ela trocaria isso por semanas com você?
-É isso que ela não entende – ele murmurou, feroz – Ficar comigo não vai ser o fim da popularidade dela. Não são esses estúpidos que me chamam de príncipe sonserino? Eu sou alguém.
Sail!
Sail!
Sail!
Sail!
Sail!
-Exatamente Draco – ela sorriu – E ano que vem você estará Deus sabe onde, cuidando das suas coisas. Mas ela.... Ela vai continuar aqui. Por muitos meses ainda. E você lá fora. Nem mesmo Draco Malfoy pode garantir o futuro, mas ela pode se garantir. E é isso que ela vai fazer.
-O que eu faço Pansy? – pela primeira vez ele parecia quase frágil.
-Você torce pra que ela esqueça você e Millicent, torce para que ela seja sua por pelo menos os últimos dias de aula. É isso que você faz.
***
Naquela noite, assim que o jantar acabou, toda a monarquia recebeu a mesma nota.
“Os rebeldes estão por minha conta agora. Não precisam mais investigar, o que vocês conseguiram é suficiente. E eu vou conseguir todo o resto sozinha. Vou lidar com isso da minha maneira.
G. Weasley”
***
-Eu não entendo o motivo dessa reunião – Annie reclamou – Eu já disse que fui atacada pela puta da Faith e quase quebrei o pescoço.
-Você certamente está bem – Cora retrucou – Ou não estaria aqui falando sem parar.
-Eu vou matar aquela puta louca – Annie continuou falando – Vou jogá-la da Torre de Astronomia.
-Vocês podem parar de brigar? – Tony Camonte reclamou – Já são onze horas e hoje é segunda-feira ainda. Preciso dormir.
-Vai ser rápido – Elle levantou da cadeira e andou para perto de Cora, que estava na frente da pequena sala – Nós recebemos uma carta bem perturbadora depois do jantar. Nosso líder expôs fatos realmente preocupantes.
-Já sabemos que você liderou metade do grupo Annie – Cora sorriu falsamente – Já que vocês querem independência, sintam-se livres para ir.
-Você está nos expulsando? – Lyss quase rosnou – Quem vocês acham que são?
-A carta foi bem precisa – Elle continuou, ignorando abertamente Lyss e os resmungos de Wynter e Annie – Vou ler para vocês. “Quero a imediata expulsão de Jimmy Doyle, Jack Torrence, Tony Camonte, Clyde Barrow, Annie Wilkes, Alyssa Ryan e Wynter Bates.”
-Vocês não podem fazer isso! – Tony gritou.
-Sim, podemos – Max levantou e andou até Elle e Cora – Já sabemos que foram vocês que mandaram a foto do Creevey e da Lexie, quando tínhamos ordens para não fazer.
-Vocês podem ir agora – Selina disse com um sorrisinho falso.
***
Gina andou decidida pelo castelo. As lágrimas já tinham secado, a chuva já tinha parado. Sua mente, no entanto, continuava fervilhando. Ela não ia mais brincar de esconde-esconde, agora ia ser pega-pega.
***
-Tem mais – Cora avisou assim que os sete expulsos foram embora – Essa carta foi realmente diferente de tudo o que já recebemos até hoje.
Eles ouviram uma batida fraca na porta.
-Quem pode ser? – Lola olhou horrorizada para a porta. Se eles fossem pegos fora do toque de recolher iam ter mil problemas.
-O líder pediu que trouxéssemos mais algumas aquisições ao grupo – Elle abriu a porta. Dois meninos entraram.
-Spencer! – Selina gritou – Você?
-Miguel? – Lola sorriu.
-Eles são as novas aquisições? – Matthew perguntou. Ele não conseguia ter certeza, mas podia jurar que Lexie tinha saído com Miguel Corner enquanto saia com ele.
-Exatamente – Elle sorriu para eles – Bem vindos, vocês estão aqui por algum motivo importante, tenho certeza.
-Quer dizer que vocês não sabem? – Ian olhou horrorizado para elas – Isso pode ser a porra de uma armadilha.
-Eu concordo – Max se mexeu, desconfortável – Eu topei com a Ginevra e ela parecia realmente infeliz. Talvez devêssemos sair daqui.
-Não é uma armadilha – Cora revirou os olhos – O mais importante vem agora – ela e Elle sorriram – Vamos descobrir quem começou com a idéia dos rebeldes, quem enviou as cartas para mim e Elle todo esse tempo. Ele vai vir aqui.
No entanto, quando a porta abriu, a surpresa não foi boa.
-Todos aqui, excelente – Gina sorriu enquanto entrava na sala – Presumo que vocês já tenham percebido quem eu sou – ninguém tinha formulado uma palavra ainda, estavam horrorizados demais.
-É uma... É uma armadilha? – Elle murmurou – Você veio procurar vingança pelo Colin e pela Lexie?
-Queridos – Gina revirou os olhos e andou até o centro da sala – Se eu quisesse vingança contra vocês, já teria feito – ela foi andando e entregando um envelope para cada um – O motivo de ter incluído Spencer e Miguel é porque eu decidi que os quero como capitães de quadribol, e uma vez que vou ajudá-los, espero que eles me ajudem.
-Eu capitão? – Spencer olhou chocado – Duvido que eu consiga.
-Você não entendeu ainda? – Gina o encarou fixamente – Eu vou torná-lo capitão. Isso é um fato, não uma utopia.
Maybe I should cry for help
Maybe I should kill myself
Blame it on my A.D.D. baby
-Por que você fez isso tudo? – Max perguntou, ele não conseguia deixar de olhar fascinado para ela. A rainha era a garota mais linda que ele já tinha visto.
-No inverno eu passei por uma situação difícil – ela disse enquanto ia para a frente da sala e mandava Cora e Elle se sentarem – Então no começo eu pensei em criá-los e fortalecê-los para depois derrubar a monarquia. Vocês eram apenas um seguro caso Tad não conseguisse me ajudar. Ele conseguiu, como vocês bem sabem, então eu percebi que a grande parte da monarquia estaria se formando agora... Eu precisava preencher as vagas.
-Foi tudo um teste? – Selina olhou embasbacada – Cara, você é assustadora.
-Não foi um teste – Gina sorriu – É um teste. Não acabou ainda.
-O que você quer dizer com isso? – Miguel perguntou – E esses envelopes?
-Dentro tem tudo o que conseguimos contra todos vocês – Gina explicou. Ela se sentia tão poderosa, parecia ter dois metros de altura – Incluindo os sete expulsos. Vejam bem, o que eu tenho contra vocês daria uma bela suspensão, nada mais que isso.
-Não acredito que você está nos ameaçando – Cora olhou chocada – Nós fizemos tudo o que você queria.
-Vocês ainda não entenderam – Gina suspirou – Vocês serão a minha monarquia do ano que vem, se passarem no teste, a sujeira que consegui contra vocês é apenas para que vocês fiquem espertos e não sejam pegos. Lembrem-se que tem sempre alguém de olho, alguém ouvindo.
-Você vai simplesmente expulsar Lexie, Faith e os outros? – Matthew perguntou.
-Claro que não – Gina revirou os olhos – Tem espaço para todos vocês. Agora eu vou falar qual vai ser o teste final, e, se passarem nele, estão dentro. Se não passarem, continuem na mediocridade. Sem falar que ainda não decidi se Max será um bom capitão na Sonserina.
-Você sabe que sou o melhor – ele a encarou. Ainda estava chocado com a beleza dela.
-Certo, escutem – ela respirou fundo – Os sete que foram expulsos do grupo fizeram algo imperdoável, e estão absolutamente fora de controle. Annie tentou jogar Faith da escada hoje, ela é claramente uma louca. E eu estou bem irritada com todos eles – o brilho nos olhos verdes eram tão frios quando o inverno londrino – Eu estou muito irritada com eles.
-O que vamos ter que fazer? – Max perguntou.
-Quero que consigam material suficiente para uma expulsão de Hogwarts. Não quero nenhum deles aqui no ano que vem – Gina mexeu distraidamente no punho da jaqueta que usava – Só Wynter já está se formando, mas eu quero uma excelente suspensão para aquela vadia. E a expulsão dos outros. Com grande importância em Lyss e Annie.
Maybe I'm a different breed
Maybe I'm not listening
So blame it on my A.D.D. baby
(Sail – Awolnation)
-Nós conseguimos – Ian garantiu – E se fizermos isso você nos garante tudo o que queremos?
-Exatamente – Gina confirmou – Acho que vocês já estão bem treinados. E tenho certeza de que nos daremos muito bem.
-Desde que façamos o que você quer – Lola comentou.
-Exatamente Lola – Gina sorriu para todos – Eu quero uma Caça as Bruxas a moda antiga. Quero que sejam queimados vivos. Se não literalmente, pelo menos perto disso.
-Olha – Selina começou – Talvez você devesse também dar uma olhada na Faith. Sei que ela é sua melhor amiga, mas Annie ficou realmente assustada.
-Eu sei – Gina a cortou – Vocês cuidam deles, eu cuido da minha melhor amiga – ela olhou para a chama de uma das velas que estavam espalhadas na sala. Cuidar de Faith... Como é que ela ia fazer isso? Não importava. Ela daria conta. Gina sorriu astutamente para todos. A última partida ia começar.
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