O medalhão em forma de chave
Capítulo 1 – O medalhão em forma de chave
Uma brisa morna soprava pela janela entreaberta,soprando as cortinas de seda azul,os primeiros raios de sol entravam no quarto particularmente grande de Eriol Fortescue.
Eriol abriu os olhos lentamente.Acabara de ter um sonho muito estranho.
Estava andando por uma sala escura.Não saberia aonde estava indo se não fosse pela luz que brilhava intensamente lá na frente.Ele só tinha uma coisa na mente:Tinha que alcançar aquela luz.Era uma luz tão bonita.Ele foi chegando cada vez mais perto.Ia conseguir alcança-la,tinha que conseguir.A luz ia aumentando e depois do que pareceu horas ele conseguiu chegar perto da luz.Ela vinha do chão de madeira,perto da parede suja de pedra.Ele estendeu o braço num gesto para apanha-la e conseguiu pega-la.Estranho,pois luzes não são sólidas,mas ele percebeu que a luz vinha de um pequeno objeto,quando aproximou mais o rosto para dar uma olhada...
Acordou.
Ele já vinha tendo esse sonho há um tempo.Dede que as férias começaram.No começo o sonho não era tão longo assim.Começou na sala escura,em outro ele estava se aproximando e no outro já chegava perto mas este foi o primeiro que ele conseguiu pegar o objeto.
Frustrado,Eriol ergueu ligeiramente a cabeça para dar uma olhada no despertador luminoso em cima da mesinha de cabeceira.Eram sete horas.Ele se sentou e pegou os óculos redondos do lado do despertador.Quando colocou-os o quarto entrou em foco.
Seu quarto eram bem grande.Estava sentado em uma cama de casal de mogno particularmente grande,enquanto olhava para seu quarto.Também,os negócios do seu pai estavam dando muito certo,por isso conseguira bastante dinheiro,podendo comprar uma mansão na França.
Ainda pensando no sonho,o vento batendo levemente em seus cabelos,Eriol procurou seus chinelos no chão lustroso e foi ao banheiro.Enquanto escovava os dentes,notou um pequeno barulhinho de sino,mas logo o barulho parou e Eriol varreu esse pensamento de sua cabeça.Depois de um banho demorado e cheio de bolhas em sua banheira de mármore,o menino se vestiu e andou em direção á porta do seu quarto,cuja maçaneta de metal refletiu sua mão branca enquanto a girava.
Saiu então para o corredor.Andando em direção á ampla escadaria de madeira com um tapete vermelho,Eriol olhou para a porta do quarto dos pais.Seus olhos automaticamente bateram no local onde sua mão tinha caído morta.Foi bem em frente do retrato de seu avô,Willy Fortescue,que havia assistido á toda a luta de olhos abertos e atualmente estava dormindo suavemente,a cabeça encostada na moldura.
Desceu as escadas desejando que soubesse o que era aquele objeto no seu sonho,mas ao chegar na grande cozinha da sua mansão,o seu sonho foi tirado de sua cabeça pela discussão que se seguia lá dentro.
Suas irmão Carol e Amanda estavam discutindo em frente ao armário de pratos.
__Ora,cala a boca,sua pirralha,eu é que vou ficar com ele!__dizia Carol,jogando seus cabelos loiros para trás.
__Nada disso,eu cheguei primeiro,então tenho todo o direito de ficar com ele!__a pequena Amanda retrucava inchando de raiva.
__Pelo que é que vocês duas estão brigando,afinal?__Eriol perguntou se emoção.
__Ora,cala boca seu pirralho,não se intromete!__retrucou Carol olhando furiosa para Eriol como se ele fosse a causa da discussão.
Ele já estava acostumado com as duas discutindo.Discutiam pelas coisas mais bobas.Mas uma sabia do ponto fraco da outra,então não botavam essa informação a perder.
__Se você comer isso vai ficar gorda feito um balão,ó!__Amanda inchou o peito e as bochechas e fez um gesto com os braços abrangendo o corpo,imitando um balão e pulando de um lado pro outro__Assim seu querido namoradinho não vai mais querer ficar com você,não é?!
__Ora,cala boca sua pirralha!Pelo menos eu não tenho medo do bicho-papão,uuuuuuuuhhhhhhhhhh__Carol fez um gesto com as mãos balançando os dedos.
__Não seja ridícula,há uma boa razão para eu ter medo do bicho-papão!!__Amanda estava á beira das lágrimas.
__Falando em ridículo__Carol fez um gesto como se pensasse,e inesperadamente sacou a varinha,apontou-a para Amanda e gritou:Riddikulus!!
Saíram faíscas coloridas da varinha e,imediatamente,brotaram duas antenas verdes da cabeça de Amanda,que terminavam em duas grandes bolas douradas e ridículas.Um par de asas de besouro nasceu de suas costas e seus enormes pés de alongaram e ficaram verdes com bolas roxo-berrante.A pequena Amanda se jogou no chão e começou a chorar,massageando os pés com horror.
Soltando uma risadinha de zombaria,Carol se aproximou do armário de pratos,o abriu e pegou um vidro de biscoitos de chocolate,o qual só havia um em seu interior.Abriu o vidro,pegou o biscoito e já ia abrindo a boca para dar a primeira mordida quando uma voz vinda da porta dos fundos da cozinha berrou:Accio biscoito.
O biscoito imediatamente saltou da mão de Carol e saiu voando em direção a Jerome.
Jerome era o mordomo da casa.Não,era mais que um mordomo,era um grande amigo de Amanda.Como a mansão em que a família Fortescue era muito grande,haviam vários empregados como jardineiros,faxineiras,mordomos,seguranças e cozinheiros.
Jerome tinha cabelo grisalho que se destacava contra sua roupa negra de mordomo.Trabalhava para a família Fortescue desde que Carol nasceu e era bastante eficiente.Era extremamente pobre,mas seus pais conseguiram lhe ensinar o básico da mágica em casa,para ajuda-lo no dia-a-dia para quando ele se tornasse um mordomo.Toda a geração de Jerome havia sido mordomos.Não é uma honra muito grande mas todos haviam sido extremamente eficientes.
Jerome agarrou o biscoito e,apontando a varinha para Amanda murmurou um contra-feitiço.
Um jorro de faíscas azul-celeste saiu de sua varinha a bateu em Amanda.Instantaneamente as antenas encolheram,as asas sumiram e os pés voltaram ao tamanha normal sem bolas roxo-berrante.
Amanda se levantou tremendo e correu em direção á Jerome e lhe deu um enorme abraço.Carol se limitou a revirar os olhos e cruzar os braços.
Quando Amanda largou Jerome,Eriol,que assistia a tudo na porta de entrada da cozinha sem poder fazer nada perguntou indignado:
__Então o motivo de toda essa briga é um biscoito?!
__O senhor sabe que Carol pode brigar por qualquer coisa,não sabe jovem Eriol?__respondeu Jerome.Havia fúria e indignação em seu rosto quando se voltou para Carol e falou com a voz tremendo:
__Francamente,senhorita,como é que pode chegar a um nível desse com a sua irmã?!Ela tem onze anos,nem uma varinha ela tem e mesmo que tivesse não poderia lançar feitiços pois é menor de idade.Mesmo a senhorita que atingiu a maioridade não poderia ter feito uma covardia dessa com ela!Que golpe baixo,atacar uma garotinha que não pode nem se defender?!__ele parou para respirar um pouco e quando tornou a falar estava um pouco mais calmo mas não conseguia disfarçar totalmente sua raiva,pois algumas palavras ainda saíam trêmulas__seu pai vai saber disso!
__O quê,meu pai?!__Carol se engasgou e continuou__por favor,não Jerome!
E se atirou aos pés de Jerome.Eriol achava que ela estava sendo bem patética uma vez que tenha motivos de sobra para ser castigada,e ela sabia disso.
Jerome afastou os pés dela enojado e entregou o biscoito para Amanda.
__Aqui,jovem Amanda.
Amanda enxugou as lágrimas de seus olhos e deu uma mordida pequena no biscoito,demasiada assustada ainda para dizer uma palavra que fosse.
__Vou agora mesmo escrever para o seu pai!__falou Jerome e saiu pela porta de entrada da cozinha decidido.
Carol soltou um lamento agudo e saiu correndo pelo mesmo lugar que Jerome saiu,decididamente aos berros e levantando os braços.
__Doida__falou Eriol baixinho.
Ele e Amanda seguiram então para se sentar na redonda mesa da cozinha,a qual estava forrada com uma toalha amarela estampada com desenhos de pelúcios e com o café da manhã.
Eriol ficou em silêncio enquanto se servia de torradas e suco de abóbora.Amanda ainda estava paralisada,olhando para o seu prato.
__Não ligue para aquela idiota,Amanda,ela é uma doida,me admira que ainda não esteja em um hospício.__falou Eriol com um tom suave servindo torradas com geléia no prato da irmã e depois enchendo o seu cálice dourado de suco de abóbora.
Os dois comeram em um silêncio modorrento.Não se sentiam muito felizes e cada um sabia no que o outro estava pensando.Estavam ambos pensando na mãe deles.Estavam pensando em como ela morreu e também estavam pensando em como seu pai era ausente na vida deles.Atualmente Florean estava em uma viagem de negócios na Inglaterra desde Julho e as crianças também estavam pensando em como Carol era idiota.E,acima de tudo,as crianças estavam pensando em como seria ter uma família completa e unida de novo.
Mas mesmo assim as crianças tinham a Jerome,e ele era como um pai para elas,especialmente para a pequena Amanda.
Quando levava uma colherada de ovos com bacon á boca,Eriol escutou de novo o barulho que havia escutado em seu banheiro.Era algo como um sino e isso não melhorou o estado de espírito do garoto.Afinal,que barulho é esse?
Quando terminou o café da manhã,Eriol se levantou,passou pela cozinha e foi para a gigante sala de estar.
Nela haviam várias poltronas vermelhas que detalhes dourados,e longos sofás igualmente belos.Um enorme lustre de vidro pendia do teto.
Eriol atravessou a sala de estar,passou pelos grandes vasos de plantas que ladeavam a porta de entrada e saiu para os jardins.
A mansão dos Fortescue possuía um imenso e belo jardim.Tão grande quanto a vista podia alcançar.O menino foi caminhando calma e lentamente por entre os arbustos podados com formas de unicórnios,hipogrifos e cavalos alados.Uma leve brisa soprava contra seus cabelos,e ela achava gostoso esse vento.Era muito bom andar lá sem nenhuma preocupação de dever de casa,com o sol batendo em sua face.
Andando desalentado Eriol avistou os portões grandes e de ferro da mansão,com dois leões de pedra muito polida de cada lado.Eriol sabia que os portões tinha sido sujeitos a uma série de feitiços e encantamentos que impedia de qualquer bruxo entrar sem autorização.Antigamente não tinha toda essa proteção,apenas alguns seguranças e,depois da visitinha de Bellatriz Lestrange,foram impostas todas essas medidas de segurança.
O pai de Eriol e o próprio Eriol sentem uma pontada de raiva e frustração toda vez que se lembram de que poderiam ter salvo a vida de uma mulher tão importante para eles se essas medidas de segurança tivessem sido impostas desde sempre.
Como poderiam acreditar que o mundo estava sem bruxos das trevas.Como poderiam ter sido burros o suficientes para pensar que ela estaria segura sendo uma auror,em uma casa que aparece no mapa apenas com alguns seguranças?
Eriol pensava nisso enquanto se afastava dos portões,pensando em como poderiam achar que o mundo era um lugar gentil.
Agora,longe dos portões e longe dessas horríveis lembranças,Eriol agora vinha se aproximando de um outro ponto incrível e belo de seu jardim:um labirinto.
Eriol adorava esse labirinto,sempre podia se esconder nele quando não queria falar com ninguém.Ele andava nesse labirinto desde pequeno e sabia de cada cantinho dele.A possibilidade de ele se perder neste labirinto que ele tão bem conhecia era a mesma possibilidade de sua mãe voltar á vida,o que sabia que era completamente impossível.
Ele se lembra da primeira pergunta que fez ao se faz,há muito tempo,que foi se havia algum jeito de driblar a morte,de voltar á vida e se lembrava até hoje que viu os olhos do pai brilharem tristemente ao responder:Não pense nisso meu filho,mas quanto á sua pergunta,não,não há jeito de voltar á vida.
Entrando no labirinto, Eriol se sentou e tentou se animar com a visão de um beija-flor parado alegremente em cima de um dos muros de folhas do labirinto.
Observando-o Eriol pode se lembrar do quanto gostava de animais e esse pensamento realmente pareceu anima-lo.Pelo menos se saía bem em algumas coisas,vivia excepcionalmente confortável tinha amigos na Academia de Magia Beaixbatons.
Arthur e Raven.Eriol sabia que podia confiar neles.Eram seus dois amigos verdadeiros.Pois,no dia em que entrou na carruagem azul-claro de Beauxbatons puxada por cavalos alados,aumentada magicamente por dentro,para seu primeiro dia de escola,Eriol fingiu ser Eriol Rockstain,o primeiro sobrenome que lhe veio á cabeça,e não Eriol Fortescue.Queria que ninguém viesse puxar seu saco logo de primeira.Então,ele e seus óculos redondos encontraram dois amigos que ele sabia que eram realmente seus amigos,pois não ligavam se a família dele era conhecida ou não.Então,á noite,depois da festa de boas-vindas,já no palácio de Beauxbatons,Eriol contou seu verdadeiro sobrenome,já sem medo que Arthur e Raven estariam interessados no dinheiro dele.Depois de se recuperarem da surpresa os três são amigos desde o primeiro dia de Eriol na escola.
O garoto havia estado se comunicando com seus amigos durante todas as férias de verão,então não se assustou quando uma coruja parda veio em sua direção no labirinto e deixou cair uma carta bem na sua cabeça,indo embora logo em seguida.
Eriol abriu o envelope e puxou uma carta de Raven:
Carol Eriol,
Estou com saudades!
Já estamos no meio do último mês de férias e a última vez que nos vimos foi no boliche faz duas semanas!Meu pai ficou bastante impressionado quando eu lhe falei o que era boliche sabe,e ele queria ir também,mas teve que ir trabalhar no Ministério da Magia.
Espero realmente que possamos nos encontrar em breve,
Abraços,
Raven
E embaixo ele viu o desenho de um smile.
Raven é realmente bem singela,pensava Eriol com um sorriso estampado no rosto,sempre falando com ele de um jeito tão doce!A família toda de Raven era bruxa,igual a de Eriol,mas Arthur era nascido trouxa,mas os dois não ligavam para o sangue de Arthur,e sim para o seu caráter.Arthur,pensava Eriol,era bastante simpático e leal,e além do mais era um dos primeiro da sala,aprendeu mais depressa que todo munso,então isto era uma imensa prova que o sangue não é nada.Contanto que contenha uma gota de sangue-mágico nas veias,a pessoa pode ser capaz de aprender mágica.
Eriol guardou a carta carinhosamente no interior das vestes azuis e ficou sorrindo abobadado para a sebe do labirinto onde o beija-flor levantou as asas e voou,aparentemente indignado com a presença da coruja espalhafatosa.
É,pelo menos tinha amigos,isso era uma coisa boa,os amigos.Pensou um pouco e viu que estava na hora de responder á carta mandada por Raven.
Se levantou,saiu do seu tão bem conhecido labirinto (ele,além de conhecer bem o labirinto,tinha um espantoso senso de direção) e rumou para a mansão,passando novamente pelos arbustos em forma de animais alados.
Passou pela sala de estar e foi subindo as escadas de madeira.No meio da escadaria,no entanto,ouviu de novo o barulho de sino.Parando no meio da escadaria,Eriol tentou ver onde era a origem do som,mas não conseguiu descobrir nada.Deu de ombros e continuou seu caminho para o quarto,a carta de Raven guardada no bolso das vestes.
Chegando em seu quarto,ele se dirigiu até sua escrivaninha de madeira polida e se sentou em sua cadeira.Puxou um pedaço de pergaminho,molhou a ponta da pena de águia no tinteiro e hesitou um pouco.
Raven era uma menina muito legal e singela e era muito amiga dele.Teve uma época em que todos da Beauxbatons pareciam estar achando que os dois estavam namorando,pois só andavam juntos.
Mas não,isso era coisa de gente que não tinha o que fazer,por isso vai falar da vida dos outros.Ora,como detestava essas pessoas que não tinham nada pra falar!Mas se pensavam que ele ligava,estava enganado.
Apesar de achar um tanto aborrecida o fato de ficarem falando inverdades dele,Eriol não estava nem aí para o que falavam.Era muito calmo e isso realmente não o atingia nem um pouco.
Ele sabia muito bem que não estava namorando Raven e sabia perfeitamente bem que não a amava.Achava que Raven também não o amava,ora,era só uma forte amizade!
Sentindo-se melhor por ter certeza absoluta de que não a amava,Eriol molhou novamente a pena no tinteiro e escreveu:
Cara Raven
Também estou com saudades
Gosto muito de ter você e Arthur como amigos e também estou esperando uma próxima oportunidade para podermos nos encontrar.
Aqui em casa tudo está normal,Carol ta chateando Amanda como sempre e papai ta em uma viagem de negócios na Inglaterra como te contei na última carta.
Será que há alguma possibilidade de nos encontrarmos na Livraria Cultura,em Paris ás nove horas da manhã,para darmos uma volta no próximo sábado?Mande-me uma resposta,vou escrever uma carta pro Arthur também.
Um Abraço,
Eriol
Terminando,dobrou a carta e abriu a gaveta.Tirando dois envelope sde sua coleção de envelopes,fechou a gaveta e enfiou a carta dentro de um dos envelopes.Lacrou-o bem e deixou de lado em cima da escrivaninha.
Tomara que Raven dissesse sim,pois estava com uma vontade louca de sair de casa e se encontrar com alguém de Beauxbatons que não fosse suas irmãs.Era Quinta-Feira hoje e se ela disesse sim,iam sair no sábado,maravilha.
Puxou outro pergaminho,molhou de novo a pena de águia no tinteiro e pôs-se a escrever:
Caro Arthur
Eu e Raven vamos nos encontrar na Livraria Cultura,em Paris,ás noves horas,caso queira vir com a gente por favor me mande uma resposta.Queremos muito nos encontrar para bater um papinho.Faz tempo que não nos encontramos,desde o boliche né?
Espero que possa ir
Um abraço
Eriol
Tinha certeza que os amigos iam dizer sim.Nenhum dos três nunca havia recusado um convite para sair.
Dobrou a carta,colocou-a dentro do envelope,lacrou-o e juntou-o com a carta que havia escrito pra Raven.
Pegou as duas cartas e saiu apressado do quarto.
Do lado do quadro de Willian Fortescue havia uma escada estreita que dava para um terceiro andar.Subindo a escada correndo,Eriol chegou no corredor do terceiro andar e andou correndo em direção á porta de uma das extremidades do corredor.
Abrindo a porta,entrou no seu corujal particular.
Fileiras e mais fileiras de poleiros nas paredes continham diversas espécies de corujas grandes e pequenas,castanhas,pardas,brancas e pretas.Havia todas as espécies de corujas que se possa imaginar.
Mas Eriol raramente usava todas essas corujas,pois ele tinha a sua própria,a Tânia.Era uma coruja preta muito bonita.Muitas vezes Eriol gostava de mudar a cor do seu cabelo para preto para poder compactuar com a coruja que ele tanto gostava.
Como agora.
Eriol fechou os olhos e seus cabelos ficaram negros,podendo se fundir perfeitamente com a sua coruja,Tânia.
Tânia adorava quando Eriol fazia isso.
Mas agora Tânia não havia presenciado o espetáculo,pois estava dormindo a sono solto em uma das fileiras mais perto do teto.
Uma brisa gélida soprava lá no corujas,pois ele se situava no terceiro andar e apesar de ter muitas janelas grandes,nenhuma tinha vidro.
Eriol,percebendo que a coruja estava dormindo com a cabeçinha embaixo da asa,chamou com voz doce:
__Tânia,acorde por favor,tenho uma carta para você entregar.
Obedientemente,Tânia levantou a cabeça e percorreu o corujal com o olhar.Avistando Eriol,deu um pio de aparente felicidade e desceu voando ao encontro dele e se empoleirou em seu braço direito,que estava estendido.
Eriol pegou a carta para Raven com a mão esquerda e prendeu-a cuidadosamente na perna da coruja,então falou:
__Esta é para a Raven,você sabe né?
A coruja deu um pio de concordância,tranqüilizando Eriol e foi levada,ainda no braço direito do garoto,para uma das janelas.Então,dando um leve impulso,saiu voando para o céu infinito.Eriol ficou um tempinho observando,olhando a coruja virar um pontinho preto no céu azul-celeste e depois desaparecer,para depois então procurar outra coruja.
Achou uma coruja branca feito a neve acordada nas fileiras de baixo e fez um gesto para ela ir pousar no seu braço.
A coruja bateu asas e fez o que Eriol pediu então,novamente,o menino prendeu uma carta na perna da coruja,só que dessa vez a carta para Arthur.
Depois fez o mesmo que fez com Tânia,levou a coruja até uma das janelas,ela levantou vôo e ele esperou ela desaparecer.
Contemplando o céu e esperando que recebesse dois “sim” no dia seguinte,Eriol deixou sem pressa o corujal.
Ao fechar sua porta,Eriol olhou para o outro extremo do corredor do terceiro andar,onde havia outra porta.Esta porta sempre estava trancada,e,há muito tempo tinha perguntado para seu pai o que havia lá.
Seu pai havia lhe respondido que ali ficavam vários objetos das trevas que a mãe de Eriol havia confiscado no trabalho de Auror dela.Ou pelo menos a maioria das coisas que haviam lá era das trevas,ele havia lhe contado que lá era uma espécie de porão.
Remotamente interessado no que havia lá,Eriol voltou para o seu quarto.
Entrando lá,olhou para o despertador luminoso em cima da mesinha de cabeceira e viu que eram doze horas.
Devia ter passado muito tempo vagando pelos jardins,ele nem percebeu o tempo passar.
Deu meia-volta e fez todo o caminho que havia feito pela manhã para a cozinha,para poder almoçar.
Chegando lá,encontrou a mesa redonda já posta,e Amanda e Carol sentadas nela.Eriol notou que os olhos de Carol estavam muito vermelhos.
__Jerome contou ao papai o que Carol fez comigo hoje de manhã__disse Amanda com uma inconfudível nota de satisfação na voz no instante em que Eriol se sentou o mais longe possível de Carol__e também contou a rapidez com que ela troca de namorado.
__Isso...não...é...da...conta...dele!__falou Carol em voz baixa,cada sílaba treinando de raiva e frustração,e ficou passando a mão nos cabelos loiros nervosamente.
__É claro que é,ora,quero dizer,ele é nosso pai não é?__Eriol falou,mas depois se arrependeu com medo de que a irmã pudesse virar a mesa.
No entanto,Carol não respondeu.Se limitou a brincar com o pastelão de frango que havia em seu prato.
Não houve mais conversa na mesa.Todos comeram silenciosamente o pastelão de frango com batatas.
Mas,como aconteceu na hora do café da manhã,Eriol notou o estranho barulho de sino.
Tendo uma súbita inspiração,Eriol se voltou para as duas irmãs:
__Por acaso__começou lentamente__alguma de vocês tem escutado um barulho de sino aqui em casa?
Talvez pela surpresa de que alguém tenha falado na mesa,as duas meninas demoraram a responder.Passado um minuto,responderam com uma balançada de cabeça negativa,pensando que Eriol poderia estar fazendo algum tipo de brincadeira.
Não?Pensou Eriol começando realmente a se sentir um pouco assustado.
Terminado o almoço,ele foi lentamente até o quarto e se largou na cama,fechou os olhos e adormeceu instantaneamente.
Estava andando novamente pela sala escura.Só que dessa vez havia alguma coisa diferente,um barulho.Um barulho estranho de sino.Eriol procurou ver de onde vinha esse barulhinho e viu que ele vinha de uma pequena luz lá na frente.Seguiu a luz.A excitação atingindo-o com um baque.Ele precisava pegar aquela luz,precisava saber o que era aquela luz.A medida que ia se aproximando o barulho ia aumentando,juntamente com a luz.Se aproximou de novo da luz,abaixou-se e a pegou.Vinha de um objeto,não sabia o que era aquilo mas no momento em que o pegou o barulho de sino cessou.Analisou o objeto.Era pequenininho,cabia na palma da mão.Era dourado(talvez fosse a luz) e havia umas pontinhas douradas saindo dele.Mas o que era aquilo?Sei lá.Uma espécie de...medalhão...
Acordou.Acordou com o barulho de sino.Estava mais forte que o habitual.Estaria sonhando ainda?Não,estava definitivamente acordado,mas podia escutar o barulho de sino com real clareza.
Olhou para o despertador.Eram quatro horas.
Não podia mais suportar,tinha que procurar a fonte daquele barulho de sino.Tinha mesmo.
Se levantou de um pulo e procurou ver onde o barulho era mais forte.
O barulho vinha de fora do quarto.Eriol abriu a porta do quarto,fechou-a e saiu andando.O barulho parecia vir do retrato de Willian Fortescue.Confuso,Eriol foi até o retrato pensando que o barulho poderia,talvez,estar sendo causado pelo retrato.Mas o retrato nunca havia feito esse tipo de barulho antes.Por que será então que estava produzindo agora?
No entanto,ao se aproximar do quadro,viu que o barulho vinha da escada ao lado do quarto.Com o coração batendo forte,Eriol subiu as escadas devagar,temendo que o barulhinho de sino sumisse mas este tampouco parecia querer sumir.
Andando um pouquinho mais rápido,Eriol caminhou até o terceiro andar.
Chegando no corredor,ele inicialmente pensou que o barulho vinha do corujal mas se enganou novamente.Não,o barulho não vinha do corujal,o barulho vinha da porta que sempre fica trancada.
Descepcionado,Eriol afinal percebeu que nunca saberia a origem do barulho mas se enganou ainda uma terceira vez pois,milagrosamente,inexplicavelmente,quando Eriol atravessou o corredor desesperançoso e girou a maçaneta da porta,ela se abriu.
E não foi só isso,o barulho pareceu aumentar ainda mais.Então o barulho,seja lá o que fosse,vinha de lá de dentro.
Eriol hesitou.
Não sabia se era uma boa idéia entrar lá,pois poderia haver toda a sorte de coisas das trevas,e tampouco se deveria voltar,pois a curiosidade de saber de onde vinha o barulho de sino poderia perturba-lo pelo resto de sua vida.
No entanto,a curiosidade venceu e,mesmo que fosse uma atitude idiota,mesmo sabendo que aquilo poderia simplesmente mata-lo,Eriol abriu a porta com um movimento largo e rápido.
Mas não conseguiu enxergar nada.Não,dentro havia só escuridão e trevas.
Mesmo assim,arriscou uns passos incertos para dentro da sala.
No entanto,esperando encontrar uma sólida base rochosa como chão,Eriol conseguiu se enganar ainda uma quarta vez
(N\A:Eita garoto esperto!Conseguiu se enganar quatro vezes!Foi mal,mas ele não podia saber de tudo ne?!E alem do mais todo mundo se engana...)
Voltando...
Pois,em vez de um chão de pedra ou de madeira,ou de qualquer coisa sustentável,Eriol viu que estava no início de uma rampa comprida e escorregadia feita de metal em que só se enxergava a escuridão mais embaixo.
Eriol decidiu voltar,não,era melhor voltar e ter curiosidade do que morrer mas tapouco conseguiu voltar.
A rampa era tão escorregadia que Eriol ficou se movendo numa espécie de dança mal-feita para não escorregar.Tentou dar um impulso pra frente,tentou se agarrar na parede de pedra mas não,não conseguiu recuar.
Pois,devido á lisura da rampa,Eriol caiu de bunda no chão com um baque surdo,os óculos redondos quase saltando pra fora do rosto e escorregou.
Para seu horror,a rampa era muito mais longa do que pensava,se pensava que a rampa podia dar no máximo até o térreo de sua casa se enganou uma quinta vez (eita) pois a rampa parecia dar mais fundo ainda.Talvez fosse sua imaginação,mas Eriol pensava que a rampa daria para debaixo da terrra.
Então,depois de vários minutos de agonia (o que pareceram horas para o Eriol) a rampa finalmente acabou e ele sentiu que finalmente parara em um chão.Estava tudo escuro.Só conseguia escutar o barulho do sino cada vez mais forte.Ajeitou os óculos que estavam tortos na orelha esquerda e tateou o chão.
Pelo visto parecia ser feito de madeira.Ele desejava mais do que tudo que estivesse com a varinha dele.Mas não estava.Não tinha sentido carregar sua varinha pela casa.Ele não havia feito dezessete anos e por isso não havia completado a maioridade bruxa,então não poderia fazer magia.
Se estivesse com sua varinha á mão,se encrencaria com o ministério com certeza se fizesse um feitiço de luz.Mas estava tão desesperado que enfrentaria o Ministério sem problema.
Pensando amargurado em sua varinha que estava quilômetros acima em seu quarto guardada seguramente na gaveta de sua mesinha-de-cabeçeira.Amaldiçoando o Ministério por não deixar menores de idade usarem mágica,Eriol tentou forçar a vista,procurando algo para pôr os olhos.
Não encontrou nada.
Só havia o misterioso barulho de sino,agora mais forte.
Eriol deu uma segunda olhada rápida na câmara escura e seus olhos bateram em algo que fez seu coração pular.
Uma luz.
Aquela mesmíssima luz dos seus sonhos.Sabendo o que haveria a seguir,Eriol se levantou de um salto.
Começou a caminhar.Seu coração aos saltos.Começou então a seguir a luz.A luz começou a aumentar de tamanho,conforme o barulho de sino também aumentavam.
O suor já ia escorrendo pelo rosto muitíssimo branco de Eriol,a excitação tomando-o como em seus sonhos.Não acreditava que aquilo era verdade,não,como poderia ser?!
Num misto de desespero e felicidade Eriol ia se aproximando da estranha luz dourada.
O que seria?Aquele objeto que viu em seus sonhos?Achou mais difícil se concentrar tamanho era a excitação.
Trêmulo,Eriol agora estava só a alguns passos da pequena luz que parecia vir do chão de madeira.A luz estava situada bem no ângulo do chão de madeira com a parede de pedra.
Eriol agora conseguiua ver melhor.
Se aproximou mais até ficar somente um centímetro entre seus pés e a luz.
Ele se abaixou e com um movimento largo e trêmulo,agarrou a luzinha.
Levantou-se,olhou para trás nervoso (não adiantou nada,parecia que a luzinha só iluminava sua mão) e olhou mais atentamente para o que estava na sua mão.
Não era bem uma luz,mas sim um pequeno objeto.Era uma espécie de anel.Não,não poderia ser um anel,parecia mais um medalhão,pois havia um pequeno fio prateado ligando o anel como se ele fosse realmente um medalhão.Sim,era um medalhão.
Mas o anelzinho dourado parecia ter uns pequenos triângulos igualmente dourados ligado a ele.Mas isso não era tudo.Na verdade,era uma chave.
Meio confuso Eriol revirou a chave-medalhão em seus dedos brancos perguntando-se se deveria usa-lo.Olhou novamente á sua volta,nervoso.
É,não haveria nada a perder.Com um gesto automático,Eriol colocou o medalhão em seu pescoço.O medalhão era muito bonito mas Eriol se perguntou o que a chave que estava ligada a ele abria.
No instante em que ele colocou o medalhão no pescoço ele brilhou mais intensamente e (diferente do seu sonho) o barulho de sino pareceu só parar de brilhar quando Eriol colocou o medalhão.
Mas ele viu uma coisa brilhando mais adiantes.Uma coisa comprida,até onde os olhos podiam alcançar.Hesitou um pouco mas em nenhum momento passou pela sua cabeça tirar o medalhão e simplesmente deixa-lo ali.
Com passos vacilantes,Eriol foi em direção á coisa comprida que brilhava,e quando chegou lá viu que era uma enorme escada dourada.
Aparentemente (olhou ao redor de novo) não havia nenhum modo de sair daquele lugar então,sem pensar duas vezes e doido pra sair dali,Eriol começou a subir as escadas.
E subiu e subiu e subiu.
A escada parecia não ter fim.
Ele subiu tanto que seus dedos pareciam estar dormentes.Durante a subida olhou para baixo inúmeras vez,mas inutilmente pois tudo continuava escuro como um breu.
A subida pareceu durar muito mais tempo que a descida pelo fato de que a descida era uma rampa e que a subida era uma escada,mas foi muito menos assustador.Pelo menos ele estava subindo por vontade própria.
Ao que lhe pareceu sete horas,ele conseguiu chegar ao fim da escada e pisar em uma pequena plataforma de madeira.Estava um pouco mais iluminado ali,por isso ele conseguiu ver uma porta de madeira a sua frente.
Antes de abri-la,Eriol olhou á sua volta,as paredes eram de pedra,e olhou oara baixo,escuro como breu.
Sem ter outra alternativa Eriol abriu a porta e sentiu um alívio enorme quando viu que estava no corredor do terceiro andar.
Pulou para fora e fechou a porta.Nunca havia visto esta porta antes.Não era pra menos,quando ele olhou melhor a porta não havia maçaneta do lado de fora e se fundia tão perfeitamente com a parede que teria sido realmente impossível alguém acha-la.
Eriol olhou para a porta aberta lá na frente,onde a rampa ainda era visível e correu para fechá-la.Quando fechou,saiu correndo para o seu quarto.
Não iria contar nada disso pra ninguém,ficaria com o segredo só para ele.Provavelmente o barulhinho estranho era realmente desse objeto que ele trazia agora no pescoço mas por que a porta que sempre esta trancada estava aberta?Por que ele sonhara com isso?Qual o feitiço desse medalhão?O que será que ele abre com essa chave?E,acima de tudo,Eriol se perguntou por que a mãe dele havia colocado esse medalhão lá embaixo?Essas eram perguntas que Eriol temia jamais serem respondidas.
(N/A:Oi povo!Primeiro capítulo postado ^^ Espero que estejam gostado da fic,é o começo mas por favor me diga se está ruim ta legal?!Mas,por favor eu também lhes peço que comentem!!Sabe,comentar não tira pedaço e me incentiva a continuar escrevendo!Até a próxima!)
Comentários (0)
Não há comentários. Seja o primeiro!