O momento da partida
Harry, Rony e Hermione estavam andando a esmo há alguns meses. Mudavam o local do acampamento com bastante freqüência para despistar comensais e saqueadores.
Infelizmente, ainda não haviam tido nenhum progresso. Tinham apenas uma Horcruxes e nem mesmo sabiam como destruí-la.
A falta de idéias e de planos plausíveis não estava ajudando em nada para que se sentissem menos angustiados. Sem falar no peso que era para os três terem que carregar o medalhão, que estranhamente alterava o humor de quem o usasse. Exatamente por isso, haviam acordado em dividir a tarefa de usá-lo.
Rony andava visivelmente mal humorado. O principal motivo: a falta de comida. E seu humor piorava drasticamente quando estava usando o medalhão. Ele tornava-se grosseiro, impacientava-se com mais facilidade, reclamava de forma desmedida e parecia não ligar em proferir ofensas aos amigos.
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- E então? Perguntou o ruivo impaciente, olhando para as mãos vazias do amigo.
- De-men...tadores. Disse Harry sem fôlego e trêmulo.
- Mas você sabe conjurar um patrono perfeitamente bem. Protestou Rony.
- Cala a boca Rony. Gritou Hermione. – Harry tá tudo bem? O que aconteceu afinal?
Rony lançou um olhar muito aborrecido a amiga e cruzou os braços em sinal de indignação.
"Para o Harry ela sempre tem palavras de consolo. Sempre é compreensiva e carinhosa. Para mim, sobram os gritos e os olhares inquisidores."
- Eu não sei. Disse Harry ainda trêmulo e parecendo muito constrangido.
- Tá tudo bem Harry, já passou. Falou Hermione, tentando acalmar o amigo.
- Ah que ótimo, agora continuamos sem comida. O ruivo socou a mesa com força.
Hermione lhe lançou um olhar ferino.
- O que foi? Rosnou ele para a garota. - Estou morto de fome.
- TODOS NÓS ESTAMOS RONY, OU VOCÊ ACHA QUE ESTÁ SENDO DIFÍCIL SÓ PARA VOCÊ? Hermione perdeu o pouco de paciência que lhe restava.
- É RONY VÁ LÁ, ENFRENTE OS DEMENTADORES E TRAGA COMIDA. Berrou Harry que sentia-se imensamente frustrado e irritado.
- EU IRIA, MAS ESTOU COM ESSE BRAÇO ESTRUNCHADO. Berrou de volto, o rosto lívido de raiva.
Hermione e Harry ficaram encarando o ruivo com os olhos faiscando. Já não agüentavam mais o humor intragável e a falta de consideração do amigo.
- Me dá a droga do medalhão Rony. Falou Hermione um pouco mais calma.
O garoto tirou a corrente do pescoço e a jogou para a amiga, ainda parecendo extremamente irritado.
Após ficar livre do peso do medalhão, o humor de Rony melhorou consideravelmente.
No dia seguinte, Hermione saiu cedo, e usando a capa de Harry conseguiu apanhar ovos e algumas frutas na cidadezinha que ficava perto do local onde estavam acampados.
- Humm... Her..o...ni... ta… ui..to… bom… O ruivo parecia relativamente bem humorado naquela manhã.
- Não fale de boca cheia Ronald. Ralhou Hermione, mas não estava brava, na verdade tinha uma expressão divertida no rosto.
Ás vezes, ela achava muito engraçado e encantador o quanto Rony parecia uma criança. Precisava de tão pouco para ficar feliz. O problema era que aquele pouco estava se tornando cada dia mais raro. Conseguir comida vinha sendo umas das tarefas mais árduas dos últimas semanas.
- Ah... na..um... e..che Her...io..ni... Devolveu o ruivo também sorrindo enquanto mastigava prazerosamente os ovos mexidos.
Hermione revirou os olhos, enquanto Harry ria. Um momento como esse era algo relativamente raro ultimamente.
Mas, como Hermione previra, o bom humor de Rony não durou muito, bastou que a comida terminasse para que seu habitual azedume voltasse à tona.
“E agora?” era o refrão favorito e constante do ruivo. Ele não tinha nenhuma idéia a contribuir, mas esperava sempre que Harry e Hermione pensassem em tudo.
A falta de comida unida a falta de notícias da família faziam o sangue do ruivo ferver e perder o controle com muita facilidade, e isso já estava se tornando uma rotina.
Uma rotina insuportável na opinião dos amigos.
Hermione se mostrava cada dia mais magoada e desgostosa com as ofensas proferidas por Rony sobre sua comida.
- Você chama isso de comida Hermione? Perguntou o ruivo fazendo uma careta de repugnância.
- Escuta aqui Ronald, é o melhor que pude fazer, você sabe perfeitamente que não posso conjurar comida do nada, aumentá-la talvez...
Rony interrompeu Hermione:
- Pois não se dê ao trabalho de aumentar essa aqui, porque está uma porcaria.
Hermione fungou e seus olhos se encheram de lágrimas.
- Então, amanhã você cozinha algo que valha a pena comer Ronald, e eu vou ficar aqui sentada fazendo cara feia e reclamando de tudo, e você vai ver como é bom. A garota tinha a voz embargada e as palavras pareciam sair com muita dificuldade. Ela jogou o prato no chão com força e saiu a passos duros.
- Nossa quanta sensibilidade. Ironizou o ruivo, olhando para Harry.
- Ah Rony vê se cresce! Disse o moreno, se levantando e deixando o ruivo sozinho.
Rony fitou o prato que tinha nas mãos e o largou. Sentiu-se um completo idiota.
“Que tipo de amigo eu sou afinal?” Parecia que ultimamente tudo que ele conseguia fazer era magoar Hermione. Sentiu um aperto forte no peito e mal conseguiu dormir naquela noite. O remorso estava o consumindo.
Ao amanhecer percebeu que seu orgulho continuava maior que seu remorso e não foi capaz de pedir desculpas a Hermione. Ela mal o olhava e quando o fazia ele podia enxergar a magoa em seus olhos.
Era mesmo um trasgo. Deveria estar protegendo Hermione e fazendo de tudo para que aquela situação toda fosse o menos cruel possível para ela, mas ao invés disso ele parecia contribuir para que as coisas ficassem cada dia piores.
Em alguns momentos, julgava que a vontade avassaladora que sentia de beijar e abraçar Hermione fazia com que colocasse os pés pelas mãos. Na ânsia de conter e disfarçar seus reais sentimentos por ela, acabava a ofendendo.
Os dias se passaram e a situação permaneceu a mesma. A falta de pistas e de notícias estava abalando os nervos dos três, e Rony achava inadmissível Harry não ter um plano. A cada minuto que se passava aquela busca parecia mais distante e sem sentido.
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Uma chuva torrencial resolvera castigar a região naquela noite. Rony parecia terrivelmente entediado. Estava deitado em sua cama muito sério fitando a lona da barraca. Os pingos de chuva se tornavam cada vez mais fortes.
Vez e outra olhava na direção em que os amigos conversavam. Eles pareciam totalmente esquecidos da sua presença.
"Por que Hermione iria querer você Ronald? Um pobretão, sem nenhum talento, um verdadeiro nada!"
A ideia de que os amigos estavam interessados um no outro martelava dia e noite na sua cabeça. E o ciúme parecia corroer suas entranhas e varrer qualquer pensamente racional.
Harry e Hermione travavam uma animada conversa sobre a espada de Gryffindor e o fato dela poder destruir as Horcruxes. Haviam descoberto isso na noite anterior, ao ouvirem na beira do rio uma conversa entre um duende e alguns bruxos. A notícia parecia ter renovado as esperanças dos dois.
Rony, que usava o medalhão no momento, tomado por um ciúme infundado e sentindo-se excluído, acabou explodindo com os amigos.
- O que você acha Rony? Interrogou Harry.
- Ah, que bom que os pombinhos lembraram que eu existo. Disse o ruivo com sarcasmo, e os olhos brilhando perigosamente.
- Quê? Interrogou Hermione incrédula com a grosseria do amigo.
- Podem continuar, não quero estragar a conversa animada dos dois. O desdém e o rancor na voz do ruivo fizeram o coração de Hermione gelar.
Harry se impacientou com a crise do amigo e os dois acabaram discutindo a valer. Hermione tentou justificar as atitudes de Rony, dizendo que ele só estava agindo daquela meneira porque estava usando o medalhão.
Mas os dois continuaram se ofendendo sem trégua, até chegarem ao ponto de sacarem as varinhas. O ódio nos olhos de ambos faiscava assustadoramente.
Hermione gritou protego, formando um escudo, antes que eles pudessem atacar um ao outro. Nessa altura ela já chorava descontroladamente. Não podia acreditar que eles tivessem chegado a tal ponto.
- POR QUE VOCÊ ESTÁ AQUI AINDA ENTÃO? Perguntou Harry aos berros.
O ruivo sentia um ódio corrosivo do amigo, um sentimento desmedido, desconhecido. Algo devastador.
Harry esperou uma resposta, mas ela não veio, Rony virou as costas e saiu andando em direção a saída.
- DEIXE A HORCRUXES. Berrou Harry novamente.
Hermione olhou atônita de um para o outro, o rosto manchado de lágrimas.
Rony arrancou a corrente do pescoço e a jogou no chão com força. Olhou para Hermione que estava do outro lado do escudo protetor ao lado de Harry.
- Você vem? Perguntou de forma ríspida.
Ela arregalou os olhos e gaguejou em meio aos soluços:
- Eu... eu vim para ajudar o Harry e ...e... não vou abandoná-lo. Embora ela estivesse apavorada, parecia firme em sua decisão.
Rony lhe lançou o olhar mais duro e cruel que já recebera em toda a sua vida. Sentiu seu coração rachar em milhares de pedaços.
- Entendi. Você escolhe ficar com ele. Rosnou Rony entredentes.
Ele deu as costas aos amigos e saiu furioso. Seu peito doía de uma forma descomunal. As lágrimas agora caiam copiosamente.
Assim que conseguiu aparatar. Escorou-se em uma árvore e vomitou. Não pôde controlar a ânsia que subiu a sua garganta. As lágrimas ainda insistiam em cair.
Quando Hermione conseguiu se livrar do escudo protetor correu atrás do ruivo e gritou desesperadamente por ele.
- RONYYYY... RONYYYY...
Mas era inútil, ele tinha partido. Ela deixou-se cair no chão, e chorou até não ter mais forças. Aquilo era o pior de todos os seus pesadelos.
Rony tinha ido embora, e pior achando que ela gostava mais de Harry do que ele.
Hermione sabia que seria muito mais difícil continuar sem Rony... mas ela precisava ser forte, e jurou para si mesmo que não pensaria mais nele a partir daquele dia. Afinal ele havia os abandonado.
Ela lutou bravamente contra as lágrimas naquela noite, mas perdeu miseravelmente. Nunca havia se sentido tão vazia e sozinha.
N. da A.: Eu sei que existem milhares de Fics sobre esse momento, mas eu queria dar minha contribuição também...rs... Fiquei tão desesperada quando li, podia sentir a dor deles.
Se quiserem comentar, não vou ficar chateada...heheeh
Bom, espero que gostem... Bjs
Comentários (1)
triste sua fic, mas é realmente boa. ;})
2011-06-20