Quando a Chuva Cair
Existem milhares de formas diferentes de contar uma história. Eu precisava fazer uma escolha. Assim cumpri a minha meta de avançar nas entrelinhas e preparar o terreno para o que virá. Sim, não se enganem: o sofrimento de Ron e Mione ainda vai se arrastar por mais um ou dois capítulos. Quero agradecer, de coração, aos que não desistiram da fic e continuam comentando. Por vocês, também eu não vou desistir.
Com meu abraço,
Morgana
P.S: Os versos “não sou eu quem me navego / quem me navega é o mar” (Timoneiro / Paulinho da Viola) dizem como me sinto em relação à fic.
* * * * *
Parecia que uma mão de ferro apertava o coração de Ron e os pulmões tinham parado de funcionar. Faltava ar, faltava vida. Aquele maldito medalhão sempre o fazia sentir assim. Nos últimos dias, porém, mesmo quando não usava o maléfico objeto, a dor em seu peito não cessava. Todos os seus piores sentimentos – de ciúme, inveja, insegurança, rejeição, ira – haviam se fortalecido. Já não suportava mais a própria companhia, os pensamentos obsessivos.
Tudo isso abriu um abismo que o distanciava, a cada dia mais, dos dois amigos. A proximidade de dezembro trouxe apenas maior tristeza. E pensar que o último mês do ano era considerado por ele o mais feliz devido ao Natal, tempo de estar com a família, ter uma mesa farta, dar e receber presentes. Dessa vez, porém, não era assim. E as ausências dos pais, irmãos e d’A Toca o oprimiam ainda mais.
Harry fazia a vigília noturna. Já Hermione, depois de ficar muito tempo lendo, finalmente revertera o feitiço “lumus” e começava a ressonar. Ron permanecia de olhos arregalados, contemplando o estrado da cama de cima do beliche. Já não tinha mais pensamentos. Apenas se sentia sufocado, vazio, sem perspectivas.
Não conseguia ficar mais um único minuto ali, com aquela sensação de quase desespero, e se levantou da cama. Ao sair da barraca, tirou o medalhão do pescoço e teve vontade de lançá-lo longe. Controlou o impulso e respirou fundo, enchendo os pulmões de ar. Apertou o medalhão com a mão direita, usando toda força que possuía. Chegou a sentir dor tamanha a energia colocada naquela ação. Se fosse um objeto comum, teria sofrido grande estrago.
Lágrimas pesadas começaram a cair dos olhos de Ron. Ele dificilmente chorava e, no último mês, seu coração se tornara de pedra. A tristeza tinha dado lugar a revolta, o medo se transformara em apatia, a saudade agora era melancolia. E, para piorar, estava irritado com os seus melhores amigos.
Achava Harry presunçoso e perdido ao mesmo tempo. Se ele queria ser líder, por que não tomava uma decisão? Não suportava mais ficar desaparatando de um lugar para outro a esmo. E Hermione... Parecia cada vez mais distante dele, indiferente, fria, mergulhada em seu mundo particular feito de muitos livros e estudo.
Todas as conversas em particular de Ron e Mione terminavam com o ruivo lembrando como estavam distantes de encontrar novas horcruxes ou mesmo destruir aquela que carregavam. Isso quando não reclamava da falta de liderança do Menino-que-Sobreviveu. A bruxinha, mesmo se concordava parcialmente com ele, sempre defendia Harry, dizendo que era um adolescente inseguro, assim como os dois, e procurava fazer o melhor que podia.
Naquela noite insone, como tantas outras, Ron queria distância de Harry. Enquanto a amigo fazia vigília em frente ao acampamento, ele se refugiou nos fundos da barraca. Estavam no fim de outono e o frio já era intenso. Ainda assim, o ruivo deitou-se no chão e começou a observar o céu. Na escuridão era possível ver centenas e centenas de estrelas, de variados tamanhos e brilhos. Um espetáculo deslumbrante, mas que não preenchia o coração do rapaz.
Ouviu um ruído, em seguida passos e a voz conhecida. “Harry, você viu o Ron? Ele não está na barraca...”. Após alguns segundos, escutou a resposta ligeiramente irritada: “Hermione, sai desse frio e volta para cama. Ron já é maior de idade e sabe cuidar muito bem do próprio nariz”. Imaginou que a amiga tivesse aceitado a sugestão de Harry. Pouco depois percebeu que alguém se aproximava. Sabia que era ela e o seu coração se aquietou. Mesmo em dias de desespero, de alguma forma a presença da morena o fazia bem.
- Ron? O que está fazendo deitado aqui? Vai acabar congelando. Precisa entrar – Mione quase suplicou.
- Estava me sentindo sufocado dentro da barraca, por isso saí – disse sem olhar a menina.
- Como sufocado? Também está frio lá dentro – argumentou.
- Sufocado pelos meus pensamentos – falou de forma seca.
A menina deu a volta e se posicionou em frente ao amigo, que ainda não a encarava. “Que pensamentos, Ron? Por que não me fala o que está sentindo? Você tem andado tão quieto...”, tentou sensibilizá-lo. O rapaz se sentou, dobrou as longas pernas e envolveu-as com os braços antes de responder. “Estou quieto há um mês e só agora você notou?”, rebateu. Mas de alguma forma ficou feliz ao perceber que a menina sentava ao seu lado.
- Não, Ron. Eu venho notando isso há muito tempo e sempre tento me aproximar de você. Mas só recebo respostas evasivas. Isso quando você não sai e me deixa falando sozinha...
- Eu sei que não tenho sido uma boa companhia. Por isso prefiro ficar sozinho. Acho melhor você entrar – afirmou enquanto mirava algum ponto inexistente à sua frente.
- Só volto para a barraca se você for comigo – insistiu Hermione.
Ron, que não tivera ânimo de olhar para a amiga, deitou novamente no chão, cruzando os braços atrás da cabeça. Parecia contemplar fixamente o céu. Os dois permaneceram quietos por minutos que pareceram dias. Quando Hermione pensou que deveria desistir de vencer o duelo de silêncio, Ron finalmente falou:
- Olhar o céu faz com que eu me sinta um pouco melhor, não sei por que... Diante do universo somos mesmo grãozinhos de areia, pequenos como os corpos celestes imperceptíveis a olho nu que observamos nas aulas de Astronomia. Se somos tão insignificantes assim, será que temos um lugar no mundo? – questionou.
- Também já me perguntei muito sobre isso...
- E chegou a alguma conclusão? – ele a interrogou ao mesmo tempo em que sentava e encarava, pela primeira vez naquela madrugada, os olhos de Hermione.
- Se vemos as estrelas assim, tão distantes, achamos que são muito pequenas, insignificantes. Mas se alguma delas vem a faltar fica um vazio no céu, um espaço negro, que não brilha – refletiu.
- Acho que sou esse espaço negro e, como não brilho, com certeza não faço falta – deixou escapar o rapaz.
- Isso não é verdade, Ron. Você está usando a horcrux, por isso se sente assim. Passa o medalhão para mim, por favor – sussurrou.
O rapaz, com a mão arroxeada pela força com que continuava a segurar o amaldiçoado objeto, atendeu o pedido da amiga. Hermione rapidamente pegou o medalhão e o pendurou no pescoço. Ron se levantou e ofereceu a mão à amiga. No momento em que ambos estavam de pé, falou com a voz baixa: “Vamos entrar. Está muito frio aqui fora”.
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Dezembro chegou com seus dias curtos e noites longas e frias. Depois da conversa daquela madrugada, Ron e Hermione não tiveram novas oportunidades de estar a sós. A menina, no entanto, sempre observava que o ruivinho dormia muito pouco. Costumava se levantar e sentar na poltrona, onde ficava encolhido e voltado para os próprios pensamentos. Ela procurava respeitar esses momentos dele mas naquele dia, de modo especial, sentiu que devia se aproximar do amigo.
- Ron? O que você está fazendo aí? A vigília não é de Harry? Por que não tenta dormir? – bombardeou-o de perguntas, revelando sua ansiedade.
- Passo grande parte das madrugadas aqui. Há muito tempo não sei o que é dormir uma noite inteira...
- Mas você precisa descansar. Nossa missão está apenas começando e será muito exigente – aconselhou Hermione.
- Eu tento dormir, mas não consigo. E para falar a verdade, não me preocupo com isso. Tenho problemas muito maiores com os quais me ocupar – falou sem encarar a amiga.
Hermione se sentou ao lado do ruivo. Sentia uma grande dor por ver o amigo sofrer assim. Notara que, desde que começaram a se revezar carregando o medalhão no pescoço, o rapaz tinha mudado. Na última semana, no entanto, havia piorado. Passava a maior parte do tempo calado e muito sério. Falava apenas para reclamar de alguma coisa – seja do frio excessivo ou do alimento escasso – e sempre em um tom raivoso que assustava a menina. Aquele não era o Ron que conhecia e pelo qual havia se apaixonado.
- Ron? – perguntou em tom carinhoso – O que está acontecendo?
- Preciso dizer, Hermione? Está tudo errado! Harry se encontra totalmente perdido. Ao contrário do que pensei, ele não possui um plano, não assumiu a liderança da missão. Se não fosse você, provavelmente já teríamos sido capturados. O tempo está passando e não conseguimos sequer destruir esse medalhão, quanto mais ter pistas das outras horcruxes. Eu não ligaria de suportar o frio e a fome se soubéssemos o que fazer, mas não é isso que está acontecendo. E quanto mais o tempo passa, aumentam os riscos para a minha família – falou, olhando finalmente para a menina.
- Eu entendo o que você está sentindo, mas não podemos desistir. A única esperança do mundo bruxo se encontra em nossas mãos – disse, na tentativa de motivar o rapaz.
- Sei disso, Mione. Adiei tudo que havia planejado para minha vida por causa dessa jornada. Mas agora tenho impressão de que nunca mais vou recuperar o tempo perdido, que ficou tarde demais para conquistar todos os meus sonhos. Na verdade, já não faço questão de mais nada. Só quero que a minha família esteja bem – afirmou de jeito sofrido.
- Você não pode desistir dos seus sonhos, Ron. Deve fazer deles a sua motivação para lutar nesta guerra – aconselhou a menina na esperança que o sonho que acalentava, de construírem uma vida juntos, fosse compartilhado por ele.
- Tarde demais, Hermione. Eu já desisti – respondeu desanimado.
- Do que você desistiu, afinal? – arriscou a menina.
- De muita coisa. Eu queria começar a namorar uma menina... Daqui a algum tempo me casar, ter filhos... – disse o rapaz que voltou a olhar para frente e não percebeu como a amiga ficou agitada, e com o rosto vermelho, ao ouvir aquelas palavras – Terminar os meus estudos, trabalhar...
- Mas por que não? Essa guerra logo vai acabar e você vai poder recomeçar a sua vida. Todos nós vamos poder recomeçar as nossas vidas – ponderou.
- Se tiver uma chance, vou ter que começar do zero. Andei acreditando em algumas mentiras e não quero me iludir mais – deixou escapar.
- Como assim? O que você está querendo dizer? – perguntou a menina, que achava que o rapaz falava do relacionamento dos dois. Por mais que o ruivo negasse e se recusasse a voltar a aquele assunto, sabia o quanto Ron havia ficado decepcionado depois que recusara o beijo dele.
- Acreditei que uma determinada bruxa correspondia ao sentimento que tenho por ela. Percebi tarde demais que estava enganado. Mas já desisti dela – desabafou.
- Não devia desistir, Ron – incentivou.
- Para você é fácil falar assim. Todo o seu ideal é o estudo e imagino que, para o futuro, você pense apenas em trabalhar, em se projetar profissionalmente. Acho que o casamento não é prioridade para você – falou, já se arrependendo das próprias palavras.
- Quando você se apaixona por alguém tudo fica diferente. As nossas prioridades também mudam – confidenciou.
O ruivo, naturalmente muito desligado, demorava ainda mais as entender as entrelinhas devido à insegurança. Dessa vez, porém, foi direto ao ponto. “Você está dizendo que gosta de algum cara?”, perguntou. A menina protestou, argumentando que não queria falar daquele assunto.
- Isso só confirma o que acabei de dizer – deduziu.
- Tudo bem. Eu gosto de uma pessoa sim e não é do Vítor Krum – apressou-se a esclarecer - Mas não adianta perguntar mais sobre esse assunto que não vou responder.
Ron olhou para a menina. Aquele diálogo estava se tornando perigoso demais. Prometera ao pai, na rápida conversa que tiveram na festa de casamento de Gui e Fleur, não voltar a falar dos próprios sentimentos com a amiga. Ainda bem que ela mesma havia cortado o assunto. O ruivo se sentia triste, oprimido, desesperançoso como nunca. Claro que não era dele que Hermione gostava. Devia ser de Harry, o Menino-que-Sobreviveu, o Escolhido, o vencedor do Torneio Tribuxo, o melhor em Defesa contra as Artes das Trevas, o único capaz de derrotar o Lorde das Trevas.
– Como você quiser... – respondeu em tom baixo, voltando a olhar para algum ponto perdido da parede.
A menina se afastou dele triste, pensando que havia fracassado em sua tentativa de motivar um pouco o amigo. Mas a sua dor maior era perceber que, se em algum momento o rapaz acreditou na possibilidade dos dois namorarem, agora tinha desistido dessa ideia. Quando já se sentava na cama, dirigiu-se mais uma vez ao ruivo. “Ron, você deveria tirar esse medalhão do pescoço. Acho que está afetando você”, aconselhou.
- Você faz questão de dizer que sou o mais fraco e por isso o mais afetado pelo medalhão – protestou o rapaz.
- Não é isso, Ron. Ah... – suspirou desanimada – Deixa para lá. É melhor eu dormir.
“O que estou fazendo aqui?” – o rapaz perguntava a si mesmo. “Devia ir embora. Eles não precisam de mim. Hermione não precisa de mim. Fui um idiota pensando que poderia defendê-la, prometendo ficar ao lado dela. Mione deve me achar patético. Não tenho qualquer talento especial. Por que uma garota brilhante como ela iria se interessar por um cara como eu, que não tem nada a oferecer? Se um sair dessa missão agora, nem vão sentir minha falta”, concluiu, reforçando os pensamentos que já há alguns dias massacravam a sua mente.
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Estava encharcada, da cabeça aos pés. Escorria água por seus cabelos. Com a roupa muito molhada e colada ao corpo, sentia um frio intenso que chegava a doer. Mas a dor maior, dilacerante, desesperadora, era a que atingia o seu coração. Ron tinha ido embora. Havia deixado a missão.
Parada no meio daquela tempestade, dentro da floresta, ainda lembrava a última troca de olhar deles. Por um momento, o ruivo perdeu a expressão de raiva e em seus orbes azuis pôde vislumbrar a dúvida, a expectativa... “Que vai fazer?”, Ron perguntou. A princípio, Hermione não compreendeu. Na realidade, tudo aquilo parecia um pesadelo irreal e teve a impressão que acordaria, aliviada, a qualquer momento.
- Como assim? – a menina respondeu com uma nova pergunta.
- Você vai ficar, ou o quê? – interrogou-a, dessa vez de um jeito desafiador.
Era como ser provocada a decifrar um enigma e ameaçada de morte caso não encontrasse a solução. Hermione sempre acertava, quando se tratavam de assuntos ligados ao estudo. Quando a pergunta partia de Ron, tinha a impressão de nunca saber a resposta correta. Por isso ficou angustiada antes de falar, a princípio vacilante, depois desesperada:
- Eu... er... Vou... vou sim. Ron! Nós dissemos que viríamos com Harry. Dissemos que o ajudaríamos!
A voz estridente era uma súplica, seus olhos também repetiam o mesmo pedido, que ainda não conseguia verbalizar. Ron não podia partir. Não podia abandonar a missão, não podia abandoná-la. Mas ele não compreendeu. Ou melhor, compreendeu tudo errado.
- Entendi. Você escolhe ficar com ele – falou mirando Harry com desprezo antes de lançar o último olhar, magoado, para a menina e virar as costas.
- Ron... Não! Por favor... Volte aqui, volte aqui! – pediu com angústia, caminhando apressada em direção ao ruivo.
Hermione com certeza o agarraria com todas as forças, talvez se lançasse aos pés de Ron, suplicando para que não tomasse aquela atitude estúpida. Mas ao avançar em direção ao ruivo bateu no campo formado pelo feitiço escudo que lançara, na intenção de impedir a briga física dos amigos. Com a força do impacto, foi atirada para trás e caiu. Gritou pedindo que o rapaz não fosse embora e, o mais rápido que conseguiu, removeu o feitiço e correu atrás do amor de sua vida.
A escuridão já invadira a floresta por completo e a chuva que começou a cair quando os dois amigos iniciaram a discussão agora se tornara uma forte tempestade. A fraca luz da varinha era insuficiente e ela já não avistava qualquer sinal de Ron. Ainda assim corria, sem saber qual direção certa a tomar.
Chegou a uma clareira e então viu! Cerca de dez metros à frente, um vulto de cabelos vermelhos se movia sob a luminosidade bruxuleante, provavelmente oriunda de uma varinha.
- Ron! Espera! Por favor! Não vai embora! Você não pode me deixar!!! – gritou usando toda a força dos pulmões.
Percebeu que o vulto se voltou na direção dela, mas, antes de conseguir avançar a distância de cinco metros, avistou um clarão azulado e o viu desaparecer.
- Não!!! Ron! Por favor... Não! Vooolta – implorava a alta voz mesmo se consciente que ele já não podia ouvi-la.
Agora estava ali, parada no lugar onde Ron desaparatara, encostada em uma árvore, aos prantos. A natureza parecia se solidarizar com a dor da menina. A escuridão traduzia o sentimento que experimentava. As gotas de água da tempestade eram pesadas lágrimas que se juntavam as dela, formando um grande e único pranto.
Ergueu o rosto em direção ao céu e deixou os grossos pingos de chuva caírem sobre o seu corpo. Por alguns segundos, aquela sensação da água morna fez com que esquecesse a própria dor. Mas logo ela voltou, ainda mais torturante.
Vencida pelo frio, retornou para a barraca. Mesmo percebendo a presença de Harry, não conseguiu olhar para o amigo. Limitou-se a dizer, com a voz muito baixa, que Ron havia desaparatado. O sofrimento da menina era tão intenso que ela mal raciocinava. Como Ron podia tê-la abandonado? “Mione, aconteça o que acontecer, saiba que vou estar sempre ao seu lado e vou defender a sua vida como se fosse a minha”, parecia voltar a ouvir o ruivo dizer.
Tudo não passara de uma grande mentira. Ron não estava mais ali. Não tinha cumprido com o compromisso assumido com Harry e a promessa feita a ela. Não permanecera na missão para ajudar o amigo e ser o conforto dela nos momentos de dor e incertezas que se seguiriam. Havia agido como um fraco, um covarde, um desertor. E apesar da imensa mágoa, sofria ainda mais por querer que ele voltasse, por estar pronta a perdoá-lo no mesmo instante e o receber com um abraço.
Hermione se atirou na poltrona, a mesma poltrona na qual o ruivo passava as noites insones. Tremendo de frio, dobrou as pernas e encostou-as no peito, ficando bem enroscada. Desabou mais uma vez a chorar. Eram soluços altos, incontroláveis.
Com delicadeza, Harry jogou sobre ela os cobertores da cama de Ron. A menina sentiu o perfume cítrico do ruivo, do qual sempre gostou, e aquele cheiro lhe deu uma sensação de calor e conforto. Conseguiu calar os pensamentos por alguns segundos e se entregou a uma madorna. Acordaria alguns minutos depois, para nova sessão de choro e assim passaria a noite toda até o céu voltar a se colorir de matizes rosa anunciando o amanhecer.
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Música para ouvir antes, durante ou depois de ler o capítulo:
Unbreak My Heart
Don't leave me in all this pain
Don't leave me out in the rain
Come back and bring back my smile
Come and take these tears away
I need your arms to hold me now
The nights are so unkind
Bring back those nights when I held you beside me
Un-break my heart
Say you'll love me again
Un-do this hurt you caused
When you walked out the door
And walked outta my life
Un-cry these tears
I cried so many nights
Un-break my heart, my heart
Take back that sad word good-bye
Bring back the joy to my life
Don't leave me here with these tears
Come and kiss this pain away
I can't forget the day you left
Time is so unkind
And life is so cruel without you here beside me
(…)
Comentários (33)
Hey, Morgana! O capítulos foi super emocionante, me controlei várias vezes para não chorar.Foi como se eu tivesse conseguido sentir a dor de Ron e o desespero de Mione.Você retratou muito bem um dos momentos mais dolorosos do nosso lindo casal de bruxinhos, ficou perfeito!Sim, eu troquei a tela do computador por páginas de livros e ainda troco de vez em quando! Acho que já devo ter lido umas 5 vezes a famosa trilogia de Suzanne Collins, Jogos vorazes. Recomendo! Consegui me apaixonar por outro casal além de Romione. Beijos!
2012-09-25Olá!!!Muito bom o cap.Os sentimentos q eles estão experimentando(tensão,saudade,desilusão,dor,ciúme,revolta,apatia)chegam a ser palpáveis.na espera pelo próximo...
2012-09-25Você escolheu muito bem a forma de contar esse momento tão importante da história dos dois. Senti a dor de Ron, especialmente a partir de toda a reflexão que vem com a pergunta "O que estou fazendo aqui". E, claro, o sofrimento de Mione sozinha na floresta e dps, sentada na barraca, chorando desconsolada Bjs!
2012-09-25